O tratamento da tuberculose latente (TB) com isoniazida em pessoas infectadas pelo HIV reduz o risco de desenvolvimento de TB ativa.

A maioria das pessoas infectadas por tuberculose (TB) é assintomática. Isso é chamado de TB latente. Pessoas infectadas pelo HIV ou que têm aids apresentam risco aumentado de adquirir TB e cerca de 30% das pessoas com HIV com TB latente acabarão evoluindo para TB ativa. Isso resulta num aumento no risco de mortalidade precoce. Esta atualização da revisão de ensaios clínicos disponíveis mostrou que o risco de desenvolver TB ativa foi reduzido quando pessoas coinfectadas por HIV e TB utilizaram isoniazida. A isoniazida para tratamento de TB latente é geralmente utilizada por um período de 6 a 12 meses, porém mais estudos são necessários para definir a duração ideal e o melhor regime de tratamento para pessoas com HIV e, principalmente, o melhor esquema de combinação de medicamentos com as drogas antirretrovirais.

Conclusão dos autores: 

O tratamento da tuberculose latente reduz o risco de TB ativa em pessoas infectadas pelo HIV, especialmente naquelas com teste tuberculínico positivo. A escolha do regime terapêutico dependerá de fatores como disponibilidade, custo, efeitos adversos, adesão e resistência medicamentosa. Estudos futuros devem avaliar esses aspectos. Além disso, são necessários estudos que avaliem os efeitos em longo prazo da quimioprofilaxia com medicamentos antituberculosos, a duração ideal da terapia preventiva da TB, a influência do grau de imunocompromentimento na efetividade e a combinação de medicamentos na quimioprofilaxia antituberculosa com a terapia antirretroviral.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) têm risco aumentado de desenvolver tuberculose (TB) ativa. Sabe-se que o tratamento da infecção latente por TB (TBIL), também conhecido como terapia preventiva de TB ou quimioprofilaxia, ajuda a prevenir a progressão da doença para a sua forma ativa em pessoas não infectadas pelo HIV. Entretanto, a extensão e a magnitude da proteção (se existe alguma) associadas à terapia preventiva em pessoas infectadas pelo HIV necessitam ser mensuradas. O presente estudo é uma atualização do artigo de revisão original.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade da terapia preventiva de TB na redução do risco de tuberculose ativa e morte em pessoas infectadas pelo HIV.

Estratégia de busca: 

Esta revisão foi atualizada utilizando-se as bases de dados Cochrane Controlled Trials Register (CCTR), MEDLINE, EMBASE, AIDSLINE, AIDSTRIALS, AIDSearch, NLM Gateway e AIDSDRUGS (publicações de 1 de julho de 2002 a 4 de abril de 2008). Também pesquisamos as listas de referências dos artigos e contatamos os autores e outros pesquisadores da área para identificar estudos adicionais potencialmente elegíveis para inclusão nesta revisão.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados nos quais pessoas infectadas pelo HIV foram alocadas aleatoriamente para terapia preventiva de TB ou placebo, ou para tratamentos alternativos para a prevenção de TB. Os participantes poderiam ter resultado positivo ou negativo para o teste tuberculínico cutâneo, porém não poderiam apresentar tuberculose ativa.

Coleta dos dados e análises: 

Três autores, de modo independente, selecionaram os estudos, avaliaram sua qualidade e extraíram os dados. Os efeitos foram avaliados utilizando-se o risco relativo para dados dicotômicos e diferença de médias para dados contínuos.

Resultados principais: 

Doze estudos foram incluídos, totalizando 8578 participantes randomizados. A terapia preventiva de TB (qualquer medicamento anti-TB) versus placebo foi associada a uma menor incidência de TB ativa (RR = 0,68, 95% CI 0,54 – 0,85). Este benefício foi mais pronunciado em participantes com teste tuberculínico positivo (RR 0,38;95% CI 0,25 – 0,57) do que em participantes com o teste negativo (RR = 0,89, 95% IC 0,64 – 1,24). A eficácia foi similar em todos os regimes (independentemente do tipo de medicamento, frequência ou duração do tratamento). Entretanto, em comparação com a monoterapia com INH (isoniazida), os esquemas de curta duração com mútiplas drogas foram muito mais propensos a levar à descontinuação do tratamento devido aos efeitos adversos. Entre os participantes com teste tuberculínico positivo, houve redução na mortalidade com o uso de monoterapia com INH versus placebo (RR = 0,74, 95% CI 0,55 – 1.00). Também houve redução na mortalidade dos pacientes com teste tuberculínico positivo ou negativo, quando tratados com a combinação de INH e rifampicina, em comparação com o grupo placebo (RR = 0,69, 95% CI 0,50 – 0,95). Apesar disso, de modo geral, não houve evidência de que a terapia preventiva de TB versus placebo tenha reduzido a taxa de mortalidade geral (RR = 0,94, 95% CI 0,85 – 1,05).

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Machline Paganella)

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