A aplicação de clonidina na pele para dor neuropática

O objetivo desta revisão foi avaliar como a clonidina aplicada sobre a pele age em pessoas com dor neuropática. Para respoder a esta questão, buscamos em dados de base médicos até o dia 17 de Setembro de 2014. Foram encontrados apenas dois estudos que forneceram tais informações. Estes estudos duraram 8 semanas e 12 semana e incluiam um total de 344 participantes com neuropatia diabética dolorosa. Uma indústria farmacêutica incentivou os dois estudos, que eram de baixa qualidade.

Através destes estudos, foi constatado que a clonidina aplicada na pele provavelmente leva a um pequeno benefício para pacientes com neuropatia diabética dolorosa, mas não se tem certeza disso. A clonidina pode levar a um alívio parcial da dor de um em oito pessoas tratadas com este medicamento. Não se sabe ao certo como a clonidina aplicada a pele funciona em condições de dor neuropática. O tratamento com esta droga por um curto período de tempo provavelmente não vai levar a efeitos colaterais, mas não se sabe através dos estudos encontrados se é seguro o seu uso a longo prazo. Pesquisadores tem reportado que não há diferenças no total de número de efeitos colaterais entre as pessoas em uso tópico de clonidina e o placebo.

Conclui-se que a clonidina aplicada sobre a pele pode levar a um alivio parcial da dor de alguns pacientes com neuropatia diabética dolorosa.

Conclusão dos autores: 

As evidências limitas de um pequeno número de estudos de moderada a baixa qualidade sugere que o uso tópico de clonidina pode levar a algum benefício em neuropatia periférica do diabetes. O medicamento pode ser útil em situações em que não há disponibilidade de melhores opções de tratamento, devido a falta de eficácia, contra-indicações e efeitos adversos. Outros ensaios clínicos adicionais são necessários para poder avaliar o uso tópico de clonidina em outras condições de dor neuropática e para determinar como os pacientes que tem a chance de responder a droga devem ser selecionados para o tratamento.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A clonidina é uma droga agonista de receptor alfa-2 adrenérgico pré-sináptico usado por muitos anos no tratamento de hipertensão e outras condições, como dor crônica. Os efeitos adversos associados ao uso sistêmico do medicamento tem limitado a sua aplicação. Atualmente, o interesse por uso tópico de medicamentos tem aumentado, e pode limitar efeitos adversos sem a a perda da eficácia analgésica. Recentemente, as formulações de clonidina tópica tem sido investigadas em ensaios clínicos recentes.

Objetivos: 

Os objetivos deste artigo de revisão são avaliar o eficácia analgésica do uso de clonidina tópica para dor neuropática crônica em adultos e avaliar a frequência de efeitos adversos associados com o uso clínico de clonidina tópica na dor neuropática crônica.

Estratégia de busca: 

As bases de dados foram o Cochrane Register of Studies Online (Cochrane Central Register of Controlled Trials - CENTRAL), MEDLINE e EMBASE, artigos da lista de referencias dos de trabalhos passados e registros de ensaios clínicos, e especialista da área foram contactados. A pesquisa mais recente foi no dia 17 de Setembro de 2014.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos estudos randomizados, duplo-cegos de pelo menos duas semanas de duração comparando o uso de clonidina tópica versus o uso de placebo ou outro tratamento ativo em pacientes com dor neuropática crônica.

Coleta dos dados e análises: 

Os dois autores desta revisão extraíram os dados dos estudos e avaliaram os vieses. Foi planejado três níveis de análise das evidências. O primeiro nivel de análise foi projetado para analisar os dados com melhores padrões, por estudos que reportavam resultados de pelo menos 50% de redução da intensidade da dor acima da linha de base (ou seu equivalente) sem o uso da última observação efetuada ou método de imputação de desistências, reportaram uma análise intervenção de tratamento, nas últimas oito semanas ou mais, ter um grupo paralelo desenvolvido e incluído pelo menos 200 participante (de preferência pelo menos 400) em comparação. O segundo nível de análise de evidências foi projetado para usar os dados de pelo menos 200 participantes mas em casos em que uma das condições acima não fossem cumpridas. O terceiro nível de análise de evidências foi suposto em outras situações.

Resultados principais: 

Foram incluídos dois estudos nesta revisão, com um total de 344 participantes. Os estudos duraram 8 e 12 semanas e compararam o uso tópico de clonidina com o placebo. 0,1% A apresentação do uso tópico de clonidina foi na forma em gel e foi aplicada na área de dor duas a três vezes por dia.

Os estudos incluídos nesta revisão foram um assunto de potencial viés e foram classificados em moderada ou baixa qualidade. Um indústria farmacêutica incentivou os dois estudos.

Não foi encontrado nenhuma evidência de alto nível para o assegurar o uso de clonidina tópica em dor neuropática. O segundo nível de análise de evidências indicou uma leve melhora após o uso do medicamento em um estudo com participantes com neuropatia diabética dolorosa. Um número maior dos participantes do grupo em uso da clonidina tópica apresentaram um redução de pelo menos 30% comparado ao placebo (risco relativo (RR) 1,35, intervalo de confiança 95% 1,03 a 1,77, número necessário para o tratamento com benefício adicional 8,33, intervalo de confiança 95% 4,3 a 50). O terceiro nível de análise de evidência indicou que clonidina tópica não foi melhor do que o placebo por ter alcançado pelo menos 50% de redução da intensidade da dor e na escala de impressão global do paciente sobre a mudança. Os dois estudos incluídos poderiam ser assunto de significante viés. Não foram encontrados estudos que reportaram outras condições de dor neuropática.

A taxa de efeitos adversos não foi diferente entre os grupos, com exceção de uma alta incidência de moderadas reações cutâneas no grupo em uso de placebo, o qual não deve ser de considerado de significância clínica.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Marcelo de Paula Mendes Castilho) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD010967

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