Exercícios aquáticos para pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica

Pergunta: procuramos comparar a segurança e a efetividade do treinamento com exercícios aquáticos (não incluindo a natação) em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) versus nenhum exercício ou um tipo diferente de exercício em termos de capacidade para o exercício e qualidade de vida.

Introdução: os exercícios realizados no chão (como a caminhada e o ciclismo) melhoram a capacidade para o exercício e a qualidade de vida em pessoas com DPOC. Os exercícios aquáticos são uma alternativa que pode ser interessante para a população idosa, para aqueles que não conseguem completar programas de exercícios no chão e pessoas com DPOC que também sofrem de outras problemas físicos e médicos. Nós não incluímos natação na revisão.

Características dos estudos: encontramos cinco estudos que haviam sido publicados até agosto de 2013. Eles incluíram um total de 176 participantes, sendo 71 pessoas que participaram de treinamentos com exercícios aquáticos, 54 pessoas que fizeram treinamentos com exercícios no chão e 51 pessoas que não realizaram treinamento algum. A média de idade dos participantes variou entre 57 a 73 anos. A duração dos programas de treinamento com exercícios aquáticos variou de 4 a 12 semanas e a frequência das sessões era de duas a três sessões por semana, com duração de 35 a 90 minutos cada. Os exercícios aquáticos foram desenhados para serem o mais semelhantes possível de exercícios realizados fora da água. Os tipos de exercícios mais comuns foram a caminhada, movimentos semelhantes ao ciclismo dentro da água, assim como treinamento de fortalecimento, mais utilizado com o uso de boias para aumentar a intensidade.

Resultados principais: os participantes que completaram o programa de treinamento com exercícios aquáticos conseguiram andar em média 371 metros a mais do que aqueles que não realizaram treinamento algum e 313 metros a mais do que aqueles que realizaram um programa de treinamento com exercícios fora da água. A qualidade de vida dos participantes que realizaram o treinamento aquático melhorou, e foi significantemente melhor em comparação com pessoas que não realizaram treinamento algum. Encontramos poucas informações que mostrassem que esses efeitos durariam por um longo período de tempo após o fim do treinamento. É necessário investigar melhor o efeito da gravidade da DPOC em relação aos benefícios do treinamento com exercícios aquáticos. Dois estudos relataram eventos adversos; um evento adverso leve foi documentado (entre 20 pessoas que participaram do treinamento com exercícios aquáticos).

Qualidade da evidência: a qualidade da evidência que contribuiu para esses resultados foi em geral baixa a moderada. Isso ocorreu principalmente devido à baixa qualidade dos desenhos dos estudos e à falta de dados.

Conclusão dos autores: 

Existe evidência de qualidade limitada de que os exercícios aquáticos são seguros e melhoram a aptidão para o exercício e a qualidade de vida de pessoas com DPOC imediatamente após o treinamento. Existe evidência de qualidade limitada de que os exercícios aquáticos oferecem vantagens em comparação com o treinamento com exercícios realizados no chão em relação à melhora da capacidade de resistência para o exercício, mas ainda existem incertezas sobre a melhora na qualidade de vida. Existe pouca evidência examinando os efeitos a longo prazo do treinamento com exercícios aquáticos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Exercícios baseados no chão melhoram a capacidade de se exercitar e a qualidade de vida das pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Os exercícios aquáticos são uma alternativa de treinamento físico atraente para pessoas mais velhas que frequentam programas de reabilitação pulmonar, para pessoas que não conseguem fazer exercícios no chão e pessoas com DPOC que têm outras comorbidades físicas e outros problemas de saúde.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos dos exercícios aquáticos em pessoas com DPOC.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos a base de dados Cochrane Airways Group Specialised Register of Trials, que contém estudos que foram obtidos através de buscas sistematizadas do Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, EMBASE, CINAHL, AMED e PsycINFO (desde a criação até agosto de 2013). Fizemos buscas manuais nas listas de referências dos estudos relevantes para identificar estudos adicionais.

