Quimioterapia e radioterapia concomitantes reduzem o risco de morte em dois anos comparado com quimioterapia e radioterapia sequencial ou radioterapia exclusiva em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estadio III

O uso de quimioterapia concomitante a radioterapia em câncer de pulmão localmente avançado deve aumentar os benefícios da radioterapia em termos de controle local e regional e assim melhorar a sobrevida. Um total de vinte e cinco estudos randomizados (incluindo 3752 pacientes) foram incluídos nesta revisão de atualização: dezenove ensaios clínicos (2728 pacientes) comparando quimioterapia e radioterapia concomitantes com radioterapia exclusiva e seis ensaios clínicos comparando concomitante versus quimioterapia e radioterapia sequencial. Ambos as comparações demonstraram redução significativa no risco de morte com o uso de quimio e radioterapia concomitantes, com aumento associado da incidência de esofagite aguda.

Conclusão dos autores: 

Esta atualização de revisões publicadas em 2004 incorpora ensaios clínicos adicionais e mais dados maduros. Isto demonstra o benefício da quimioterapia e radioterpia concomitantes sobre a radioterapia exclusiva ou quimioterapia e radioterapia sequencial. seleção de pacientes é uma consideração importante em vista da toxicidade do tratamento concomitante. Incertezas permancem até que ponto isto é puramente devido a um efeito radiossensível e se benefícios semelhantes poderiam ser alcançados usando técnicas de radioterapia moderna e mais regimes radioterápicos de hiperfracionamento e/ou aceleramento intenso de dose.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Esta é uma versão de atualização da versão original publicada na edição 4,2004O uso de quimioterapia e radioterapia concomitantes em câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) deve ser visto como um modo de aumentar a efetividade da radioterapia radical no mesmo tempo que reduz o risco de doença metastática.

Objetivos: 

Para determinar a efetividade de quimioterapia e radioterapia concomitantes como comparação com radioterapia exclusiva com relação a sobrevida global, controle tumoral e morbidade relacionada ao tratamento. Para determinar a eficácia de quimioterapia e radioterapia concomitante versus sequencial.

Estratégia de busca: 

Para esta atualização nós fizemos uma nova pesquisa em outubro de 2009, usando uma estratégia de busca atualizada da revisão original. Nós pesquisamos: CENTRAL ( acesso através da biblioteca da Cochrane, 2009, edição 4), MEDLINE ( acesso através Pubmed),e EMBASE (acesso através do Ovid).

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados de pacientes com CPNPC estadio I-III submetidos a radioterapia radical e randomizados para receber quimioterapia e radioterapia concomitantes versus radioterapia exclusiva, ou concomitante versus quimioterapia e radioterapia sequencial.

Coleta dos dados e análises: 

Seleção de estudos, extração de dados e avaliação de risco de viés foi avaliado independentemente por dois autores. Hazard Ratio e risco relativo foram calculados de acordo com modelo de efeito randômico.

Resultados principais: 

Dezenove estudos randomizados (2728 participantes) de quimioterapia e radioterapia concomitantes versus radioterapia exclusiva foram incluídos. Quimioterapia e radioterapia concomitantes reduziram o risco global de morte ( HR 0.71, 95% IC 0.64 a 0.80; I2 0%; 1607 participantes) e sobrevida livre de progressão global de qualquer sítio (HR 0.69, 95% IC 0.58 A 0.81; I2 45%; 1145 participantes).Incidência de esofagite aguda, neutropenia e anemia foram significativamente aumentados com quimioterapia e radioterapia concomitantes.Seis ensaios clínicos (1024 pacientes) de quimioterapia e radioterapia concomitantes versus sequencial foram incluídos. Um benefício significante do tratamento concomitante foi mostrado na sobrevida global (HR 0.74, 95% IC 0.62 a 0.89; I2 0%; 702 participantes).Isto representa um benefício de 10% de sobrevida absoluto em 2 anos. Mais mortes relacionadas ao tratamento (4% vs 2%) foram registrados no braço da concomitância sem significância estatística (RR 2.02, 95% IC 0.90 a 4.52; I2 0%; 950 participantes).Houve aumento de esofagite severa com tratamento concomitante (RR 4.96, 95% IC 2.17 a 11.37; I2 66%; 947 participantes).

Notas de tradução: 

Traduzido por:Cristiano de Pádua Souza, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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