As pessoas com traumatismo abdominal penetrante devem receber antibióticos profiláticos?

Há mais de meio século, antibióticos são administrados a pacientes que sofrem uma lesão penetrante na cavidade abdominal. Eles são dados para tentar reduzir os riscos de desenvolver infecção da ferida operatória, infecção intra-abdominal, ou de morrer. Esta revisão buscou avaliar se essa prática é ou não apoiada por evidências médicas.

Não encontramos nenhum ensaio clínico randomizado controlado (um tipo de estudo) que preenchesse os critérios de inclusão desta revisão. Portanto, não há evidência para apoiar ou refutar inequivocamente esta prática. Isso significa que as diretrizes atuais são baseadas na opinião de especialistas em vez de fatos.

Recomendamos que seja feito um ensaio clínico randomizado controlado para avaliar quais pacientes iriam se beneficiar da antibioticoprofilaxia e quais não. Espera-se que isso resulte em menos uso desnecessário de antibióticos e, portanto, em menor resistência aos mesmos.

Conclusão dos autores: 

Atualmente, não há dados provenientes de ensaios clínicos randomizados controlados para apoiar ou refutar a antibioticoprofilaxia em pacientes com traumatismo abdominal penetrante.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

O traumatismo abdominal penetrante ocorre quando a cavidade peritoneal é invadida. A laparotomia de rotina para lesões abdominais penetrantes começou no século XIX. A partir da Segunda Guerra Mundial, os antibióticos começaram a ser usados para combater as complicações sépticas associadas a esses casos. Esta conduta foi associada a uma grande redução da mortalidade e morbidade relacionadas à septicemia. Porém, a antibioticoprofilaxia para prevenir complicações infecciosas após traumatismo abdominal penetrante é controversa, uma vez que, até hoje, não há ensaios clínicos randomizados publicados sobre esse tema. Além disso, também tem havido debate sobre o momento ideal da antibioticoprofilaxia. Em 1972, Fullen relatou que a taxa de infecção pós-operatória foi de 7% a 11% com o uso de antibióticos no pré-operatório, de 33% a 57% com a administração intra-operatória, e de 30% a 70% nos pacientes que receberam antibióticos apenas no pós-operatório. As diretrizes atuais afirmam que existe evidência classe I suficiente para apoiar a administração de uma única dose pré-operatória de antibióticos de amplo espectro, com cobertura aeróbica e anaeróbica, e sua continuação (por até 24 horas) apenas nos pacientes com perfuração de víscera oca na laparotomia exploratória.

Objetivos: 

Avaliar os benefícios e danos da antibioticoprofilaxia para lesões abdominais penetrantes para reduzir a incidência de complicações sépticas, tais como septicemia, abcessos intra-abdominais e infecções da ferida operatória.

Métodos de busca: 

A busca foi realizada sem limites de data, idioma, ou status de publicação. Fizemos buscas nos seguintes bancos de dados eletrônicos: the Cochrane Injuries Group Specialised Register, CENTRAL (The Cochrane Library 2019, issue 7 de 12), MEDLINE (OvidSP), Embase (OvidSP), ISI Web of Science: Science Citation Index Expanded (SCI-EXPANDED), ISI Web of Science: Conference Proceedings Citation Index- Science (CPCI-S) e PubMed. A última busca foi feita em 23 de julho de 2019.

Critério de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados controlados que comparavam antibioticoprofilaxia versus placebo ou não usar antibioticoprofilaxia em pacientes com traumatismo abdominal penetrante.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, avaliaram os resultados da busca bibliográfica.

Principais resultados: 

Não identificamos nenhum estudo que preenchesse os critérios de inclusão desta revisão.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Josikwylkson Costa Brito e Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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