Fornecimento de informações para pacientes com Acidente Vascular Cerebral e seus cuidadores

Estudos têm mostrado que os sobreviventes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e seus cuidadores, muitas vezes relatam que não receberam informações suficientes sobre o AVC e se sentem despreparados para a vida após a alta hospitalar. No entanto, a melhor maneira de fornecer informações após o AVC não está clara. Os autores desta revisão pesquisaram as evidências sobre efetividade em fornecer informações aos pacientes ou cuidadores de pacientes que tiveram AVC ou ataque isquêmico transitório (AIT), às vezes chamado de mini-AVC. Foram avaliados ensaios clínicos randomizados em que um grupo de pacientes com AVC ou cuidadores receberam a intervenção a ser testada (como um ciclo de palestras) comparado com um grupo de pacientes com AVC ou cuidadores que receberam o tratamento padrão. Vinte e um estudos, envolvendo 2.289 pacientes e 1.290 cuidadores, foram incluídos nesta revisão atualizada. Em geral, os estudos mostraram que o fornecimento de informações aos pacientes e cuidadores melhoraram seu conhecimento sobre o AVC e aumentou a satisfação do paciente com algumas, mas não todas, as informações que receberam sobre o AVC. Houve também um efeito na redução da depressão do paciente, embora a redução foi pequena e pode não ser suficiente para os pacientes. Quando a informação foi fornecida de maneira mais ativa aos pacientes e cuidadores, por exemplo, oferecendo repetidas oportunidades para fazer perguntas, tiveram mais efeito sobre o humor do paciente do que a informação que foi dada em apenas uma ocasião. Não há muitas evidências de que o fornecimento de informações teve efeitos sobre outros aspectos do paciente ou cuidador como por exemplo na independência ou atividades sociais.

Conclusão dos autores: 

Há evidências de que a informação melhora o conhecimento do paciente e cuidador de AVC, a satisfação do paciente, e reduz as pontuações na depressão do paciente. No entanto, a redução nas pontuações de depressão foi pequena e pode não ser clinicamente significante. Embora a melhor maneira de fornecer informações ainda não está claro, há algumas evidências de que estratégicas que envolvam ativamente os pacientes e cuidadores, e incluem um acompanhamento planejado para esclarecimento e reforço da informação tem efeito maior sobre o humor do paciente.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Pesquisas mostram que pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) e seus familiares estão insatisfeitos com as informações fornecidas e tem uma baixa compreensão do AVC e seus problemas associados.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade das estratégias de informações fornecidas para melhorar o desfecho de pacientes com AVC ou seus cuidadores, ou ambos.

Estratégia de busca: 

Para essa atualização foi realizada uma busca na the Cochrane Stroke Group Trials Register (Junho de 2012), the Cochrane Central Register of Controlled trials (CENTRAL), Cochrane Database of Systematic Reviews (CDSR), Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE), NHS Economic Evaluation Database (EED), e a Health Technology Assessment (HTA) Database(The Cochrane Library Junho, 2012), MEDLINE (1966 à Junho de 2012), EMBASE (1980 à Junho de 2012), CINAHL (1982 à Junho de 2012) e PsycINFO (1974 à Junho de 2012). Nós também procuramos em registros de ensaios clínicos em andamento, bibliografias de artigos e livros relevantes e contato com pesquisadores.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados envolvendo pacientes ou cuidadores de pacientes com diagnóstico clínico de AVC ou ataque isquêmico transitório (AIT) em que uma intervenção por informação foi comparada com tratamento padrão, ou onde informação ou outra terapia foram comparadas com outra terapia isoladamente.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores independentemente avaliaram a elegibilidade, qualidade metodológica e extraíram dados dos estudos. Os desfechos primários foram o conhecimento sobre o AVC, serviços de AVC, e impacto sobre o humor.

Resultados principais: 

Foram incluídos quatro novos ensaios clínicos para essa atualização. Esta revisão agora inclui 21 ensaios clínicos envolvendo 2.289 pacientes e 1.290 cuidadores. Nove ensaios clínicos avaliaram a intervenção com informação passiva e 12 ensaios clínicos analisaram intervenção com informação ativa. As meta-análises mostraram um significante efeito a favor da intervenção sobre conhecimento do paciente (diferença de média padronizada (DMP) 0,29, 95% intervalo de confiança (IC) 0,12 a 0,46, P < 0.001), conhecimento do cuidador (DMP 0,74, 95% IC 0,06 a 1,43, P = 0.03), um aspecto da satisfação do paciente (razão de chance (RC) 2,07, 95% IC 1,33 a 3,23, P = 0.001), e pontuações na depressão do paciente (diferença de média (DM) -0,52, 95% IC -0.93 a -0.10, P = 0.01). Não houve efeito significante (P > 0.05) no número de casos de ansiedade ou depressão em pacientes, humor ou satisfação dos cuidadores, ou morte. Análises qualitativas não encontraram fortes evidências de um efeito sobre outros desfechos. Análises de subgrupos mostraram que a informação ativa teve um efeito significativo maior do que as informações passivas sobre o humor do paciente, mas não em outros resultados.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Gustavo José Luvizutto, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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