Corticóides tópicos para o tratamento de fimose em rapazes

A fimose é uma doença na qual não é possível retrair totalmente o prepúcio sobre o pénis. A fimose é normal ao nascimento e frequentemente resolve espontaneamente sem necessidade de tratamento durante os primeiros três a quatro anos de vida. Apenas 10% dos rapazes com três anos de idade apresentam fimose. Esta condição clínica denomina-se fimose congénita. A fimose pode também ser causada pela cicatrização da pele que protege a glande em consequência da impossibilidade de retrair o prepúcio. A fimose causada por esta cicatrização ocorre em 0.6% a 1.5% dos rapazes com idade inferior a 18 anos de idade, mas este tipo de fimose raramente ocorre em rapazes com idade inferior a cinco anos. Distinguir o tipo de fimose é por vezes difícil.

O tratamento de rapazes com fimose tornou-se controverso. Cirurgias para remover ou alargar o prepúcio (circuncisão e plastia do prepúcio) foram amplamente utilizadas no passado para tratar a fimose. Mais recentemente, cremes e pomadas contendo corticóides (fármacos que reduzem a inflamação, limitando ou reduzindo a atividade do sistema imunitário) aplicados durante quatro a oito semanas têm mostrado resultado promissores. O objetivo do tratamento com corticóides tópicos é reduzir o aperto da pele em redor da extremidade do pénis. Tal permite um método de tratamento muito menos invasivo e pode limitar a necessidade de cirurgia em alguns rapazes.

Foram avaliados os efeitos da utilização de corticóides tópicos para tratar a fimose em rapazes até 18 anos de idade, comparativamente com tratamento não ativo (placebo) ou ausência de tratamento. Foram analisados 12 estudos que incluíram 1395 rapazes com idade entre 18 dias e 17 anos e, apesar de se ter detetado que os corticóides tópicos podem aumentar a probabilidade de resolução parcial ou total da fimose sem efeitos adversos significativos, muitos estudos não reportaram efeitos adversos.

Corticóides tópicos podem constituir uma alternativa segura no tratamento da fimose em rapazes antes de realizar intervenção cirúrgica.

Notas de tradução: 

Tradução por Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal

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