Uso de antifibrinolíticos para diminuir a hemoptise

Ter hemoptise significa expectorar sangue, ou catarro manchado de sangue, ao tossir. Esse sangue vem do trato respiratório inferior. A hemoptise é um problema comum em todo o mundo e pode ser causada por uma série de doenças, como bronquite, pneumonia, câncer de pulmão e tuberculose.

Os antifibrinolíticos (ácido tranexâmico, ácido aminocaproico, nafamostato e aprotinina) são remédios que inibem o processo que dissolve os coágulos, reduzindo assim o sangramento.

Identificamos dois estudos randomizados que haviam sido publicados até 19 de setembro de 2016. Ambos avaliaram o uso do ácido tranexâmico (TXA). Um estudo avaliou esse remédio para pessoas com hemoptise causada pela tuberculose e o outro para hemoptise causada por diversos problemas de saúde.

O TXA reduziu significativamente o tempo de sangramento, mas não mudou o número de pacientes que ainda tinham hemoptise sete dias após o início do tratamento. Os estudos não relataram efeitos adversos graves. Não houve diferença na ocorrência de efeitos colaterais leves entre os doentes tratados com o TXA e os que não receberam o TXA.

A evidência existente é insuficiente para sabermos se algum antifibrinolítico deve ser usado para tratar pessoas com hemoptise.

Conclusão dos autores: 

Não há evidência suficiente para saber se os antifibrinolíticos devem ser utilizados no tratamento da hemoptise por qualquer causa. Porém, existe alguma evidência sugerindo que essa intervenção pode reduzir a duração do sangramento.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A hemoptise é uma desordem comum em todo o mundo, ocorrendo com maior frequência nos países de baixa renda. Existem várias causas para hemoptise e muitas delas têm origem infecciosa. Os agentes antifibrinolíticos são comumente usados no manejo dos sangramentos de várias causas, porém a utilidade desses medicamentos na área de pneumologia ainda não está clara.

Objetivos: 

Avaliar a eficácia e a segurança dos agentes antifibrinolíticos na redução do volume e da duração da hemoptise em pacientes adultos e pediátricos.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), the Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE), The Cochrane Library, EMBASE e LILACS. Buscamos por ensaios clínicos randomizados (ECR) de terapia antifibrinolítica em pacientes com hemoptise. Também realizamos uma busca independente no MEDLINE para identificar estudos relevantes ainda não incluídos no CENTRAL ou DARE. A busca está atualizada até 19 de setembro de 2016. Realizamos buscas eletrônicas e manuais em revistas nacionais e internacionais relevantes. Revisamos as listas de referências dos estudos incluídos para localizar ECRs relevantes. Fizemos uma busca adicional para encontrar ECRs não publicados.

Critérios de seleção: 

Incluímos ECRs que avaliaram a eficácia e a segurança dos agentes antifibrinolíticos na redução da hemoptise de qualquer etiologia ou gravidade, em pacientes adultos e pediátricos de ambos os sexos. A intervenção de interesse foi o uso de agentes antifibrinolíticos em comparação com placebo ou nenhum tratamento.

Coleta dos dados e análises: 

Todos os revisores, trabalhando de forma independente, avaliaram a qualidade metodológica dos estudos e extraíram os dados a serem incluídos em tabelas pré-desenhadas para esta revisão.

Resultados principais: 

A busca eletrônica identificou 1 estudo original que atendia aos critérios de elegibilidade. Um estudo não publicado também foi identificado através das buscas manuais. Portanto, dois ECRs preencheram os critérios de inclusão: Tscheikuna 2002 (busca eletrônica) e Ruiz 1994 (busca manual).

O estudo Tscheikuna 2002, um ECR duplo-cego realizado na Tailândia, avaliou a eficácia do ácido tranexâmico (TXA, um agente antifibrinolítico) via oral em 46 pacientes hospitalares e ambulatoriais com hemoptise de várias etiologias. Ruiz 1994, um ECR duplo-cego realizado no Peru, avaliou a eficácia do TXA intravenoso em 24 pacientes hospitalizados com hemoptise por tuberculose.

A combinação dos resultados mostrou uma redução significativa no tempo de hemorragia nos doentes que receberam TXA em comparação com os doentes que receberam placebo: diferença média ponderada (WMD) de -19,47, IC 95% -26,90 a -12,03 horas, com alta heterogeneidade (I² = 52%). O TXA não teve efeito sobre a remissão da hemoptise avaliada sete dias após o início do tratamento. Não houve relato de eventos adversos causados pelo mecanismo de ação da droga. Não houve diferença significativa na incidência de efeitos colaterais leves entre o grupo ativo versus placebo (OR 3,13; IC 95% 0,80 a 12,24).

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Bruno Lima). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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