Os coloides são mais efetivos do que cristaloides na redução da mortalidade em pessoas que estão gravemente doentes ou feridas?

Essa tradução não está atualizada. Por favor clique aqui para ver a versão mais recente em inglês desta revisão.

Traumas, queimaduras ou cirurgias podem levar as pessoas a perder grandes quantidades de sangue. A reposição de líquidos, ofertando-os por via intravenosa (na veia) para substituir o sangue perdido, é utilizada para tentar manter a pressão arterial e reduzir o risco de morrer. São usados produtos derivados do sangue, produtos não derivados do sangue ou combinações, incluindo soluções coloides ou cristaloides. Os coloides são cada vez mais usados, mas eles são mais caros do que cristaloides. Esta revisão de ensaios clínicos não encontrou nenhuma evidência de que os coloides, em comparação com cristaloides, reduzem o risco de morrer. Ela mostrou ainda que um tipo de coloide (amido) pode aumentar o risco de morte.

Conclusão dos autores: 

Com base nos ensaios clínicos randomizados, não há evidências de que a reposição volêmica com coloides, em comparação com a reposição com cristaloides, reduz o risco de morte em pacientes com trauma, queimaduras ou após cirurgias. Além disso, a utilização de hidroxietilamido pode aumentar a mortalidade. Uma vez que os coloides não melhoram a sobrevida e são consideravelmente mais caros do que cristaloides, é difícil justificar por que seu uso na prática clínica deveria continuar.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As soluções coloides são amplamente utilizadas para reposição volêmica em pacientes graves. Existem várias opções de coloides, e há um debate em curso sobre a efetividade relativa dos coloides em comparação com soluções cristaloides.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos dos coloides comparados aos cristaloides na reposição volêmica em paciente graves.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados: Cochrane Injuries Group Specialised Register (17 de Outubro de 2012), Cochrane Central Register of Controlled Trials (Biblioteca Cochrane) (edição 10, de 2012), MEDLINE (Ovid) de 1946 a outubro de 2012, EMBASE (Ovid) de 1980 a outubro 2012, ISI Web of Science: Science Citation Index Expanded (de 1970 a outubro de 2012), ISI Web of Science: Conference Proceedings Citation Index-Science (de 1990 a outubro de 2012), PubMed (outubro de 2012), e os sites www.clinical.trials.gove www.controlled-trials.com. Também realizamos buscas nas referências bibliográficas de estudos relevantes e de artigos de revisão.

Critérios de seleção: 

Incluímos na revisão ensaios clínicos randomizados (ECR) que compararam coloides versus cristaloides, em pacientes que precisavam de reposição volêmica. Excluímos estudos do tipo cross-over e estudos envolvendo grávidas e recém-nascidos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores extraíram independentemente os dados e avaliaram a qualidade do sigilo de alocação. Nós analisamos separadamente os estudos com "dupla-intervenção", como aqueles que compararam coloide em solução cristaloide hipertônica com cristaloide isotônico. Estratificamos a análise de acordo com o tipo de coloide e com a qualidade do sigilo de alocação.

Resultados principais: 

Identificamos 78 estudos elegíveis; 70 deles tinham dados de mortalidade.

Coloides comparados com cristaloides

Albumina ou fração proteica do plasma - 24 estudos relataram dados sobre mortalidade, envolvendo um total de 9.920 pacientes. O risco relativo (RR) combinado desses estudos foi de 1,01 (intervalo de confiança de 95%, 95% CI,0,93-1,10). Quando excluímos o estudo com baixa qualidade de sigilo de alocação, o RR combinado foi 1,00 (95% CI 0,92-1,09). Hidroxietilamido - 25 estudos compararam hidroxietilamido com cristaloides e envolveram 9.147 pacientes. O RR combinado foi 1,10 (95% CI 1,02-1,19). Gelatina modificada - 11 estudos compararam gelatina modificada com cristaloides e envolveram 506 pacientes. O RR combinado foi 0,91 (95% CI 0,49-1,72). (Quando os estudos de Boldt et al. foram removidos das três análises anteriores, os resultados continuaram os mesmos) Dextran - nove estudos, envolvendo 834 pacientes, compararam dextran com cristaloides. O RR combinado foi 1,24 (95% CI 0,94-1,65).

Coloides em solução cristaloide hipertônica comparados com solução cristaloide isotônica

Nove estudos, nos quais 1985 pacientes foram randomizados, compararam dextran em solução cristaloide hipertônica com solução cristaloide isotônica. O RR combinado para mortalidade foi 0,91 (95% CI 0,71-1,06).

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Luis Eduardo Fontes)

Share/Save