Alimento terapêutico pronto para uso no tratamento domiciliar de crianças de seis meses a cinco anos de idade com desnutrição aguda grave.

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As crianças desnutridas têm mais risco de adoecer e de morrer. Nas zonas rurais, o tratamento hospitalar de crianças com desnutrição aguda grave nem sempre é desejável ou prático. Nesses casos, o tratamento domiciliar pode ser melhor. O tratamento domiciliar da desnutrição pode ser feito com alimento preparado pelo cuidador, como mingau de farinha, ou com alimentos manufaturados, como os alimentos terapêuticos prontos para uso (ATPU). O ATPU é fabricado seguindo uma composição padronizada altamente calórica que é estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Geralmente, o ATPU é feito de leite integral em pó, açúcar, manteiga de amendoim, óleo vegetal, vitaminas e minerais. O ATPU tem várias vantagens, tais como seu baixo teor de umidade, o longo prazo de validade, não necessitar de refrigeração e já vir pronto para consumo, sem necessidade de ser preparado.

Avaliamos se o uso do ATPU versus uma dieta habitual (com mingau de farinha) e também se o tratamento com ATPU mais barato (menor volume ou com ingredientes mais baratos) versus ATPU comum poderiam trazer resultados semelhantes em crianças gravemente desnutridas entre seis meses e cinco anos de idade. Os principais desfechos de saúde que nós investigamos foram a recuperação da desnutrição grave, a recaída (piora da desnutrição), a morte e o ganho de peso.

Fizemos uma busca abrangente de tudo que havia sido publicado até abril de 2013 e encontramos quatro estudos. Todos os estudos foram realizados no Malawi; e um pequeno estudo incluiu crianças infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Avaliamos como os estudos haviam sido feitos para saber o quanto poderíamos confiar nos seus resultados. Três estudos tinham problemas de qualidade (alto risco de viés) e o quarto estudo tinha melhor qualidade (risco de viés baixo à moderado). Devido aos poucos dados para HIV, apresentamos a seguir os principais resultados para todas as crianças conjuntamente.

Encontramos três estudos (599 crianças) que compararam dar um ATPU contendo todas necessidades alimentares diárias versus usar mingau de farinha. O ATPU trouxe um pequeno benefício para a recuperação das crianças desnutridas. Porém, como a qualidade das evidências era muito baixa, não sabemos se o ATPU melhora o risco de recidiva e de mortalidade ou o ganho de peso.

Dois estudos pequenos (com um total de 210 crianças) compararam a suplementação com ATPU (usado junto com a alimentação habitual) versus o uso do APTU para suprir todas necessidades alimentares diárias. A qualidade da evidência para recuperação, recaída, mortalidade e ganho de peso era muito baixa. Portanto, não temos certeza quanto aos efeitos do ATPU.

Um estudo (com 1.874 crianças) comparou um ATPU mais barato contendo menos leite em pó (10%) versus o ATPU padrão (25% de leite em pó). Houve pouca ou nenhuma diferença entre os grupos quanto à recuperação das crianças. O uso do ATPU com menos leite em pó aumentou discretamente o risco de recaídas e levou a menos ganho de peso em comparação com o ATPU padrão. Nós não sabemos se o ATPU mais barato reduz o risco de morte das crianças.

Devido às poucas evidências atualmente disponíveis, não foi possível chegarmos à conclusões definitivas sobre os efeitos do uso de ATPU versus dieta habitual, ou de ATPU em diferentes doses ou composições, em relação à saúde de crianças com desnutrição aguda grave tratadas em casa. Mais estudos de alta qualidade são necessários para sabermos os efeitos do uso do ATPU no tratamento de crianças desnutridas.

