Tratamento aberto versus fechado de dentes caninos mal posicionados no céu da boca

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Os caninos geralmente erupcionam, no maxilar superior, entre os 11 e 12 anos de idade. Em 2 a 3% da população, esses dentes não nascem e ficam alojados no céu da boca (palato), e, assim, esses são tidos como "palatinamente impactados". A impacção desses dentes pode causar dano às raízes dos dentes vizinhos e esse dano pode ser tão severo que pode levar à perda de tais dentes. O tecido em volta desses caninos impactados pode se transformar num cisto. A impacção desses dentes pode, também, levar a problemas estéticos.
O tratamento desse problema é demorado e caro e envolve a exposição cirúrgica, seguida de aparelho fixo por 2 a 3 anos, até trazer o canino a sua posição correta. Duas técnicas para expor os caninos no céu da boca são usadas rotineiramente no Reino Unido: um método (técnica fechada) envolve a exposição cirúrgica do dente, a colagem de um acessório no dente exposto e o reposicionamento do retalho palatino. Logo após a cirurgia, um aparelho ortodôntico é usado para aplicar forças suaves para trazer o canino a sua posição correta no arco dentário. O canino se move, abaixo da mucosa, até a sua posição. Um método alternativo (técnica aberta) consiste em expor cirurgicamente o canino, como antes, mas, em vez de colar um acessório no dente exposto, remover uma janela de tecido e colocar um curativo para cobrir a área exposta. Aproximadamente 10 dias depois, esse curativo é removido e é permitido ao canino erupcionar normalmente. Uma vez que o canino tenha erupcionado o suficiente para que um acessório ortodôntico seja colado em sua superfície, o tratamento ortodôntico é iniciado para trazer o dente em posição. O canino se move, acima da mucosa, até sua posição correta.
Essa revisão revelou que, atualmente, não há evidências que suportem ser um tratamento melhor que o outro, em termos de saúde dentária, estética, economia e fatores relacionados ao paciente. Até que sejam conduzidos estudos clínicos de qualidade, com participantes alocados de maneira aleatória aos dois grupos de tratamento, caberá ao cirurgião e ao ortodontista escolher o melhor método de exposição dos caninos.

Conclusão dos autores: 

Essa revisão mostrou que, atualmente, não há evidências que suportem ser uma técnica superior a outra, em termos de saúde dentária, estética, economia e fatores do paciente. Até que estudos clínicos de alta qualidade, com pacientes alocados de maneira aleatória aos dois grupos de tratamento, sejam conduzidos, o método de exposição dos caninos ficará a critério do cirurgião e do ortodontista.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Caninos palatinizados são dentes caninos permanentes que foram deslocados para o céu da boca. Eles são uma anomalia que acontece com frequência, estando presentes em 2 a 3% da população. O tratamento desse problema é demorado e caro e envolve a exposição cirúrgica, seguida pelo uso de aparelho fixo por 2 a 3 anos, até alinhar o canino com o arco dentário. Duas técnicas para a exposição de caninos palatinizados são rotineiramente usadas no Reino Unido: uma (fechada) que consiste em movimentar ortodonticamente o canino, abaixo da mucosa, até sua posição ideal , e outra (aberta) que consiste em movimentar ortodonticamente o canino, acima da mucosa, até sua posição ideal.

Objetivos: 

Estabelecer se há diferença, quanto a desfechos clínicos, econômicos e voltados ao paciente, entre a exposição aberta e fechada de caninos palatinizados.

Estratégia de busca: 

MEDLINE, EMBASEm o Registro Central Cochrane de Estudos Controlados (CENTRAL) e o Registro de Estudos do Grupo Cochrane de Saúde Oral foram consultados (a 29 de Fevereiro de 2008). Não houve restrições quanto ao status da publicação ou à língua.

Critérios de seleção: 

Pacientes com necessidade de tratamento cirúrgico para a correção de caninos superiores impactados no palato. Não houve restrições quanto à idade, maloclusão presente ou tipo de tratamento ortodôntico ativo empregado. Caninos mal posicionados unilaterais e bilaterais foram incluídos.

Estudos que incluíam pacientes com deformidades/síndromes craniofaciais foram excluídos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão avaliaram os estudos, de maneira independente e em duplicata, para inclusão. As orientações estatísticas da Cochrane Collaboration foram seguidas para a síntese dos dados.

Resultados principais: 

Não foram encontrados estudos que atendessem aos critérios de inclusão.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Leonardo A. R. Righesso, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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