Antibióticos para evitar infecção em casos de fratura exposta

As infecções da ferida e do osso são complicações comuns em pessoas que têm uma fratura exposta dos membros. Nos países desenvolvidos, há mais de 20 anos se usa antibiótico como parte do tratamento habitual desses casos. Além do antibiótico, esses casos são tratados com lavagem da ferida (irrigação), limpeza cirúrgica da ferida e da fratura (chamada de desbridamento cirúrgico) e imobilização da fratura, conforme necessário. Esta revisão sistemática, que incluiu dados de 1.106 pessoas que participaram de oito estudos, concluiu que os antibióticos são eficazes na redução da incidência de infecções de feridas, em comparação com nenhum antibiótico ou placebo. Não foram identificados estudos que avaliaram infecção óssea ou problemas de saúde a longo prazo (morbidade).

Conclusão dos autores: 

Os antibióticos reduzem a incidência de infecções precoces em fraturas expostas dos membros. Nos países de alta e média renda, não há justificativa para a realização de mais ensaios clínicos randomizados sobre essa questão, com exceção dos casos de fraturas expostas dos dedos das mãos. Nos países que não usam antibióticos de rotina nos casos de fratura exposta, mais pesquisas são necessárias para avaliar o peso da morbidade evitável decorrente dessa conduta.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As infecções das feridas e dos ossos são frequentemente associadas com fraturas expostas das extremidades e podem aumentar significativamente a morbidade. Nos países desenvolvidos, os antibióticos fazem parte da assistência habitual para esses casos, como parte de um protocolo que também inclui irrigação, desbridamento cirúrgico e imobilização, quando indicada. Acredita-se que o uso de antibióticos reduz a frequência de infecções.

Objetivos: 

Revisar as evidências sobre a efetividade dos antibióticos no tratamento inicial de fraturas expostas de membros.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados: Cochrane Bone, Joint and Muscle Trauma Group Specialised Register (26 julho de 2009), Clinical Trials (The Cochrane Library 2009, edição 3), MEDLINE (1950 a julho de 2009), EMBASE (1980 a 2009, semana 30), LILACS (1992 a julho de 2009), International Pharmaceutical Abstracts (1970 a julho de 2009), e listas de referências de artigos. Realizamos busca manual por resumos de estudos apresentados nos anais das seguintes sociedades: American Academy of Orthopaedic Surgeons (1980 a 2001), Orthopaedic Trauma Association (1990 a 2001) e Société Internationale de Chirurgie Orthopedique et Traumatologique, SICOT (1980 a 2001). Fizemos contato com pesquisadores que tinham publicações sobre o tema.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados ou quasi randomizados controlados, que preenchessem os seguintes critérios: participantes — pessoas de qualquer idade com fratura exposta nos membros; intervenção — antibiótico administrado antes ou no momento do tratamento primário da fratura exposta em comparação com placebo ou nenhum antibiótico; desfechos — infecção precoce da ferida, drenagem crônica, osteomielite aguda ou crônica, consolidação tardia ou ausência de consolidação amputações e mortes.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores fizeram o rastreamento das citações para possível inclusão, extraíram os dados dos estudos incluídos e analisaram a qualidade desses estudos utilizando uma escala com oito itens. Esse processo foi feito de forma independente pelos dois autores. Três autores de ensaios clínicos forneceram informações adicionais. Os dados obtidos foram apresentados graficamente.

Resultados principais: 

Foram analisados dados de 1.106 participantes incluídos em oito estudos. O uso de antibióticos teve efeito protetor contra a infecção precoce em comparação com não dar antibióticos ou placebo (razão de risco de 0,43, com intervalo de confiança de 95%, 95% CI, de 0,29-0,65); redução do risco absoluto de 0,07 (95% CI de 0,03 a 0,10). Não foi possível avaliar os outros desfechos devido à falta de dados nos estudos incluídos.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Igor Guerra Cheloni)

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