Mel para tosse aguda em crianças

Essa tradução não está atualizada. Por favor clique aqui para ver a versão mais recente em inglês desta revisão.

Pergunta da revisão
Nós queriamos saber se o mel pode reduzir os sintomas da tosse causados por bactérias e vírus em crianças.

Introdução
A tosse é um motivo de preocupação para os pais e é uma causa importante de consultas médicas tanto para crianças como para adultos. A tosse pode ter impacto na qualidade de vida, pode causar ansiedade e afetar o sono dos pais e das crianças. Por isso, tanto o doente como quem cuida dele querem um remédio de efeito imediato para esse sintoma. Outras revisões Cochrane avaliaram a efetividade de remédios para tosse que podem ser comprados sem receita médica, mas nenhuma revisão anterior estudou o uso do mel para o alívio da tosse.

O mel é uma mistura doce de diferentes tipos de açúcares, aminoácidos, flavonoides (substâncias antioxidantes), vitaminas e oligoelementos (substâncias que existem em quantidade mínima na natureza). Acredita-se que o mel previna o crescimento de bactérias, vírus e leveduras e que reduza as inflamações.

Características do estudo
Nós incluímos três pequenos ensaios clínicos randomizados envolvendo 568 crianças, com idade entre 1 e 18 anos. Esta revisão incluiu todos estudos publicados até novembro de 2014.

Resultados principais
Esses pequenos estudos mostraram que o mel parece ser melhor do que não oferecer nenhum tratamento e do que dar um placebo (um líquido que parece com mel na aparência e sabor, mas que não é mel) para o alívio da tosse. As evidências também mostraram que o mel parece ser melhor do que o placebo para reduzir a preocupação das pessoas em relação à tosse. Entretanto, a preocupação foi igual no grupo que recebeu mel comparado ao grupo que não recebeu nenhum tratamento. O mel permitiu que crianças e os pais dormissem um pouco melhor durante a noite quando comparado com nenhum tratamento.

Os efeitos do mel e do dextrometorfano para todos os sintomas da tosse não foram diferentes. O mel parece ser melhor do que a difenidramina para aliviar e reduzir o efeito da tosse em crianças. O mel também parece permitir que pais e crianças durmam melhor quando comparado com a difenidramina.

A difenidramina e o dextrometorfano são dois ingredientes comuns em xaropes para tosse. Os pais de sete crianças que tomaram mel e de duas crianças que tomaram dextrometorfano relataram que seus filhos tiveram alguns pequenos efeitos colaterais, como insônia, hiperatividade e nervosismo. Os pais de três crianças que estavam no grupo que recebeu difenidramina relataram que elas tiveram sonolência.

Qualidade da evidência
Assim como com outros remédios, tanto os benefícios como os efeitos colaterais do mel devem ser pesados. A principal limitação desta revisão atualizada é que ela encontrou apenas três estudos sobre esse problema. Dois eram estudos pequenos e com grande chance de que seus resultados não fossem muito precisos.

Também é importante dizer que o uso de mel para crianças com menos de um ano de idade não é aconselhado devido ao fato de elas terem pouca imunidade contra a bactéria Clostridium botulinum (C. botulinum),que causa botulismo infantil e que pode estar presente no mel.

Conclusão dos autores: 

O uso do mel pode ser melhor do que a ausência de qualquer tratamento, do que o uso da difenidramina e do que o uso de um placebo para o alívio sintomático da tosse, mas não é melhor do que o uso dextrometorfano. Como todos os estudos avaliaram os efeitos das intervenções por apenas uma noite, não foi possível concluir nada sobre o efeito do mel sobre a duração da tosse. Não existem evidências robustas contra ou a favor do uso de mel para tosse.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A tosse é um sintoma que preocupa os pais e é uma das maiores causas de visitas aos consultórios e ambulatórios. A tosse pode ter um impacto na qualidade de vida, causar ansiedade e afetar o sono dos pais e das crianças. Diversos remédios, incluindo o mel, são usados para aliviar os sintomas da tosse.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade do mel para a tosse aguda em crianças em atendimento ambulatorial.

Estratégia de busca: 

Foi realizada uma busca nas bases CENTRAL (2014, Issue 10), MEDLINE (de 1950 até a 4ª semana de outubro de 2014), Embase (de 1990 até novembro de 2014); Embase (de 1990 até novembro de 2014), AMED (de 1985 até novembro de 2014), LILACS (de 1982 até novembro de 2014) e resumos CAB (de 2009 até janeiro de 2014).

Critérios de seleção: 

Incluímos todos os ensaios clínicos randomizados (ECR) que compararam o uso do mel isoladamente ou combinado com antibióticos, versus nenhum tratamento, placebo ou medicamentos para tosse que podem ser comprados sem receita médica em indivíduos entre 1 a 18 anos de idade, com tosse aguda em atendimento ambulatorial.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores analisaram independentemente as referências identificadas para elegibilidade e extraíram os dados dos desfechos de interesse.

Resultados principais: 

Foram Incluídos três ECRs, dois com alto risco de viés e um com baixo risco de viés, totalizando 568 crianças. Os estudos compararam o uso do mel versus o dextrometorfano, a difenidramina, nenhum tratamento ou placebo, para o alívio sintomático da tosse, que foi medida usando uma escala Likert de 7 pontos. Quanto menor a pontuação, menor era a gravidade do sintoma.

Evidência de qualidade moderada indica que o mel pode ser melhor do que nenhum tratamento para reduzir a frequência da tosse [diferença de média (DM) -1,05; intervalo de confiança (IC) de 95% -1,48 a -0,62; estatística I2 23%; dois estudos, 154 participantes]. Existe evidência de alta qualidade indicando que o mel parece ser melhor do que o placebo para reduzir a frequência da tosse (DM -1,85; CI 95% -3,36 a -0,33; um estudo, 300 participantes). Existe evidência de qualidade moderada sugerindo que não houve diferença estatisticamente significativa entre o uso de mel comparado ao dextrometorfano para reduzir a frequência da tosse (DM -0,07; IC 95% -1,07 a 0,94; dois estudos, 149 participantes). Há evidência de baixa qualidade sugerindo que o mel pode ser um pouco melhor que a difenidramina para reduzir a frequência da tosse (DM -0,57; IC 95% -0,90 a -0,24; um estudo, 80 participantes).

Os efeitos colaterais do mel incluíram reações leves (nervosismo, insônia e hiperatividade) observadas em sete crianças (9,3%) do grupo que utilizou o mel e em duas (2,7%) do grupo que utilizou o dextrometorfano; a diferença não foi significativa [razão de risco (RR) 2,94; CI 95% 0,74 a 11,71; dois estudos, 149 participantes]. Três crianças (7,5%) do grupo difenidramina tiveram sonolência (RR 0,14; CI 95% 0,01 a 2,68; um estudo; 80 participantes). Quatro crianças no grupo do mel (1,8%) e uma criança (1,3%) no grupo placebo tiveram queixas gastrointestinais (RR 1,33; IC 95% 0,15 a 11,74). Não houve diferença significativa na comparação entre mel versus dextromeorfan, mel versus difenidramina ou mel versus placebo. Nenhum efeito colateral foi descrito no grupo que não recebeu nenhum tratamento.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra Parra). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

Share/Save