Exercício para mulheres recebendo terapia adjuvante para câncer de mama

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No passado, pacientes com câncer eram usualmente aconselhados a descansar e a evitar esforços físicos. Entretanto, é agora bem estabelecido que repouso excessivo e inatividade física podem resultar em importante descondicionamento e, assim, reduzir a aptidão física funcional. Além disso, mulheres submetida a quimioterapia ou radioterapia adjuvantes para câncer de mama usualmente apresentam efeitos colaterais debilitantes. Um dos principais efeitos colaterais da radioterapia é a fadiga.Efeitos colaterais comuns da quimioterapia são náuseas, vômitos, fadiga, ganho de peso e alterações do humor. Esse efeitos colaterais interferem com atividades diárias, como auto-cuidado e retornar do trabalho. Tem sido descrito que o exercício físico melhora as condições físicas subjascentes de pessoas com doenças crônicas.

Essa revisão avaliou o exercício físico como uma forma de contrabalançar os inúmeros efeitos indesejados induzidos pelos tratamentos para o câncer (quimioterapia e radioterapia). Foram incluídos nove ensaios clínicos randomizados com um total de 452 pacientes. Os resultados sugerem que o exercício físico pode melhorar a funcionalidade física mesmo durante o tratamento para o câncer. Além disso, a sensação de fadiga pode ser reduzida pela prática de exercícios, apesar das evidências científicas não serem conclusivas em relação a isso. . Também não existe evidências suficientes em relação ao efeito do exercício em desfechos como distúrbios de humor, atividade do sistema imunológico e ganho de peso. Ademais, não existem dados para possíveis efeitos deletérios do exercício durante o tratamento adjuvante do câncer.

Conclusão dos autores: 

O exercício durante o tratamento adjuvante para o câncer de mama pode ser considerado como uma intervenção de apoio auto-administrada que resulta em melhora da aptidão física e, portanto, em melhora da capacidade de realizar as atividades da vida diária, que podem ser dificultadas pela inatividade durante o tratamento. . Melhorias em relação à fadiga são duvidosas e não existem evidências de melhora em relação a outros efeitos colaterais secundários ao tratamento oncológico adjuvante. Considerando que intervenções com exercício requerem mudanças de estilo de vida (para pacientes sedentários), estratégias para mudança de comportamento devem ser empregadas para dar sustento a essas intervenções. Além disso, é necessária avaliação a longo prazo em virtude da possibilidade de efeitos colaterais tardios.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Existe um grande volume de evidências indicando que o tratamento adjuvante do câncer de mama tem impacto positivo em desfechos clinicamente relevantes, tais como taxas de recorrência e mortalidade. Em contrapartida, a terapia adjuvante com quimioterapia, radioterapia e/ou hormonioterapia tem também impacto negativo na qualidade de vida, em virtude de importantes efeitos adversos de curto e longo prazos.

Objetivos: 

Estimar o efeito de intervenções com exercícios aeróbicos ou de resistência durante o tratamento adjuvante para o câncer de mama nos efeitos adversos associados ao tratamento, tais como piora da capacidade física, fadiga, estresse psicossocial e alterações psicológicas, biológicas e morfológicas.

Estratégia de busca: 

Nós pesquisamos no the Cochrane Breast Cancer Specialised Register (16 de Julho de 2004) e as seguintes bases de dados eletrônicas: MEDLINE (de 1966 a 2004), EMBASE (de 1988 a 2004), CINAHL (1982 a 2004), SPORTDiscuss (de 1975 a 2004), PsycINFO ( de 1872 a 2003), SIGLE (de 1880 a 2004), ProQuest Digital Dissertations (de 1861 a 2004) e Conference Papers Index (de 1973 a 2004). Além disso, nós também pesquisamos referencias em revisões relevantes e em ensaios clínicos , bem como procedemos pesquisa manual em revistas.

Critérios de seleção: 

Nós incluímos ensaios clínicos randomizados e ensaios clínicos não-randomizados que examinaram exercícios aeróbicos e/ou de resistência em mulheres submetidas a tratamento adjuvante para câncer de mama.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores extraíram os dados e avaliaram a qualidade e adequação metodológica dos programas de treinamento de forma independente, seguindo um conjunto de critérios pré-definidos. As metanálises foram realizadas para capacidade física, fadiga e ganho de peso utilizando o modelo de efeito randômico.

Resultados principais: 

Nove ensaios clínicos, envolvendo 452 pacientes atenderam os critérios de inclusão. A metanálise para aptidão cardiorrespiratória (207 participantes) sugere que o exercício melhora a capacidade cardiorrespiratória (Diferença de média padronizada (DMP) 0,66, Intervalo de Confiança (IC) 95% 0,20 a 1,12). A metanálise para fadiga (317 participantes) identificou uma melhora não estatisticamente significante no grupo submetido à intervenção com exercício em relação ao grupo controle (DMP -0,12, IC 95% -0,37 a 0,13); o mesmo vale para a metanálise para ganho de peso (147 participantes) (DMP -1,11, IC 95% -2,44 a 0,22). As evidências para esses desfechos permanece limitada. Efeitos adversos (linfedema e tendinite no ombro) foram observados em dois ensaios clínicos. Os resultados dos ensaios clínicos não-randomizados são similares aos dos ensaios clínicos randomizados e aparentemente não reduzem os vieses. Essa revisão é embasada em um pequeno número de trabalhos com um considerável grau de heterogeneidade em relação ao tratamento adjuvante do câncer e às intervenções com exercício.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Marcio Debiasi, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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