Técnicas anestésicas para o risco de recorrência de tumor maligno

Introdução

A cirurgia permanece como um dos principais tratamentos para pacientes com vários tipos de câncer. Entretanto o estresse cirúrgico e algumas anestesias e medicamentos para a dor, comumente administrados durante a anestesia para o cirurgia do câncer são conhecidos por inibir as defesas do organismo. Assim, a cirurgia e a anestesia podem contribuir para a recorrência do câncer a longo prazo. Diferentes tipos de anestesia estão disponíveis. A anestesia geral indica que o paciente dorme durante a cirurgia; a anestesia regional significa que a parte do corpo que é operada está adormecida (por um anestésico local) ou podem ser utilizada as duas técnicas combinadas. A anestesia regional tem o potencial de reduzir o uso de certos anestésicos e medicamentos para a dor, que são injetados na veia ou inalados pelos pulmões, e assim atenuar o estresse cirúrgico. Então, pesquisas prévias tem sugerido que a anestesia regional pode reduzir o risco de recorrência a longo prazo do câncer.

Pergunta da pesquisa

Nós objetivamos descobrir se diferentes tipos de anestesia usadas na cirurgia oncológica poderiam influenciar a sobrevida a longo termo ou a taxa de recorrência do tumor em pacientes submetidos à cirurgia oncológica.

Data da busca

Evidências estão atualizadas até Dezembro de 2013.

Características do estudo

Nós encontramos quatro estudos com um total de 746 homens e mulheres adultos submetidos a cirurgia abdominal para retirada de câncer. Todos os estudos eram análises de ensaios clínicos previamente conduzidos, o que significa que nenhum dos estudos incluídos foram desenhados para investigar a recorrência do tumor. Todos os pacientes foram submetidas a cirurgia para câncer primário, o que significa que cirurgias para metástases não foram incluídas. Um total de 354 participantes receberam anestesia geral e 392 participantes receberam anestesia geral combinada com anestesia epidural. A anestesia epidural é um tipo de anestesia regional em que uma medicação entorpecente é continuamente infundida por um cateter alocado no espaço epidural. O espaço epidural é o mais espaço mais externo ao redor da medula espinhal. As medicaçōes entorpecentes injetadas no espaço epidural faz com que certas partes do abdome fiquem dormentes e insensíveis à dor. Os participantes do estudos foram seguidos por no mínimo 7,8 anos após serem submetidos a cirurgia para o câncer.

Resultados chave

Não encontramos benefício para ambos os grupos de estudo sobre a recorrência e sobrevivência de câncer. Devido os relatos incompletos e o baixo número de eventos adversos relatados, nós não podemos estimar as possíveis diferenças nos efeitos adversos entre as diferentes técnicas anestésicas utilizadas.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência para desfechos foi classificada como baixa para a sobrevida geral e muito baixa para a progressão livre do tumor e o tempo de progressão do tumor. As principais limitações de evidência identificadas foram que os resultados poderiam ter sido influenciados por tratamentos prévios administrados aos participantes do estudos.

Conclusão dos autores: 

Atualmente, a evidência de benefício da anestesia regional na recorrência de tumores é inadequada. Um encorajador número de ensaios clínicos prospectivos controlados e randomizados estão em andamento e espera-se que esses resultados, quando relatados, irão acrescentar evidência a este tópico em um futuro próximo.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A cirurgia permanece como o principal tratamento para tumores malignos; entretanto, a manipulação cirúrgica leva a uma significante liberação sistêmica de células tumorais. Se essas células levam a metástases é largamente dependente do balanço entre a agressividade do tumor e a resistência do organismo. O estresse cirúrgico por si, os agentes anestésicos e a administração de analgésicos opióides peri-operatórios podem comprometer a função do sistema imune e desviar o balanço em favor da progressão de uma doença residual mínima. As técnicas de anestesia regional proporcionam alívio da dor no peri-operatório; além disso reduzem a quantidade de opióides sistêmicos e agentes anestésicos utilizados. Adicionalmente, as técnicas de anestesia regional são conhecidas por prevenir ou atenuar a reposta cirúrgica ao estresse. No últimos anos, os benefícios potenciais da anestesia regional para a recorrência do tumor tem recebido maior atenção e sido discutidas várias vezes na literatura. Na preparação desta revisão, nós objetivamos sintetizar as atuais evidências, sistematicamente e compreensivamente.

