Xilitol para prevenir otite em crianças com até 12 anos de idade

Pergunta da revisão
Nós revisamos a evidência sobre a efetividade e a segurança do xilitol para prevenir otite (infecção aguda do ouvido médio; OMA) em crianças com até 12 anos de idade.

Introdução
A OMA é uma infecção bacteriana comum entre crianças pequenas nos Estados Unidos. Apesar das complicações sérias serem raras, a otite tem um impacto grande no sistema de saúde. Nos Estados Unidos, a otite é responsável por quase 20 milhões de consultas. O tratamento da OMA com antibióticos é caro e preocupa porque pode levar ao surgimento da sepas de bactérias resistentes. A cirurgia é uma opção invasiva e cara. Por esses motivos, os cientistas buscam descobrir medidas efetivas para prevenir a OMA. Um tratamento alternativo é usar o xilitol ou açúcar de bétula. O xilitol tem sido usado por décadas como um adoçante natural, principalmente em gomas de mascar, doces, pasta de dente e remédios, e pode reduzir o risco de cáries.

Data da busca

Nós buscamos a literatura até janeiro de 2016. Esta é uma atualização de uma revisão que foi publicada anteriormente em 2011.

Características dos estudos
Nós identificamos cinco ensaios clínicos que envolveram 3405 crianças. A maioria dos estudos foi conduzida pelo mesmo grupo de pesquisadores. Quatro estudos foram realizados na Finlândia; três incluíram crianças saudáveis e um incluiu crianças com infecção respiratória aguda. O quinto estudo foi conduzido nos Estados Unidos e incluiu crianças com propensão à otite, e foram recrutadas em clínicas médicas de atendimento geral.

Fonte de financiamento dos estudos

Os cinco estudos foram financiados com verba governamental. Os investigadores do estudo finlandês tem uma patente americana para usar xilitol para o tratamento de infecções respiratórias.

Resultados principais

O xilitol administrado como goma de mascar, pastilhas, ou xarope, pode reduzir a ocorrência de OMA de 30% para 22% em crianças saudáveis sem infecções respiratórias agudas. Não há diferença na ocorrência de efeitos adversos (desconforto abdominal e erupção cutânea). Com base nestes resultados, nós esperaríamos que de 1000 crianças com até 12 anos, 299 teriam uma OMA se não usassem nada, enquanto entre 194 e 263 crianças teriam OMA se usassem gomas de mascar com xilitol. O efeito preventivo entre crianças com infecção respiratória ou entre crianças com propensão à otite é inconclusivo.

Qualidade da evidência
A qualidade da evidência foi moderada para crianças saudáveis e para crianças com infecções respiratórias, mas foi baixa para crianças com propensão à otite.

Conclusão dos autores: 

Existe evidência de qualidade moderada indicando que a administração profilática de xilitol entre crianças saudáveis que frequentam creches pode reduzir a ocorrência de OMAs. As evidências relacionadas a efetividade do xilitol para prevenir OMA nas crianças com infecção respiratória, ou entre crianças propensas à otite são inconclusivas. A metanálise foi limitada porque os dados vieram de um número pequeno de estudos, e a maioria deles foi realizada pelo mesmo grupo de pesquisadores.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A otite média aguda (OMA) é a infecção bacteriana mais comum entre as crianças americanas e existem dúvidas e preocupações quanto ao seu tratamento com antibióticos e cirurgia. Portanto, medidas preventivas eficazes são consideradas importantes. Uma medida preventiva potencial é o uso do xilitol, um adoçante natural que reduz o risco de cáries dentárias. Estudos in vitro indicam que o xilitol pode reduzir a aderência do Streptococcus pneumoniae (S. pneumoniae)  e do Haemophilus influenzae (H. influenzae) às células da nasofaringe. Esta é uma atualização da revisão que foi primeiramente publicada em 2011.

Objetivos: 

Avaliar a eficácia e a segurança do Xilitol para evitar OMA em crianças com até 12 anos de idade.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados: Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (até Issue 12, 2015), MEDLINE (de 1950 a janeiro de 2016), Embase (de 1974 a janeiro de 2016), CINAHL (de 1981 a janeiro de 2016), LILACS (de 1982 a janeiro de 2016), Web of Science (de 2011 a janeiro de 2016) e International Pharmaceutical Abstracts (de 2000 a Janeiro de 2016).

Critérios de seleção: 

Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) ou quasi-randomizados, envolvendo crianças com até 12 anos de idade, que compararam a suplementação de xilitol versus placebo ou nenhum tratamento para a prevenir episódios de OMA.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores independentes analisaram as citações identificadas através da estratégia de busca, selecionaram os estudos a serem incluídos na revisão, avaliaram a qualidade desses estudos e fizeram a extração dos dados relevantes. Os autores dos estudos foram contatados para obter mais informações quando os dados estavam incompletos no artigo publicado. Foram extraídos dados sobre qualquer tipo de eventos adversos associados ao uso do xilitol. Foram extraídos dados sobre os desfechos relevantes e o tamanho do efeito foi avaliado através do cálculo do risco relativo (RR), diferença de risco (Risk difference RD) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC).

Resultados principais: 

Foram identificados cinco estudos envolvendo 3405 crianças. Para essa atualização de 2016, foi identificado um estudo a mais para inclusão. Esse estudo foi revisado, mas como ele tinha várias fontes de heterogeneidade, nós não o incluímos na metanálise. Os outros quatro estudos tinham qualidade metodológica adequada. Existe evidência de qualidade moderada, proveniente de três ECRs, com um total de 1826 crianças finlandesas saudáveis que frequentavam creches, de que o xilitol (em qualquer forma) pode reduzir o risco de OMA de 30% para 22% em comparação com o grupo controle (0,75; 95% IC 0,65 a 0,88). Não houve diferença significante entre o grupo que recebeu xilitol e o controle quanto a queixas de desconforto abdominal e erupções cutâneas como motivo de abandono do estudo. O xilitol não foi efetivo para reduzir OMA entre crianças saudáveis durante uma infecção respiratória (RR 1,13, IC 95% 0,83 a 1,53; evidência de qualidade moderada) ou entre crianças saudáveis com propensão à otite (RR 0,90, IC 95% 0,67 a 1,21; evidência de baixa qualidade).

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra T. Parra). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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