Fisioterapia respiratória comparada com nenhuma fisioterapia respiratória para pessoas com fibrose cística

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Os pulmões de pessoas com fibrose cística produzem excesso de muco. Isso leva a infecções de repetição e dano aos pulmões. É importante limpar o muco por meio de remédios e de fisioterapia respiratória. A fisioterapia limpa o muco usando varias técnicas ou com dispositivos mecânicos ou ambos. A realização de fisioterapia diária toma muito tempo e dá trabalho. Pesquisamos estudos controlados randomizados ou quasi-randomizados e incluímos oito na revisão. Todos os estudos eram muito diferentes e alguns avaliariam vários tratamentos ao mesmo tempo; portanto, não pudemos realizar qualquer análise estatística dos resultados. Resumindo os resultados desses oito estudos, verificamos que os métodos de limpeza das vias aéreas trazem benefícios de curto prazo na remoção do muco. Três estudos mediram o escarro que havia sido expelido pela tosse, e encontraram uma quantidade maior com a fisioterapia respiratória. Quatro estudos mediram essa eliminação do muco por meio de um marcador radioativo e verificaram que a fisioterapia respiratória consegue fazer uma limpeza maior. Apenas um estudo relatou melhora da função pulmonar em alguns dos grupos de tratamento; mas três outros estudos que analisaram esse desfecho não encontraram nenhum efeito significativo da fisioterapia respiratória. No momento, não há nenhuma evidência clara de efeitos a longo prazo da fisioterapia respiratória na eliminação do muco pulmonar, na qualidade de vida ou na sobrevivência das pessoas com fibrose cística.

Conclusão dos autores: 

Os resultados desta revisão mostram que técnicas de limpeza das vias aéreas têm efeitos de curto prazo em termos de mobilizar o muco. Não foram encontradas evidências para formular conclusões sobre os efeitos a longo prazo.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A fisioterapia respiratória é amplamente utilizada em pessoas com fibrose cística para limpar o muco das vias respiratórias.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e aceitabilidade da fisioterapia respiratória, em comparação com nenhum tratamento ou o esforço de tosse voluntária, para melhorar a eliminação de muco em pessoas com fibrose cística.

Estratégia de busca: 

Nós fizemos a busca no Cochrane Cystic Fibrosis and Genetic Disorders Group Trials Register, que inclui referências identificadas a partir de pesquisas abrangentes em banco de dados eletrônico e busca manual em revistas e anais de conferências relevantes.

Data da mais recente pesquisa no Group's Cystic Fibrosis Trials Register: 4 de fevereiro de 2013.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados em que uma forma de fisioterapia respiratória (técnica de limpeza das vias respiratórias) foi comparada com nenhum tratamento fisioterápico ou somente com tosse estimulada, em pessoas com fibrose cística.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram independentemente a elegibilidade dos ensaios clínicos, extraíram os dados e realizaram a avaliação de qualidade dos estudos incluídos. Houve heterogeneidade nos desfechos publicados e essas diferenças na forma de relatar os resultados impossibilitaram o agrupamento de dados em metanálise.

Resultados principais: 

As buscas identificaram 144 estudos, dos quais oito eram do tipo cross-over (dados de 96 participantes) e preencheram os critérios de inclusão. Houve diferenças entre os estudos quanto à maneira com que as intervenções foram realizadas, sendo que vários grupos de intervenção receberam mais de uma modalidade de tratamento. Um estudo examinou a drenagem autógena, seis avaliaram a fisioterapia respiratória convencional, três estudaram a pressão expiratória positiva oscilante, sete analisaram a pressão expiratória positiva e um avaliou a pressão expiratória positiva de alta pressão. Dos oito estudos, seis eram sobre tratamento único e em dois, a intervenção terapêutica foi realizada durante dois dias consecutivos (uma vez por dia em um, duas vezes por dia no outro). A grande heterogeneidade nas intervenções de tratamento impediu que qualquer metanálise fosse realizada.

Quatro estudos, envolvendo 28 participantes, relataram que houve maior quantidade de secreções expectoradas durante a fisioterapia respiratória do que no grupo controle. Um estudo, envolvendo 18 participantes, não relatou diferenças significativas no peso do escarro. Cinco estudos usaram um marcador radioativo da eliminação do escarro, que foi usado como desfecho. Três desses estudos (28 participantes) relataram que a fisioterapia respiratória, incluindo a tosse, aumentou a eliminação do marcador radioativo em comparação com o período de controle. Um estudo (12 participantes) relatou que todas as intervenções, em comparação com o grupo controle, aumentaram a eliminação do marcador radioativo, porém a diferença só foi significativa para drenagem postural com percussão e vibrações. O último estudo (oito participantes) não relatou nenhuma diferença significativa na depuração do marcador radioativo entre a fisioterapia respiratória, sem tosse, em comparação com o período de controle. Três estudos, envolvendo 42 participantes, não relataram nenhum efeito significativo sobre as variáveis de função pulmonar após intervenção; mas um estudo adicional relatou melhoria significativa da função pulmonar após a intervenção em alguns dos grupos de tratamento.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Débora de Almeida Silva Faria)

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