Exercícios para a osteoartrite de quadril

Introdução – o que é osteoartrite de quadril e o que é exercício?

Osteoartrite é uma doença das articulações, como o quadril. Quando a articulação perde a cartilagem, o osso cresce para tentar reparar o dano. Entretanto, ao invés de melhorar as coisas, o osso cresce de forma anormal e torna as coisas piores. Por exemplo o osso começa a ficar disforme e torna a articulação dolorosa e instável. Os médicos pensavam que a osteoartrite era apenas causada pelo do afinamento da cartilagem. Mas agora se sabe que a osteoartrite é uma doença de toda a articulação.

A osteoartrite é uma das formas mais comuns de artrite e afeta tanto os homens como as mulheres. Essa doença é uma das maiores causas de incapacidade das pessoas quando envelhecem.

Exercício é qualquer atividade que melhora ou mantém a força muscular, a aptidão física e a saúde em geral. As pessoas se exercitam por diversas razões, incluindo a perda de peso, o fortalecimento muscular e o alívio de sintomas da osteoartrite.

Características do estudo

Este resumo de uma atualização de uma revisão Cochrane apresenta o que sabemos das pesquisas sobre o efeito do exercício para pessoas com osteoartrite de quadril. Depois de buscar todos os estudos relevantes até fevereiro de 2013, nós incluímos cinco novos estudos que foram publicados desde a última versão da revisão, somando 10 estudos (549 participantes). A maioria dos participantes desses estudos tinha osteoartrite sintomática (leve a moderada) apenas do quadril ou junto com osteoartrite de joelho. Exceto por um estudo, no qual os participantes fizeram um programa de tai chi, todos os outros pacientes participaram de programas de exercícios realizados no chão que consistiam de fortalecimento muscular tradicional, treinamento funcional e programas aeróbicos, com supervisão individual ou em grupo, em comparação com pessoas que não se exercitaram.

Resultados principais

Dor em uma escala de 0 a 100 pontos (o menor valor significa a dor reduzida):

- As pessoas que completaram um programa de exercício tiveram 8 pontos a menos (variando de 4 a 11 pontos a menos) na escala de dor ao final do tratamento (8% de melhora absoluta) em comparação com pessoas que não se exercitaram.

- As pessoas que completaram um programa de exercício pontuaram sua dor em 21 pontos.

- As pessoas que não se exercitaram pontuaram sua dor em 29 pontos.

Função física em uma escala de 0 a 100 pontos (o menor valor significa melhor função física):

- As pessoas que completaram um programa de exercício tiveram 7 pontos a menos (variando de 1 a 12 pontos a menos) na função física ao final do tratamento (7% de melhora absoluta) em comparação com aquelas que não se exercitaram.

- As pessoas que completaram um programa de exercício pontuaram a sua função física em 22 pontos.

- As pessoas que não se exercitaram tiveram uma pontuação de 29 pontos.

Qualidade de vida (maior pontuação significa maior qualidade de vida):

- Em geral, pessoas com osteoartrite de quadril que participaram nos estudos tiveram qualidade de vida similar em comparação com a população em geral (em média 50 pontos), e não houve melhora na qualidade de vida pela participação no programa de exercício: 0 pontos a mais.

- As pessoas que completaram um programa de exercício pontuaram a qualidade de vida em 50 pontos numa escala populacional com base normativa.

- As pessoas que não se exercitaram pontuaram a qualidade de vida em 50 pontos numa escala populacional com base normativa.

Abandono do estudo

- Três pessoas a mais entre 100 desistiram do programa de exercício (1% aumento absoluto).

- Seis a cada 100 pessoas no grupo de exercícios desistiram do estudo.

- Três a cada 100 pessoas que não se exercitaram desistiram do estudo.

Qualidade da evidência

Esta revisão mostrou que há evidência de alta qualidade de que, em pessoas com osteoartrite de quadril, o exercício reduz um pouco a dor e melhora um pouco a função física. É improvável que novos estudos modifiquem esses resultados.

Evidência de baixa qualidade indica que o exercício não melhora a qualidade de vida nessa população. É possível que novos estudos venham modificar esses resultados.

Evidência de qualidade moderada indica que o exercício provavelmente não aumenta a taxa de abandono das participantes dos estudos. Mais pesquisas podem mudar esta conclusão.

Nós não encontramos informações precisas sobre os efeitos adversos dos exercícios nos participantes, tais como lesões ou quedas durante o exercício, mas acreditamos que esses casos sejam raros, e nenhuma lesão foi relatada nos estudos.

Conclusão dos autores: 

A combinação dos resultados desses 10 ECR demonstrou que os programas de exercícios terapêuticos no chão podem reduzir a dor e aumentar a função física das pessoas com osteoartrite sintomática de quadril.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As atuais diretrizes internacionais que recomendam o exercício terapêutico para pessoas com osteoartrite de quadril sintomática são baseadas em evidências limitadas.

