Meditação para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) afeta um número significante de crianças e adultos de várias formas. O TDAH é caracterizado por desatenção, impulsividade e hiperatividade crônicas. A meditação poderia ser um tratamento benéfico para as pessoas com TDAH. O objetivo desta revisão foi avaliar a eficácia deste tratamento. Encontramos poucos estudos que puderam ser incluídos nesta revisão, e esses estudos tinham limitações. Por isso, não pudemos chegar a quaisquer conclusões em relação à efetividade da meditação para o tratamento do TDAH. Não foram reportados efeitos adversos da meditação em crianças. É necessário fazer mais ensaios clínicos randomizados sobre terapias de meditação para o TDAH para se chegar a conclusões sobre a efetividade desse tipo de tratamento.

Conclusão dos autores: 

Devido ao pequeno número de estudos incluídos, com poucos participantes e alto risco de viés, não pudemos chegar a quaisquer conclusões em relação à efetividade da terapia de meditação no tratamento do TDAH. Não houve relato de efeitos adversos da meditação. É necessário realizar mais ensaios clínicos sobre o assunto.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos de desenvolvimento mais comuns da infância, podendo persistir na idade adulta. O TDAH se instala precocemente e consiste na combinação de hiperatividade mais dificuldade na modulação do comportamento e uma grande falta de atenção. No longo prazo, o TDAH pode prejudicar o rendimento acadêmico, o sucesso profissional e o desenvolvimento social e emocional. A meditação está sendo cada vez mais usada para transtornos psicológicos e poderia ser usada para o treinamento da atenção nos pacientes que sofrem de TDAH.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade das terapias de meditação no tratamento de portadores de TDAH.

Estratégia de busca: 

Fizemos uma busca extensa nas seguintes bases de dados: CENTRAL, MEDLINE, EMBASE, CINAHL, ERIC, PsycINFO, C2-SPECTR, dissertation abstracts, LILACS, Virtual Health Library (VHL) via BIREME, Complementary and Alternative Medicine specific databases, HSTAT, Informit, JST, Thai Psychiatric databases e ISI Proceedings. Também fizemos buscas por literatura cinzenta e pesquisamos nas plataformas de registros de ensaios clínico. As buscas foram realizadas desde o início da base até janeiro de 2010.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados controlados (ECR) que investigaram a eficácia da terapia de meditação em crianças e adultos diagnosticados com TDAH.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, extraíram dados usando um formulário de coleta de dados pré-definido. Contatamos os autores dos estudos para obter informações adicionais necessárias. Calculamos o tamanho do efeito usando as diferenças médias (MD). Apresentamos os resultados em tabelas, figuras e de forma narrativa.

Resultados principais: 

Quatro estudos, envolvendo 83 participantes, foram incluídos nesta revisão. Dois estudos utilizaram meditação com mantra enquanto os outros dois utilizaram yoga. Os grupos de comparação usaram medicamentos, treinamento de relaxamento, exercícios não específicos e tratamento controle padrão. Todos estudos tinham um alto risco de viés devido às limitações nos seus desenhos. Apenas um dos quatro estudos tinha dados apropriados para nossas análises. Este estudo, envolvendo crianças, não encontrou diferença estatisticamente significante entre os grupos (terapia de meditação versus terapia medicamentosa) quanto à escala de TDAH segundo a avaliação dos professores: MD -2,72, IC 95% -8,49 até 3,05, 15 pacientes. Da mesma forma, não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos terapia de meditação versus tratamento padrão quanto à escala de TDAH segundo a avaliação dos professores: MD –0,52, IC 95% -5,88 até 4,84, 17 pacientes. Também não houve diferença estatisticamente significante entre os grupo terapia de meditação versus tratamento padrão no teste de distração: MD -8,34, IC 95% -107,05 até 90,37, 17 pacientes.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Hellen Yuki Umemura Ribeiro). Contato - tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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