Mais terapia de apoio ajuda as pessoas que estão tomando remédios para parar de fumar a conseguir largar o cigarro?

Essa tradução não está atualizada. Por favor clique aqui para ver a versão mais recente em inglês desta revisão.

Introdução

Existem diversos remédios e tratamentos medicamentosos (incluindo todos os tipos de terapias de substituição de nicotina, a bupropiona e a vareniclina) que ajudam as pessoas a parar de fumar. Portanto, as pessoas que estão tentando parar de fumar muitas vezes recebem receitas de remédios (farmacoterapia) para ajudá-las. A terapia de apoio comportamental também pode ajudar a parar de fumar. A terapia de apoio comportamental pode incluir uma breve orientação ou aconselhamento intensivo, e pode ser feita face a face, de forma individual ou em grupo, ou por telefone, incluindo serviços do tipo “disque para parar de fumar”. Não está claro qual é o benefício adicional que se obtém ao oferecer terapia de apoio ou apoio mais intensivo para pessoas que estão tentando parar de fumar tomando remédios.

Características dos estudos

Nós buscamos por estudos que recrutaram fumantes que estavam usando medicação que foram sorteados para receber terapia de apoio comportamental em graus variados. As pessoas no grupo controle poderiam receber apenas informação escrita ou algum tipo de apoio pessoal. Os estudos tinham que testar o efeito de oferecer terapia de apoio mais intensiva, envolvendo contato face a face ou pelo telefone, ou sessões mais longas. Para avaliar se a intervenção ajudava a pessoa a parar de fumar, os estudos tinham que avaliar o número de pessoas que não estavam mais fumando após pelo menos seis meses. Nós não incluímos estudos que recrutaram apenas gestantes ou adolescentes.

Resultados principais

Nós buscamos por estudos publicados até maio de 2015. Encontramos 47 estudos, com mais de 18.000 participantes. Os participantes eram, na maioria, pessoas que já queriam fazer uma tentativa de parar de fumar, mas um pequeno número de estudos ofereceu apoio também para as pessoas que não tinham indicado que estavam tentando parar de fumar. Os resultados combinados dos 47 estudos indicam que, aumentar a quantidade de apoio comportamental para pessoas que estão tomando remédios para parar de fumar, eleva em 10% a 25% a chance de permanecer sem fumar a longo prazo. Oferecer algum apoio pessoal face a face ou pelo telefone é benéfico. As chances de uma pessoa que está tentando parar de fumar tomando remédio aumentam se ela também puder receber terapia de apoio comportamental.

Qualidade da evidência

A qualidade geral da evidência foi considerada alta. Existe pouca chance de que outros estudos venham a mudar esses resultados.

Conclusão dos autores: 

O apoio comportamental pessoal ou via telefone para pessoas que estão tentando parar de fumar usando remédios tem um efeito pequeno, porém importante. Segundo os resultados de 47 estudos, aumentar a intensidade do apoio comportamental eleva a chance de sucesso em 10% a 25%. A análise de subgrupo indica que o benefício adicional de mais apoio é semelhante independentemente do nível de apoio inicial.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Existem remédios eficazes para ajudar as pessoas que estão tentando parar de fumar, mas mesmo assim, esse é um processo que pode ser difícil. Oferecer apoio comportamental intenso pode aumentar as chances de essas pessoas terem sucesso.

Objetivos: 

Avaliar o efeito do apoio comportamental intenso para pessoas em uso de medicamentos para parar de fumar, e avaliar se o efeito dessa intervenção difere conforme o tipo de farmacoterapia ou a intensidade do de apoio.

Estratégia de busca: 

Nós buscamos na Cochrane Tobacco Addiction Group Specialised Register em maio de 2015 por estudos sobre farmacoterapia, incluindo qualquer tipo de terapia de substituição de nicotina (NRT), bupropiona, nortriptilina ou vareniclina, junto com terapia de apoio pessoal ou estudos que comparavam dois ou mais tipos de apoio comportamental com intensidades diferentes.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados em que todos participantes receberam farmacoterapia para parar de fumar e as intervenções se diferenciaram pela intensidade do apoio comportamental. A intervenção tinha que envolver o contato pessoa a pessoa. O grupo controle poderia receber apoio pessoal menos intenso ou apenas informação escrita. Nós não incluímos estudos que usaram um controle parado por contato para avaliar diferenças entre tipos ou componentes do cuidado. Nós excluímos estudos que recrutaram apenas gestantess, apenas adolescentes ou estudos com menos de seis meses de acompanhamento.

Coleta dos dados e análises: 

Um autor selecionou previamente os resultados da busca e dois autores concordaram com a inclusão ou exclusão de estudos potencialmente relevantes. Um autor extraiu os dados e outro checou os dados extraídos.

A principal medida de desfecho foi abstinência do cigarro depois de pelo menos seis meses de acompanhamento. Nós usamos a definição mais rigorosa possível de abstinência para cada estudo, e taxas bioquímicas validadas se disponíveis. Nós calculamos o risco relativo (RR) e o intervalo de confiança de 95% (95% CI) para cada estudo. Onde apropriado, nós realizamos metanálises utilizando o modelo de efeito fixo de Mantel-Haenszel.

Resultados principais: 

Quarenta e sete estudos foram incluídos com mais de 18.000 participantes nos braços relevantes. Como a heterogeneidade estatística foi pequena (I2 = 18%), nós agrupamos todos os estudos na análise principal. Encontramos evidência de um benefício pequeno, porém estatisticamente significativo, a favor do apoio mais intensivo (RR 1,17, 95% CI 1,11 a 1,24) para abstinência no acompanhamento a longo prazo. Em 43 dos 47 estudos, as pessoas do grupo intervenção participaram de quatro ou mais sessões de apoio. A maioria dos estudos utilizou NRT. Nós não detectamos efeitos significativos nos estudos com nortriptilina (dois estudos) ou vareniclina (um estudo), mas isso reflete ausência de evidência.

Nas análises de subgrupo, os estudos que ofereciam pelo menos quatro sessões de contato pessoal no grupo intervenção e nenhum contato pessoal no controle tiveram estimativas de efeito ligeiramente maiores (RR 1,25, 95% CI 1,08 a 1,45; 6 estudos, 3.762 participantes), porém um teste formal para diferenças entre subgrupos não foi significativo. Estudos em que todas as intervenções de aconselhamento foram pelo telefone (RR 1,28, 95% CI 1,17 a 1,41; 6 estudos, 5.311 participantes) também tiveram efeitos ligeiramente maiores, e o teste de diferenças de subgrupos foi significativo, mas esta análise de subgrupo não foi previamente especificada. Nesta atualização, o benefício de oferecer apoio comportamental adicional foi similar para o subgrupo dos estudos em que os participantes, incluindo controles, teve pelo menos 30 minutos de contato pessoal (RR 1,18, 95% CI 1,06 a 1,32; 21 estudos, 5.166 participantes). Anteriormente, a evidência de benefício neste subgrupo havia sido mais fraca. Este subgrupo não foi pré-especificado e o teste para diferenças de subgrupo não foi significativo. A qualidade da evidência foi classificada como alta, usando o GRADE. Um pequeno número de estudos foi classificado como tendo alto risco de viés em um ou mais domínios, mas os achados não se modificaram com a exclusão desses estudos.

Notas de tradução: 

Traduzido pelo Centro Cochrane do Brasil (Carolina de Oliveira Cruz)

Share/Save