Programas de educação parental para pais adolescentes e seus filhos

Os adolescentes que se tornam pais enfrentam uma serie de problemas. Esses adolescentes frequentemente vêm de meios muito carentes, podem ter vários problemas de saúde mental e não ter apoio social. Além disso, esses adolescentes frequentemente não têm conhecimento sobre o desenvolvimento infantil e habilidades parentais efetivas, e eles também têm suas próprias necessidades de desenvolvimento. Por todos esses motivos, é comum os filhos de pais adolescentes terem maior probabilidade de terem desfechos adversos.

Uma serie de intervenções são usadas para promover o bem-estar de pais adolescentes e seus filhos. Pesquisas já mostraram que os programas de educação parental melhoram a saúde psicossocial dos pais em geral, reduzindo sua ansiedade e depressão, e melhorando sua autoestima. Além disso, os programas de educação parental também melhoram uma serie de desfechos relacionados ao desenvolvimento das crianças. Esta revisão investigou o impacto dos programas de educação parental dirigidos especificamente para pais adolescentes sobre desfechos relacionados a eles próprios e seus filhos.

Os resultados desta revisão são baseados em oito estudos que mediram vários desfechos, usando uma gama de medidas padronizadas. Conseguimos combinar os resultados (fazer metanálises) para nove comparações. Quatro destas metanálises indicam que os programas de educação parental podem melhorar a capacidade de resposta parental aos filhos, e a interação pai-filho, tanto na avaliação feita imediatamente após a intervenção como no seguimento feito algum tempo depois. A resposta da criança à mãe também melhorou na avaliação feita no seguimento depois da intervenção. Os resultados das outras cinco metanálises não foram conclusivos.

São necessárias mais pesquisas rigorosas e que acompanhem as crianças de pais adolescentes no curto e no longo-prazo. Também são necessárias pesquisas que avaliam os benefícios desses programas para os pais (meninos), assim como para as mães (meninas) adolescentes.

Conclusão dos autores: 

As conclusões da revisão foram limitadas devido às diversas medidas usadas, diferenças nas populações e intervenções e ao risco de viés dos estudos incluídos. Existe alguma evidência sugerindo que os programas de educação parental podem ser efetivos na melhoria de diversos aspectos da interação pai-filho tanto no curto como no longo prazo. Porém, mais pesquisas são necessárias.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Os programas de educação parental são intervenções potencialmente importantes para apoiar pais adolescentes e para melhorar os desfechos dos seus filhos. O apoio aos pais é uma prioridade em muitos países ocidentais. Esta é uma atualização de uma revisão publicada em 2001.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade dos programas de educação parental para melhorar os desfechos psicossociais dos pais adolescentes e os desfechos de desenvolvimento dos seus filhos.

Estratégia de busca: 

Para esta atualização, fizemos buscas por novos estudos nas seguintes bases de dados em janeiro de 2008 e maio de 2010: CENTRAL, MEDLINE, EMBASE, ASSIA, CINAHL, DARE, ERIC, PsycINFO, Sociological Abstracts e Social Science Citation Index. Também fizemos buscas no National Research Register (NRR) em maio de 2005, e no UK Clinical Research Network Portfolio Database em maio de 2010.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados controlados que avaliaram intervenções de curta duração de educação parental especificamente focadas em pais adolescentes versus um grupo controle (sem-tratamento, lista de espera ou tratamento habitual).

Coleta dos dados e análises: 

Avaliamos o risco de viés de cada estudo. Padronizamos o efeito do tratamento para cada desfecho em cada estudo dividindo a diferença média nas pontuações pós-intervenção entre o grupo intervenção e controle pelo desvio padrão combinado.

Resultados principais: 

Incluímos oito estudos com 513 participantes. Juntos, esses estudos forneceram um total de 47 comparações de desfechos entre grupos de intervenção e controle. Ao todo, 19 dessas comparações foram estatisticamente significativas, todas a favor do grupo intervenção. Realizamos nove metanálises usando os dados de quatro estudos no total (cada metanálise incluía dados de dois estudos). Quatro metanálises mostraram resultados estatisticamente significantes a favor do grupo intervenção para os seguintes desfechos: Capacidade de resposta dos pais aos filhos pós-intervenção (SMD -0,91, IC 95% -1,52 a -0,30, P=0,04); Capacidade de resposta da criança à mãe no seguimento (SMD -0,65, IC 95% -1,25 a -0,06, P= 0,03); e medidas gerais de interações pais-filhos pós-intervenção (SMD -0,71, IC 95% -1,31 a -0,11, P= 0,02), e no seguimento (SMD -0,90, IC 95% -1,51 a -0,30, P= 0,004). Os resultados das outras cinco metanálises não foram conclusivos.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane South Africa e Cochrane Africa em parceria com o Cochrane Brazil (Geoffrey Dama Caetano Madeira e Solange Durão). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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