Correção profilática de estenose de acesso vascular arteriovenoso para hemodiálise

Um acesso vascular arteriovenoso consiste na ligação direta entre uma artéria e uma veia no braço (fístula) ou na utilização de uma prótese de plástico que une uma artéria e uma veia (enxerto). Se o acesso vascular se tornar disfuncional, a dose de diálise realizada é inferior à desejada. A causa mais comum de disfunção do acesso é o desenvolvimento de uma restrição ou estreitamento à passagem de sangue, denominada "estenose". Dada a correção precoce de estenoses ser considerada fundamental para a manutenção da patência (abertura) do acesso vascular e prolongar a sua utilização, as guidelines recomendam a vigilância regular do acesso vascular (i.e. rastreio com base em testes de diagnóstico) em adição ou substituição do exame físico (monitorização clínica) para identificar e tratar lesões precoces.

Nesta revisão foram incluídos 14 estudos, os quais aleatorizaram 1390 participantes para correção profilática de estenose do acesso (i.e. antes do acesso se tornar disfuncional) ou correção tardia de estenose do acesso (i.e. se e quando o acesso se tornasse disfuncional). Esta revisão mostra que a correção profilática de uma estenose de acesso vascular arteriovenoso não aumenta a longevidade do acesso vascular. Em doentes com enxertos, a correção profilática não reduz o risco de trombose ou de perda do acesso vascular. Em doentes com fístulas, a correção profilática da estenose reduz o risco de trombose e pode prolongar a longevidade do acesso. No entanto, esta estratégia de vigilância e correção profilática pode aumentar o número de procedimentos relacionados com o acesso vascular e de eventos adversos relacionados com o procedimento.

Esta revisão sistemática, destinada a médicos e doentes, apresenta dados baseados na evidência que não apoiam a utilização de vigilância de acesso vascular nem a correção profilática de estenose em enxertos. Apesar da vigilância e correção profilática de estenoses reduzir o risco de trombose e poder reduzir o risco de perda de acesso vascular em fístulas, esta estratégia pode também aumentar o risco de efeitos adversos relacionados com o procedimento bem como os custos em saúde. Ensaios clínicos multicêntricos e de grandes dimensões são necessários nesta população de doentes para clarificar melhor os potenciais danos e os benefícios esperados da vigilância de rotina e da correção profilática de estenoses de fístulas.

Notas de tradução: 

Tradução por Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal

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