Ervas medicinais chinesas para o tratamento de efeitos colaterais da quimioterapia em pacientes com câncer de mama.

Ervas medicinais chinesas (EMC) incluem qualquer mistura de compostos de ervas e decocção (processo pelo qual as ervas são cozidas e o líquido remanescente é utilizado para fins de saúde), incluindo o desenvolvimento de fórmulas, injeções e cápsulas à base de plantas. Embora EMC sejam usadas para neutralizar os efeitos colaterais da quimioterapia (tratamento de câncer com agentes químicos que são seletivamente destrutivos para células e tecidos malignos) em pacientes sendo tratados de câncer, a evidência para a seu uso em mulheres com câncer de mama não foi apurada. O objetivo dessa revisão sistemática foi avaliar a efetividade e segurança de EMC em aliviar efeitos colaterais de curto prazo induzidos por quimioterapia tanto em mulheres em tratamento quimioterápico quanto que tenham sido submetidas à quimioterapia recentemente. Efeitos colaterais de curto prazo são aqueles que ocorrem durante o curso do tratamento e geralmente resolvem dentro de meses após a conclusão da terapia e afetam até 60% dos patients. Eles incluem náuseas e vômitos, mucosite (inflamação das membranas mucosas que revestem o trato digestivo desde a boca até o ânus causada pela quimioterapia); neutropenia (uma diminuição de células brancas do sangue causada pela quimioterapia); mielossupressão (uma condição em que a atividade da medula óssea é diminuída, resultando em poucos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas), e fadiga (cansaço e perda de energia). Essa revisão encontrou sete estudos randomizados, envolvendo 542 pacientes, abordando essa questão. Estes estudos utilizaram seis diferentes remédios herbais para tratar os efeitos colaterais de quimioterapia, todos utilizaram EMC mais quimioterapia como a intervenção comparado com a apenas quimioterapia. Os resultados sugerem que o uso de ervas chinesas em conjunto com a quimioterapia ou EMC sozinhas pode ser benéfico em termos de melhoria na supressão da medula e sistema imunológico, e pode melhorar a qualidade de vida no geral. No entanto, mais estudos são necessários antes que os efeitos da Medicina Tradicional Chinesa para pessoas com câncer de mama possa ser avaliada com real confiança. Não houve evidência de quaisquer danos de EMC.

Conclusão dos autores: 

Essa revisão fornece evidências limitadas sobre a efetividade e segurança de ervas medicinais chinesas no alívio dos efeitos colaterais de curto prazo induzidos por quimioterapia. Ervas medicinais chinesas, quando utilizadas em associação com quimioterapia, podem oferecer algum benefício para pacientes com câncer de mama em termos de melhorias na medula óssea e na qualidade de vida, mas as evidências são muito limitadas para tirar conclusões confiáveis. Ensaios clínicos bem desenhados são necessários antes que quaisquer conclusões possam ser tiradas sobre a eficácia e segurança de EMC no manejo de pacientes com câncer de mama.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Efeitos colaterais de curto prazo da quimioterapia incluem fadiga, náusea, vômitos, mucosite e mielossupressão ou neutropenia. Estes ocorrem durante o curso do tratamento e geralmente resolvem dentro de meses após o término da quimioterapia. Múltiplas ervas medicinais chinesas tem sido utilizada para manejo desses efeitos colaterais.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e segurança de ervas medicinais chinesas no alívio dos efeitos colaterais de curto prazo induzidos pela quimioterapia em pacientes com câncer de mama.

Estratégia de busca: 

Buscamos em The Cochrane Breast Cancer Specialised Register (15/02/2007), The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL); (The Cochrane Library 2006, Edição 4); MEDLINE (1966 até Dezembro 2006); EMBASE (1990 até Dezembro 2006); e Chinese Biomedical Literature (2006, Edição 4). Uma série de revistas foram buscadas manualmente.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados comparando quimioterapia com ou sem ervas chinesas em mulheres com câncer de mama.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores independentemente extraíram os dados, que foram analisadas usando RevMan 4.2. Para dados dicotômicos, estimamos o risco relativo. Para os dados contínuos, calculamos a diferença de média ponderada.

Resultados principais: 

Identificamos sete ensaios clínicos randomizados envolvendo 542 pacientes com câncer de mama em tratamento quimioterápico ou que tenham sido submetidos à quimioterapia recentemente. Todos os estudos foram conduzidos e publicados na China. Os resultados não foram reunidos porque poucos estudos foram identificados e não mais de dois usaram a mesma intervenção. Todos eram de baixa qualidade e usavam EMC associada à quimioterapia em comparação com quimioterapia apenas.

EMC combinada com quimioterapia não apresentou nenhuma diferença estatisticamente significante para os resultados de flebite e alopecia. Somente um estudo apresentou uma melhoria em náusea, vômito e fadiga. Três indicaram uma melhoria na células brancas no grupo recebendo EMC. Dois mostraram um aumento em variações percentuais em subconjuntos de linfócitos T CD4 e CD8. Um estudo mostrou uma diferença estatisticamente significante para EMC em variações percentuais em subconjuntos de linfócitos T CD3, CD4 e CD8. Dois compostos à base de plantas podem ter melhorado a qualidade de vida. Um estudo relatou que EMC podem ter algum efeito na redução da toxicidade no fígado e nos rins, mas as diferenças não foram estatisticamente significantes.

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD004921.pub2

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