Valproato na mania em fase aguda

Principais conclusões: O valproato é um tratamento antimaníaco eficaz. O valproato pode ser inferior à olanzapina em adultos. O valproato pode ser inferior à risperidona na mania em fase aguda na população pediátrica e adolescentes.

A quem poderá interessar esta revisão?
Indivíduos com perturbação bipolar e os seus prestadores de cuidados de saúde.

O que torna esta revisão importante?
A perturbação bipolar é uma perturbação do humor que constitui um problema de saúde mental comum. Os pacientes podem experienciar sintomas recorrentes de humor elevado ou irritável, depressão, ou uma combinação de ambos. O tratamento passa geralmente pela instituição de medicação psiquiátrica, incluindo estabilizadores do humor, antidepressivos e antipsicóticos. O valproato é um fármaco tradicionalmente utilizado no tratamento da mania, mas a sua eficácia em comparação com alguns dos antipsicóticos mais recentes ainda não está firmemente estabelecida.

A que questões é que esta revisão pretende responder?
Esta revisão investiga a eficácia e aceitabilidade do valproato em comparação com placebo e com outros fármacos no tratamento de episódios maníacos agudos na doença bipolar.

Quais foram os estudos incluídos nesta revisão?
Os autores pesquisaram em bases de dados médicas ensaios clínicos (especificamente ensaios controlados aleatorizados) publicados até à data. Identificámos como relevantes 25 estudos, que envolveram 3252 participantes. Os estudos compararam os efeitos do valproato com placebo ou com outros fármacos convencionais, tanto em monoterapia como em combinação com outros tratamentos.

O que é que a evidência desta revisão nos diz?

Encontrámos evidência de elevada qualidade que mostra que o valproato é mais eficaz do que o placebo quando usado em monoterapia em adultos. Existe evidência contraditória na comparação da olanzapina com o valproato. Evidência de baixa qualidade reporta que não há diferença na taxa de resposta da terapêutica com olanzapina em comparação com a toma de valproato. Contudo, evidência de elevada qualidade sugere que a olanzapina é superior na redução de sintomas maníacos. Isto sugere que a olanzapina pode ser mais eficaz. Evidência de qualidade moderada revela a inexistência de diferenças nas taxas de resposta da terapêutica com lítio e valproato. Não há evidência suficiente para estabelecer com segurança qualquer diferença entre o uso de valproato e outra terapêutica antimaníaca em adultos.

Em crianças e adolescentes, encontrámos evidência de baixa qualidade que demonstra que o valproato é inferior à risperidona. A evidência é de qualidade insuficiente para estabelecer com segurança qualquer diferença entre o uso de valproato e outra terapêutica antimaníaca em crianças e adolescentes.

Em termos de tolerabilidade em adultos, há evidência de qualidade moderada que demonstra que o valproato causa mais efeitos secundários que o placebo e evidência de baixa qualidade que refere mais efeitos secundários que a oxcarbazepina. Há evidência de baixa qualidade que refere que o valproato pode causar menos efeitos secundários que a carbamazepina. Evidência de baixa qualidade refere não existir diferença entre o número de indivíduos com efeitos secundários com a toma de valproato em comparação com o uso de lítio. Não há evidência suficiente para estabelecer com segurança qualquer diferença entre o uso de valproato e outra terapêutica antimaníaca em adultos.

Em crianças e adolescentes, evidência de muito baixa qualidade não estabeleceu qualquer diferença entre o número de indivíduos com efeitos secundários com a toma de valproato em comparação com a utilização de placebo.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Nádia Almeida Barradas, Serviço de Pedopsiquiatria, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal.

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