Medicamentos para reduzir a glicémia no tratamento de diabetes pré-existente e diabetes de novo em doentes transplantados renais

Qual é o problema?

A transplantação renal apresenta como complicação frequente a diabetes de novo. A eficácia e efetividade de medicamentos usados para reduzir a glicémia neste contexto é desconhecida.

O que fizemos?

Avaliámos a efetividade e segurança de medicamentos para reduzir a glicémia em doentes com diabetes que receberam um rim transplantado pesquisando na base de dados Cochrane Kidney and Transplant Specialised Register. Atualizámos a nossa revisão original incluindo todos os ensaios aleatorizados controlados e estudos cruzados que analisaram esta questão até 16 de janeiro de 2020.

O que descobrimos?

Incluímos dez estudos (incluindo três estudos adicionais) com um total de 603 pessoas transplantadas renais que foram aleatorizadas. Quatro estudos compararam o tratamento mais intensivo ou menos intensivo com insulina, dois estudos compararam os inibidores da DPP-4 com insulina glargina, um estudo comparou os inibidores do cotransportador sódio-glucose 2 (SGLT2) com placebo, e dois estudos compararam glitazonas e insulina com insulina isolada. Tendo em conta estes estudos não é totalmente claro o efeito do tratamento mais ou menos intensivo com insulina na sobrevida do transplante renal, controlo da glicémia, morte e efeitos adversos do tratamento, incluindo hipoglicémia. Tendo em conta um estudo, os inibidores da DPP-4 poderão melhorar o controlo da glicémia sem afetar a função renal. Não é totalmente clara a taxa de efeitos adversos dos inibidores da DPP-4 comparativamente a placebo ou insulina. Tendo em conta um estudo, os inibidores da SGLT2 provavelmente não afetam a sobrevida do transplante renal, mas a longo prazo podem melhorar o controlo da glicémia sem afetar a função renal. Os inibidores da SGLT2 provavelmente não originam hipoglicémia e têm um efeito muito ligeiro ou ausente na suspensão dos medicamentos por parte dos doentes. No entanto, nesse estudo, as pessoas que suspenderam os inibidores da SGLT2 apresentaram infeções do trato urinário. As glitazonas e a insulina poderão não ter um efeito no controlo da glicémia ou nos efeitos adversos, comparativamente à insulina isolada. Não é claro o efeito na sobrevida do enxerto renal e na morte da utilização dos inibidores da DPP-4 comparativamente a placebo ou insulina, nem das glitazonas e insulina comparativamente a insulina isolada.

Conclusão

A evidência atual é limitada relativamente aos medicamentos para reduzir a glicémia elevada em doentes transplantados renais com diabetes. São necessários estudos maiores e de qualidade superior para avaliar a segurança e efetividade dos tratamentos hipoglicemiantes atuais.

Notas de tradução: 

Tradução por Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal

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