Supressão da função ovárica no tratamento de mulheres na pré-menopausa com cancro da mama positivo para receptores hormonais

Qual é o objetivo desta revisão?

O objetivo desta Revisão Cochrane é compreender se, acrescentando a supressão ovárica ao tratamento do cancro da mama em estadios iniciais, se obtém melhora da sobrevida, redução do risco de re-incidência e ainda avaliar a segurança da mesma, nas mulheres pré-menopausa com cancro da mama positivo para receptores hormonais, nos estadios iniciais Os autores da Revisão Cochrane reuniram e analisaram todos os estudos relevantes para esta questão e encontraram um total de 15 estudos.

Mensagens-chave

Acrescentar supressão ovárica ao tratamento, melhorou a sobrevida (as mulheres viveram mais tempo) e reduziu a probabilidade de recorrência do cancro da mama em estadios iniciais, mas a utilização de supressão ovárica parece aumentar o risco de afrontamentos e pode afetar a saúde óssea. A decisão da utilização de SFO (supressão da função ovárica) tem que ser personalizada após a consideração de risco-beneficio individual.

O que foi estudado nesta revisão?

Cerca de 8 em cada 10 mulheres que desenvolvem cancro da mama na pré-menopausa têm um tipo de cancro da mama sensível a hormonas, denominando-se tumores hormono-sensíveis. Para atrasar o crescimento de eventuais células tumorais que restem após cirurgia, a terapêutica hormonal pode ser utilizada para reduzir a disponibilidade de hormona natural - estrogénio - para as células cancerígenas Isto, pode ser efetuado através do bloqueio dos receptores de estrogénio nas células com fármacos como o tamoxifeno; suprimindo a produção de estrogénio por fármacos denominados Agonistas da Hormona libertadora de Hormona Luteinizante (LHRH); ou removendo os ovários através de cirurgia ou ainda diminuindo a sua capacidade de produção hormonal através a utilização de radioterapia.

Esta revisão examinou o papel da supressão da função ovárica (p. ex agonistas da LHRH, anexectomia ou supressão induzida por radiação) em mulheres pré-menopausa com tumores da mama hormono-sensíveis em estadios iniciais. A realização de supressão ovárica como acréscimo a outros tratamentos tem sido alvo de interesse nos últimos cinco anos, desde que se tornaram disponíveis novos dados de ensaios clínicos. Uma revisão sistemática destes dados é necessária para compreender os benefícios em acrescentar a supressão da função ovárica ao tratamento, identificar os efeito secundários da SFO e perceber os efeitos do tratamento no bem-estar geral da mulher (qualidade de vida)

O financiamento para a condução destes estudos foram: o governo (quatro estudos), governo e companhias farmacêuticas (três estudos), governo e organizações sem fins lucrativos (dois estudos), organizações sem fins lucrativos e companhias farmacêuticas (dois estudos) e companhias farmacêuticas em exclusivo (um estudo). Três estudos não reportaram qual a fonte de financiamento.

Quais foram os principais resultados da revisão?

Os autores desta revisão encontraram 15 estudos relevantes, incluindo 11.548 mulheres Para alcançar a SFO, 9 estudos utiliizaram agonistas da LHRH (goserelina foi o fármaco mais usado), 2 estudos utilizaram cirurgia e 4 estudos compreenderam qualquer método de SFO (agonistas da LHRH, cirurgia ou radioterapia). Os agonistas da LHRH foram administrados às mulheres por um período mínimo de 1 ano.

A saúde das mulheres foi monitorizada por um período de, pelo menos, dois anos após o inicio do estudo Alguns estudos monitorizaram mulheres por mais de 12 anos.

Os autores da revisão, encontraram assim que, acrescentar supressão da função ovárica ao tratamento:

• Melhora a sobrevida e reduz o risco de re-incidência quando comparado com o tratamento sem SFO

• Parece aumentar a probabilidade de afrontamentos de intensidade severa quando comparado com o tratamento sem SFO.

• Provavelmente, reduz o risco de uma segunda neoplasia da mama no seio contra-lateral, quando comparado com o tratamento sem SFO.

• Pode ou não ter efeito no humor (p. ex.ansiedade, depressão) quando comparado com o tratamento sem SFO.

• Pode aumentar o risco de osteoporose quando comparado com o tratamento sem SFO (contudo, este achado é baseado em apenas um dos estudos) e

pode ter pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida da mulher quando comparado com tratamento sem SFO. Cinco dos quinze estudos providenciaram informação sobre a qualidade de vida das mulheres.

Quão atualizada é esta revisão?

Os autores desta revisão pesquisaram por estudos publicados até Setembro de 2019.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Inês Tlemçani, Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal.

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