Tratamento de comunicações entre a cavidade oral e o seio maxilar devido a procedimentos dentários

Pergunta

Que evidência está disponível para o tratamento seguro e eficaz de comunicações entre a boca e o seio principal causadas por procedimentos dentários?

Contexto

O pavimento do seio principal próximo ao nariz é fino e fica diretamente acima das raízes dos dentes na parte de trás da boca. Por vezes, após uma infeção ou tratamento dentário, essa estrutura é danificada e formam-se aberturas ou canais entre a cavidade oral e o seio. Esta situação é conhecida como comunicação oroantral (COA). Se a COA for deixada aberta (sendo então descrita como uma fístula oroantral (FOA), pode tornar-se permanente, levando a infeções sinusais duradouras. Esta condição pode ser tratada cirurgicamente com retalhos, enxertos e outras técnicas; ou não cirurgicamente usando uma variedade de métodos e materiais. Há pouca evidência sobre os tratamentos mais eficazes e seguros para fechar COAs e FOAs, e os clínicos que tratam essas condições identificaram uma necessidade urgente para a criação da mesma. Esta é uma atualização de uma revisão publicada pela primeira vez em maio de 2016.

Caraterísticas dos estudos

Pesquisámos várias bases de dados até 23 de maio de 2018. Apenas um estudo, realizado no Irão, foi incluído na nossa revisão. O estudo durou dois anos e envolveu 20 pessoas com COA com idades entre 25 e 56 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos e dois tratamentos cirúrgicos foram comparados para tratar comunicações oroantrais; um grupo foi tratado com retalho de tecido adiposo bucal pediculado (RTABP) e o outro com retalho bucal (RB).

Resultados-chave e qualidade da evidência

O estudo não encontrou evidência de diferenças entre RTABP e RB em termos de encerramento bem-sucedido (completo) de COA. Ambas as intervenções resultaram em encerramento bem-sucedido até um mês após a cirurgia. Portanto, o estudo não relatou quaisquer efeitos adversos de falha no tratamento. Pode não ser possível generalizar estes resultados devido à qualidade da evidência ser muito baixa, devido ao risco de viés não claro e ao pequeno número de participantes estudados no único ensaio incluído.

Conclusão

A evidência atualmente disponível é insuficiente para tirar conclusões fiáveis sobre os efeitos das intervenções usadas para tratar COAs ou fístulas devido a procedimentos dentários. São necessários mais ensaios bem delineados e bem reportados para avaliar diferentes intervenções e fornecer evidência confiável para suportar as decisões clínicas.

Conclusões dos autores: 

Encontrámos evidência de muito baixa qualidade a partir de um único estudo pequeno que comparou o retalho de tecido adiposo bucal pediculado com o retalho bucal. A evidência foi insuficiente para determinar se existe diferença na eficácia destas intervenções, pois todas as comunicações oroantrais no estudo encerraram com sucesso um mês após a cirurgia. Ensaios controlados aleatorizados, amplos e bem conduzidos que investiguem diferentes intervenções para o tratamento de comunicações oroantrais e fístulas causadas por procedimentos dentários são necessários para consciencializar a prática clínica.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Uma comunicação oroantral é uma abertura anormal entre a cavidade oral e o seio maxilar. Quando não fecha espontaneamente, permanece aberta e é epitelizada, desenvolvendo-se uma fístula oroantral. Diversas técnicas cirúrgicas e não cirúrgicas têm sido utilizadas para tratar esta condição. Os procedimentos cirúrgicos incluem retalhos, enxertos e outras técnicas como a reimplantação de terceiros molares. As técnicas não cirúrgicas incluem materiais alogénicos e xenoenxertos. Esta é uma atualização de uma revisão publicada pela primeira vez em maio de 2016.

Objetivos: 

Avaliar a eficácia e segurança das várias intervenções para o tratamento de comunicações oroantrais e fístulas devido a procedimentos dentários.

Métodos de pesquisa: 

Um especialista em informação da Cochrane Oral Health pesquisou nas seguintes bases de dados: Cochrane Oral Health’s Trials Register (até 23 de maio de 2018), Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (Cochrane Library, 2018, Issue 4) MEDLINE Ovid (de 1946 até 23 de maio de 2018) e Embase Ovid (de 1980 até 23 de maio de 2018). O US National Institutes of Health Trials Registry (ClinicalTrials.gov) e a World Health Organization International Clinical Trials Registry Platform foram consultados para encontrar ensaios clínicos a decorrer. Nenhuma restrição foi aplicada ao idioma ou data de publicação durante a pesquisa nas bases de dados eletrónicas. Também foram pesquisadas as listas de referências de ensaios incluídos e excluídos em busca de ensaios controlados aleatorizados (ECAs).

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ECAs que avaliaram qualquer intervenção para tratar comunicações oroantrais ou fístulas oroantrais devido a procedimentos dentários. Foram excluídos ECAs quasi-aleatorizados e ensaios cruzados. Foram excluídos estudos com participantes que tinham comunicações oroantrais, fístulas ou ambos relacionados ao procedimento de Caldwell-Luc ou excisão cirúrgica de tumores.

Coleção e análise dos dados: 

Dois autores da revisão selecionaram os ensaios de forma independente. Dois autores da revisão avaliaram o risco de viés dos ensaios e extraíram os dados de forma independente. Estimámos o risco relativo (RR) para os dados dicotómicos, com intervalos de confiança (IC) de 95%. Avaliámos a qualidade geral da evidência com o instrumento GRADE.

Principais resultados: 

Incluímos apenas um estudo nesta revisão, que comparou duas intervenções cirúrgicas: retalho de tecido adiposo bucal pediculado e retalho bucal para o tratamento de comunicações oroantrais. O estudo envolveu 20 participantes. O risco de viés foi incerto. O desfecho relevante relatado neste ensaio foi o encerramento bem-sucedido (completo) da comunicação oroantral.

A qualidade da evidência para o desfecho principal foi muito baixa. O estudo não encontrou evidência de diferenças entre as intervenções para o encerramento bem-sucedido (completo) de uma comunicação oroantral (risco relativo - RR 1,00, IC 95% 0,83 a 1,20) um mês após a cirurgia. Todas as comunicações oroantrais em ambos os grupos encerraram com sucesso, portanto, não houve efeitos adversos devido a falhas no tratamento.

Não encontrámos ensaios que avaliassem qualquer outra intervenção para tratar comunicações oroantrais ou fístulas devido a procedimentos dentários.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Carlota Duarte de Mendonça, Bruno Rosa, Joana Faria Marques, João Silveira e António Mata, Centro de Estudos de Medicina Dentária Baseada na Evidência, Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa. Revisão final: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

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