O efeito da quimioterapia na sobrevida do câncer de útero inicial após histerectomia

O câncer é uma doença relativamente comum que afeta cerca de uma em cada 70 mulheres. A histerectomia é normalmente curativa porque a maioria dos cânceres têm um baixo risco de se espalhar (com metástases) para outras partes o que podria levar a futuras recidivas. O exame com microscópio do útero removido durante a cirurgia pode mostrar aos médicos se existe um risco alto de o câncer voltar e isso permite que as mulheres possam decidir se elas querem um tratamento futuro preventivo (terapia adjuvante) para reduzir esse risco. A quimioterapia pode aumentar as taxas de cura para outros tipos de câncer de alto risco após a cirurgia inicial e essa revisão examinou a eficácia da quimioterapia para o câncer de útero primário após a histerectomia. Dados de nove ensaios clínicos randomizados de alta qualidade envolvendo um total de 2197 mulheres foram avaliados através de metanálises (um método estatístico). O resultado indica que a quimioterapia reduz o risco da recidiva da doença, aumenta a duração de tempo que as mulheres têm até que uma metástase seja diagnosticada e aumenta a taxa de sobrevida. Existem várias formas de examinar esses dados. A análise que excluiu os estudos que usavam drogas antigas sugere que a quimioterapia mais moderna reduz em até um quaro o risco de mortalidade em qualquer momento. O número de mulheres que possivelmente precisaria de quimioterapia para prevenir uma morte depende do tipo de câncer. De acordo com os estudos incluídos nessa revisão, seria necessário tratar 25 mulheres com altas doses de quimioterapia com platina após a histerectomia, para que uma mulher fosse curada desse tipo de câncer. Isso significa uma redução de risco absoluto de 5%. A quimioterapia é melhor do que a radioterapia quanto à sobrevida e tem um maior valor quando usada junto com a radioterapia. A quimioterapia adjuvante também parece reduzir o risco absoluto de desenvolver uma recidiva fora da pélvis em até 5%. Isso significa que para evitar esse problema, seria necessário tratar 20 mulheres com quimioterapia para que uma fosse beneficiada. Entretanto, a quimioterapia tem efeitos colaterais, riscos e reduz a qualidade de vida da mulher temporariamente. Em muitos casos, a pequena redução no risco da recorrência do câncer pode não valer a pena considerando os efeitos colaterais do tratamento adjuvante.

Conclusão dos autores: 

A quimioterapia pós-operatória com platina está associada a um pequeno benefício na sobrevida livre de progressão e na sobrevida geral independente do tratamento de radioterapia. A quimioterapia adjuvante reduz o risco de desenvolver metástases, pode ser uma alternativa para a radioterapia e tem um valor adicional quando utilizada juntamente com a radioterapia.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O adenocarcinoma endometrial (câncer de útero) é um crescimento maligno do revestimento (endométrio) do útero. Ele é um tipo de tumor diferente dos sarcomas (tumores da musculatura uterina). A sobrevida das pacientes com esse tipo de câncer está diretamente relacionada ao desenvolvimento de metástases microscópicas após a cirurgia. A quimioterapia adjuvante (pós-operatória) melhora a sobrevida de outros adenocarcinomas, e existem evidências indicando que o câncer endometrial seria sensível as terapias citotóxicas. Essa revisão sistemática examina os efeitos da quimioterapia na sobrevida de pacientes submetidas a histerectomia para câncer endometrial.

Objetivos: 

Avaliar a eficácia da quimioterapia adjuvante (pós-operatória) no câncer endometrial.

Estratégia de busca: 

Foi realizada uma busca na Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library 2010, volume 3), MEDLINE e EMBASE até Agosto de 2010, nos registros de ensaios clínicos, nos livros de resumos de congressos científicos, na lista de referência dos estudos incluídos e especialistas da área foram contactados.

Critérios de seleção: 

Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) que comparam quimioterapia adjuvante com qualquer outro tratamento adjuvante ou nenhum outro tratamento.

Coleta dos dados e análises: 

Avaliamos os hazard ratios (HR) para sobrevida total e sobrevida livre de progressão e os risk ratios (RR) para comparar as taxas de morte e local de recidiva inicial, agrupados através de meta-análises de efeitos randômicos.

Resultados principais: 

Cinco ECRs compararam quimioterapia adicional versus nenhum tratamento adicional em pacientes submetidas à histerectomia e radioterapia. A combinação geral dos dados de sobrevida de 2197 mulheres indicam um aumento significativo de sobrevida em geral para o grupo que recebeu quimioterapia adjuvante (RR = 0.88 , IC95% 0.79 – 0.99)). A análise de sensibilidade os estudos que usaram regimes modernos de quimioterapia com platina encontrou um risco relativo de morte de 0.85 (IC 95% 0.76 – 0.96); número necessário para tratar para desfecho benéfico adicional (NNT) = 25; redução de risco absoluto = 4% (IC95% 1% - 8%). O HR para sobrevida em geral foi de 0.74 (IC95% 0.64 – 0.89), significativamente a favor do uso de quimioterapia pós-operatória com platina. O HR para sobrevida livre de progressão foi de 0.75 (IC95% 0.64-0.89). Isso significa que a quimioterapia reduz o risco de morte em até um quarto. A quimioterapia reduz o risco de desenvolver a primeira recidiva fora da pelve (RR = 0.79 (IC95% 0.68-0.92), e o risco absoluto em 5% ( NNT= 20). A análise da taxa de recidivas na pelve não teve poder estatístico, mas a tendência encontrada sugere que a quimioterapia pode ser menos efetiva do que a radioterapia quando estas modalidades de tratamento são comparadas diretamente (RR = 1.28 , IC95% 0.97-1.68) porém a quimioterapia pode ser útil quando utilizada junto com a radioterapia (RR= 0.48, IC95% (0.20 – 1.18)).

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