Conclusão dos autores: 

Devido às poucas evidências atualmente disponíveis, não foi possível chegar a conclusões definitivas sobre os efeitos do uso do ATPU versus a dieta habitual ou de ATPU em diferentes doses ou composições em relação aos desfechos clínicos de crianças com desnutrição aguda grave tratadas no domicílio. São necessários mais ensaios clínicos randomizados pragmáticos, bem desenhados e com poder suficiente, envolvendo crianças com desnutrição aguda grave infectadas ou não pelo HIV.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As crianças desnutridas têm mais risco de adoecer e de morrer. Nas zonas rurais, o tratamento hospitalar de crianças com desnutrição aguda grave nem sempre é desejável ou prático. Nesses casos, o tratamento domiciliar pode ser melhor. As crianças desnutridas têm mais risco de adoecer e de morrer. Nas zonas rurais, o tratamento hospitalar de crianças com desnutrição aguda grave nem sempre é desejável ou prático. Nesses casos, o tratamento domiciliar pode ser melhor. O ATPU tem uma composição padronizada altamente calórica que é estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O ATPU tem várias vantagens, tais como seu baixo teor de umidade, o longo prazo de validade, não necessitar de refrigeração e já vir pronto para consumo, sem necessidade de ser preparado.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos do tratamento domiciliar com ATPU nas taxas de recuperação, recaída e mortalidade de crianças com desnutrição aguda grave.

Estratégia de busca: 

Nós pesquisamos as seguintes bases de dados eletrônicas até Abril 2013: Cochrane Central Register of Clinical Trials (CENTRAL), MEDLINE, MEDLINE In-process, EMBASE, CINAHL, Science Citation Index, African Index Medicus, LILACS, ZETOC e três plataformas de registro de ensaios clínicos. Também entramos em contato com pesquisadores e clínicos da área e fizemos buscas manuais nas listas de referências dos estudos incluídos e em revisões relevantes.

Critérios de seleção: 

Nós incluímos ensaios clínicos controlados randomizados e quasi randomizados nos quais crianças entre seis meses e cinco anos de idade com desnutrição aguda grave foram tratadas em casa com ATPU versus dieta habitual ou diferentes regimes e formulações de ATPU. Os desfechos primários foram recuperação, recaída e mortalidade. Os desfechos secundários foram mudanças antropométricas, tempo de recuperação e eventos adversos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, avaliaram a elegibilidade do estudo usando critérios preestabelecidos. Três autores, trabalhando de forma independente, avaliaram o risco de viés e fizeram a extração dos dados dos estudos.

Resultados principais: 

Incluímos quatro estudos (três com alto risco de viés), todos realizados no Malawi e com o mesmo autor de contato. Um pequeno estudo incluiu crianças infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O risco de viés dos três estudos quasi randomizados foi alto e o quarto estudo tinha um risco de viés baixo a moderado. Devido aos poucos dados para HIV, apresentamos a seguir os principais resultados para todas as crianças conjuntamente.

ATPU com todas necessidades alimentares diárias versus dieta habitual.

Três ensaios clínicos quasi-randomizados (n = 599) compararam o ATPU com todas necessidades alimentares diárias versus dieta habitual (mingau de farinha). A taxa de recuperação foi um pouco melhor no grupo tratado com ATPU: risco relativo (RR) 1,32; intervalo de confiança (IC) 95% de 1,16 a 1,50; evidência de baixa qualidade). Porém, não sabemos se o ATPU melhora o risco de recidiva e de mortalidade ou o ganho de peso (evidência de qualidade muito baixa).

Suplemento de ATPU versus ATPU com todas necessidades alimentares diárias

Dois ensaios clínicos quasi randomizados (N = 210) compararam o uso de suplementos de ATPU versus o uso de APTU com todas necessidades alimentares diárias. A qualidade da evidência para recuperação, recaída, mortalidade e ganho de peso era muito baixa. Portanto, os efeitos do ATPU são desconhecidos.

ATPU contendo menos leite em pó versus ATPU padrão

Um estudo (com 1.874 crianças) comparou um ATPU mais barato contendo menos leite em pó (10%) versus o ATPU padrão (com 25% de leite em pó). Houve pouca ou nenhuma diferença entre os grupos quanto à recuperação das crianças (RR 0,97; IC 95% 0,93 a 1,01; evidência de qualidade moderada). O uso do ATPU com menos leite em pó pode aumentar discretamente o risco de recaídas (RR 1,33; IC 95% 1,03 a 1,72; evidência de baixa qualidade) e levar a menos ganho de peso (diferença média, MD, -0,5 g/kg/dia; IC 95% -0,75 a -0,25; evidência de baixa qualidade) em comparação com o ATPU padrão. Não sabemos se o ATPU mais barato reduz o risco de morte (evidência de qualidade muito baixa).

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Isabela Hercilia Costa). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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