Intervenções para hiponatremia hipotónica não hipovolémica crónica

Qual é o problema?

Uma concentração reduzida de sódio no sangue (hiponatrémia) pode ser causada por várias doenças e encontra-se associada a diminuição da sobrevida e a aumento da duração do internamento. Vários tratamentos, tais como restrição de fluídos ou fármacos chamados antagonistas do recetor da vasopressina, podem ser usados para aumentar a concentração de sódio no sangue, desde que este aumento ocorra lentamente de modo a evitar lesão cerebral. É menos claro se estes tratamentos também melhoram os resultados valorizados pelos doentes (o modo como os doentes se sentem, a sua autonomia e a sua sobrevida).

O que fizemos?

Incluímos ensaios aleatorizados controlados e quase-aleatorizados que compararam os efeitos de qualquer intervenção com placebo, ausência de tratamento, tratamento de rotina ou qualquer outra intervenção em doentes com hiponatremia hipotónica não hipovolémica crónica.

O que descobrimos?

A nossa pesquisa sistemática (até dezembro de 2017) identificou 35 estudos, incluindo 3429 doentes. Os antagonistas do recetor da vasopressina têm efeitos incertos no risco de morte e qualidade de vida, sendo necessários estudos adicionais para responder a estas questões. Estes fármacos melhoram provavelmente a concentração de sódio no sangue mas existe o risco de a correção ser demasiado rápida. Além disso, as pessoas medicadas com antagonistas do recetor da vasopressina podem apresentar aumento da sensação de sede e da quantidade de urina produzida. Existe muito pouca informação sobre qualquer um dos outros tratamentos disponíveis.

Conclusões

Em pessoas com concentração de sódio no sangue reduzida, os antagonistas dos recetores da vasopressina aumentam ligeiramente a concentração de sódio. Os efeitos na mortalidade e na qualidade de vida relacionada com a saúde são incertos e não permitem concluir se existe benefício ou dano. Apesar de os dados disponíveis serem limitados, parece não existir um efeito significativo na função cognitiva, mas a duração de internamento poderá ser ligeiramente mais curta. A evidência existente sobre outros tratamentos é praticamente inexistente.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte; Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

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