Objetivos: 

Avaliar se os exercícios terapêuticos no chão são benéficos para pessoas com osteoartrite no quadril para redução da dor articular e para melhorar a função física e a qualidade de vida.

Estratégia de busca: 

Nós procuramos cinco bases de dados desde a criação delas até fevereiro de 2013.

Critérios de seleção: 

Selecionamos todos os ensaios clínicos randomizados (ECR) que recrutaram pessoas com osteoartrite no quadril e que compararam alguma forma de exercício terapêutico realizado no chão (em vez de exercícios realizados na água) com um grupo que não realizou exercícios.

Coleta dos dados e análises: 

Quatro autores da revisão selecionaram os estudos para inclusão independentemente. As discordâncias foram resolvidas através de consenso. Dois autores de revisão extraíram os dados independentemente, avaliaram o risco de viés e a qualidade do corpo de evidência para cada desfecho usando o método GRADE. Fizemos análises para desfechos contínuos (dor, função física e qualidade de vida) e dicotômicos (proporção de perdas de participantes nos estudos).

Resultados principais: 

Sete dos 10 ECR foram classificados como tendo baixo risco de viés. Entretanto, os resultados podem estar sujeitos aos vieses de performance e de detecção, já que não foi possível cegar os participantes dos ECR quanto ao grupo de alocação; e, embora a maioria dos ECR tenha relatado cegamento nas avaliações dos desfechos, a dor, função física e a qualidade de vida eram relatadas pelos próprios participantes. Um dos 10 ECRs era apenas um resumo de congresso e não apresentou dados suficientes para a avaliação do risco de viés.

Evidência de alta qualidade proveniente de nove estudos (549 participantes) indicou que o exercício reduziu a dor (diferença de média padronizada, DMP, – 0,38, intervalo de confiança de 95%, 95% CI de -0,55 a -0,20) e melhorou a função física (DMP -0,38, 95% CI -0,54 a -0,05) imediatamente após o tratamento. O grupo controle teve uma pontuação de 29 para dor e função física em uma escala de 0 a 100 pontos (onde 0 significa ausência de dor ou de perda de função física; o exercício reduziu a dor em 8 pontos (95% CI 4 a 11 pontos; número necessário para tratar para um benefício adicional no desfecho, NNTB, de 6) e melhorou a função física em 7 pontos (95% CI 1 a 12 pontos; NNTB 6). Somente três estudos pequenos (183 participantes) avaliaram a qualidade de vida e o exercício não teve nenhum benefício evidente sobre esse desfecho, segundo evidência de baixa qualidade (DMP -0,07, 95% CI -0,23 a 0,36). Na população geral do grupo controle, a qualidade de vida foi estimada em 50 pontos em média, baseada em uma curva de normalidade (10, desvio padrão-DP); o exercício não melhorou a qualidade de vida (0 pontos). Com base em evidência de moderada qualidade proveniente de sete estudos (715 participantes), verificou-se que houve maior probabilidade de abandono do estudo no grupo alocado ao exercício (taxa de evento de 6%) em comparação com o grupo controle (taxa de evento de 3%), mas essa diferença não foi significante (diferença de risco, 1%; 95% CI -1% a 4%). Cinco estudos relataram eventos adversos, sendo que cada um relatou somente um ou dois eventos, e todos eram relacionados ao aumento da dor atribuído ao programa de exercícios.

A redução da dor foi mantida por pelo menos três a seis meses depois do final do tratamento monitorado (cinco ECR, 391 participantes): dor (DMP -0,38, 95% CI -0,58 a -0,18). O escore de dor foi de 29 pontos na escala de 0 a 100 pontos (0 significa ausência de dor) no grupo controle; houve redução da intensidade da dor em 8 pontos (95% CI 4 a 12 pontos) em comparação com o grupo controle (0 a 100 pontos). A melhora da função física também se prolongou (cinco ECR, 367 participantes): função física (DMP -0,37, 95% CI -0,57 a -0,16). No grupo controle, a função física foi de 24 pontos em uma escala de 0 a 100 pontos (0 significava nenhuma perda da função física); no grupo de intervenção, houve redução média de 7 pontos (95% CI 4 a 13) nesse desfecho em comparação com o grupo controle.

Somente cinco dos 10 ECRs recrutaram exclusivamente pessoas com osteoartrite de quadril sintomática (419 participantes). Não houve diferença significante nos desfechos dor ou função física em comparação com os cinco estudos que recrutaram participantes com osteoartrite de quadril ou joelho (130 participantes).

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra Tristão Parra).

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