Drogas antiepilépticas para a prevenção primária e secundária de convulsões após hemorragia subaracnoide

O objetivo desta revisão foi analisar se seria justificado o uso de rotineiro de medicação antiepiléptica na prevenção de crises convulsivas em pacientes que tiveram uma hemorragia subaracnoide (no cérebro). Isso inclui os pacientes que ainda não tiveram uma convulsão (prevenção primária) e aqueles que já tiveram uma convulsão (prevenção secundária).

Crises epilépticas são causadas por descargas rítmicas anormais dos neurônios dentro do cérebro levando a alterações involuntárias no movimento do corpo ou função, sensação, consciência ou comportamento. Após uma hemorragia subaracnoide, até 25% dos pacientes podem ter convulsões que seriam provocadas por uma lesão das células nervosas causadas pelo próprio sangue, pela formação de tecido cicatricial e pelo inchaço que se instala ao redor do local da hemorragia. Convulsões recorrentes descontroladas podem causar considerável morbidade e mortalidade, atrapalhando a recuperação neurológica dos pacientes e reduzindo sua qualidade de vida. Por outro lado, os efeitos colaterais da medicação antiepiléptica incluem diarreia, náuseas e vômitos, sonolência, vertigem, agitação, tremor, confusão e coceiras na pele. Estes efeitos precisam ser levados em conta quando o médico prescreve medicação antiepiléptica, uma vez que a própria medicação pode atrapalhar a recuperação neurológica e a reabilitação do paciente.

Até a presente data, não existe nenhum ensaio clínico randomizado comparando drogas antiepilépticas versus placebo para pacientes que tiveram uma hemorragia subaracnoide. Alguns estudos retrospectivos sugerem piores desfechos em pacientes que tomaram doses elevadas de medicamentos antiepiléticos por um longo tempo, conforme explicado na revisão. Porém esses estudos não podem ser considerados evidência suficientemente robusta para apoiar o uso rotineiro desses medicamentos na prática clínica.

Atualmente, não há evidências suficientes para justificar o uso rotineiro de medicação antiepiléptica para a prevenção primária e secundária de convulsões após uma hemorragia subaracnoide. Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego comparando medicação antiepiléptica com placebo iria ajudar a esclarecer esta importante questão.

Conclusão dos autores: 

Não existem evidências para apoiar ou refutar o uso de drogas antiepilépticas para a prevenção primária ou secundária de convulsões decorrentes de hemorragia subaracnoide. Estudos bem desenhados são urgentemente necessários para poder orientar a prática clínica.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Pacientes que sofreram uma hemorragia subaracnoide podem ter convulsões de forma aguda e a longo prazo. Existem dúvidas quanto ao uso de drogas antiepilépticas (AEDs) na prevenção primária e secundária de convulsões após a hemorragia subaracnoide e atualmente não existe consenso a respeito deste tratamento.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos de AEDs para a prevenção primária e secundária de convulsões após hemorragia subaracnoide.

Estratégia de busca: 

As seguintes bases de dados eletrônicas foram pesquisadas: Cochrane Epilepsy Group Specialised Register, o Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (2013, Issue 1) no The Cochrane Library e MEDLINE (1946 a 12 de março de 2013). Pesquisamos também as listas de referências dos artigos identificados através das buscas.

Critérios de seleção: 

Incluímos nesta revisão todos os ensaios clínicos randomizados e quasi-randomizados que trataram pacientes com um ou mais AEDs ou placebo.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores (RM e JK) independentemente selecionaram os estudos e avaliaram sua qualidade metodológica. Um autor extraiu os dados dos estudos incluídos e estes foram verificados pelo outro autor.

Resultados principais: 

Nenhum estudo relevante foi encontrado.

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