Critérios de seleção: 

Os autores de revisão incluíram estudos controlados randomizados e quasi-randomizados nos quais os exercícios aquáticos eram feitos durante pelo menos quatro semanas, comparados com nenhum treinamento ou qualquer outro tipo de exercício em pessoas com DPOC. A natação foi excluída.

Coleta dos dados e análises: 

Utilizamos os procedimentos metodológicos padronizados pela Colaboração Cochrane.

Resultados principais: 

Cinco estudos foram incluídos, com um total de 176 participantes (71 pessoas nos grupos de exercícios aquáticos e 54 nos grupos de exercícios no chão; 51 pessoas não fizeram exercícios). Todos os estudos compararam os exercícios aquáticos supervisionados versus o exercícios no chão e/ou nenhum treinamento em pessoas com DPOC (com uma média do volume expiratório forçado em um segundo, FE1, variando entre 39% a 62% da porcentagem prevista). O número de participantes por estudo variou entre 11 e 53 pessoas. A duração dos programas de exercícios variou de 4 a 12 semanas, e a média de idade dos participantes variou entre 57 e 73 anos. Alguns estudos foram classificados como tendo moderado risco de viés porque não explicavam detalhes dos procedimentos de randomização, alocação e cegamento e também devido ao pequeno número de participantes.

Comparado com nenhum exercício, os exercícios aquáticos melhoraram a distância percorrida em seis minutos de caminhada (diferença média, DM, de 62 metros, intervalo de confiança de 95%, 95% CI, de 44 a 80 metros, três estudos, 99 participantes, qualidade da evidência moderada), a distância caminhada com carga progressiva (DM 50 metros, 95% CI de 20 a 80 metros, um estudo, 30 participantes, evidência de alta qualidade) e a resistência da distância percorrida (DM 371 metros, 95% CI de 121 a 621 metros, um estudo, 30 participantes, evidência de alta qualidade). A qualidade de vida também melhorou após o treinamento com exercícios aquáticos em comparação com nenhum exercício (diferença média padronizada, DMP, de -0.97, 95% CI de -0.37 a -1.57, dois estudos, 49 participantes, qualidade de evidência baixa). Em comparação com o treinamento no chão, o treinamento com exercícios aquáticos não mudou significativamente o resultado no teste da distância caminhada em seis minutos (DM de 11 metros, 95% CI de -11 a 33 metros, três estudos, 62 participantes, qualidade da evidência moderada) ou no teste da distância caminhada incremental com obstáculos (DM 9 metros, 95% CI de -15 a 34 metros, dois estudos, 59 participantes, qualidade da evidência baixa). Entretanto, a resistência da caminhada percorrida melhorou com o treinamento com exercícios aquáticos quando comparados com os exercícios no chão (DM 313 metros, IC 95% 232 a 394 metros, dois estudos, 59 participantes, qualidade da evidência moderada). Nenhuma diferença significativa foi encontrada entre o treinamento de exercícios aquáticos e exercícios terrestres para a qualidade de vida, mensurada com o questionário respiratório St. George ou por três dos quatro domínios do Questionário para Doenças Respiratórias Crônicas (CRDQ); entretanto, houve uma diferença estatisticamente significante no domínio de fadiga do CRDQ a favor dos exercícios aquáticos (DM -3.00; IC 95% -5.26 a -0.74; um estudo; 30 participantes). Somente um estudo relatou desfechos a longo prazo depois do treinamento com exercícios aquáticos para qualidade de vida e composição corporal, e nenhuma mudança significativa foi observada entre os resultados no início da intervenção e após seis meses de acompanhamento. Um evento adverso leve foi relatado para o treinamento com exercícios aquáticos (baseado nos relatos de dois estudos; 20 participantes). Devido à falta de dados, não foi possível avaliar o impacto da intervenção sobre a gravidade da doença.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra Tristão Parra).

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