Objetivos: 

Estabelecer se a técnica anestésica (anestesia geral versus a anestesia regional ou combinada) influencia o prognóstico a longo termo para indivíduos com tumor maligno.

Estratégia de busca: 

Buscamos na The Cochrane Library (2013, Edição 12), PubMed (1950 até 15 de Dezembro de 2013), EMBASE (1974 até 15 de Dezembro de 2013), BIOSIS (1926 até 15 de Dezembro de 2013) e Web of Science (1965 até 15 de Dezembro de 2013). Nós buscamos a mão websites relevantes e processos de conferência e listas de referências dos artigos citados. Não aplicamos restrição de idiomas.

Critérios de seleção: 

Nós incluímos todos os ensaios clínicos controlados randomizados ou ensaios clínicos controlados que investigaram os efeitos da anestesia geral versus a regional no risco de recorrência do tumor maligno em pacientes submetidos a ressecção de tumores malignos primários. As comparações das intervenções consistiram em (1) anestesia geral versus anestesia geral combinada com uma ou mais técnicas de anestesia regional; (2) anestesia geral combinada com uma ou mais técnicas de anestesia regional versus uma ou mais técnicas de anestesia regional; e (3) anestesia geral versus uma ou mais técnicas de anestesia regional. Os desfechos primários incluíram (1) sobrevida geral, (2) progressão livre da doença e (3) tempo para a progressão do tumor.

Coleta dos dados e análises: 

Duas revisores, independentemente, buscaram os títulos e resumos de relatos indentificados e extraíram os dados dos estudos.

Todos as variáveis de desfecho primário são tempo-dependentes. Se o relato individual do ensaio clínico reportar revisão estatística com odds ratio, risco relativo ou curva de Kaplan-Meier, os dados extraídos nos permitem calcular os risco de danos utilizando a planilha. Para avaliar o risco de viés, nós utilizamos aos procedimentos metodológicos padrão esperados pela The Cochrane Collaboration.

Resultados principais: 

Nós incluímos quatro estudos com um total de 746 participantes. Todos os estudos incluíram pacientes adultos submetidos a cirurgia de ressecção de tumor primário. Dois estudos listaram participantes homens e mulheres submetidos a cirurgias addominais maiores para câncer. Um estudo envolveu participantes homens submetidos a cirurgia de câncer de próstata, e um estudo participantes homens submetidos a cirurgia de câncer de colon. O segmento se deu de 9 a 17 anos. Todos os quatro estudos compararam anestesia geral isolada com anestesia geral combinada com anestesia epidural e analgesia. Todos os quatro estudos são análises secundárias de dados de ensaios clínicos controlados randomizados prévios.

Dos quatro estudos incluídos, apenas três contribuíram para o desfecho de sobrevida geral e dois para os desfechos de progressão livre de doença e tempo para progressão do tumor. Em nossa metanálise, nós não pudemos encontrar uma vantagem para cada grupo estudado para os desfechos de sobrevida geral (razão de risco (RR) 1,03, intervalo de confiança (IC) 95 % 0,86 a 1,24) e sobrevida livre da doença (RR 0,88, IC 95 % 0,56 a 1,38) Para sobrevida livre da doença, o nível de inconsistência foi alto. Os dados reunidos para tempo de progressão do tumor mostraram um pequeno desfecho favorável para o grupo controle (anestesia geral isolada) comparado com o grupo de intervenção (epidural e anestesia geral) (RR 1,5, IC 95 % 1,00 a 2,25).

A qualidade da evidência foi classificada como baixa para a sobrevida geral e muito baixa para a sobrevida livre de doença e tempo para a progressão do tumor. Os desfechos para a sobrevida geral foram desclassificados por sérias imprecisões e sérias indiretas. O desfecho para a sobrevida livre da doença e tempo para a progressão do tumor também foram desclassificados por sérias inconsistências e sérios riscos de viés, respectivamente.

Os eventos adversos reportados eram esparsos e os dados não puderam ser analisados.

Notas de tradução: 

Traduzido por Marcelo Tabary de Oliveira Carlucci. Núcleo de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil. Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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