Casas de gestantes para melhorar desfechos maternos e neonatais em países com baixos recursos

Em muitas regiões do mundo, o risco de uma mulher morrer devido a complicações da gravidez e do parto ainda é muito alto. As principais causas diretas de morte materna e perinatal são os abortos inseguros, a eclâmpsia, a hemorragia, o trabalho de parto obstruído, as infecções e a sepse. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas se as complicações tivessem sido identificadas e tratadas precocemente. Nos lugares onde há muitas mortes, existe pouco uso dos serviços de saúde maternos, inclusive das consultas de pré-natal. Isso ocorre devido aos obstáculos que as mulheres enfrentam para ter acesso a esses serviços.

Uma casa de gestantes é uma instalação que fica próxima a um hospital ou a um centro de saúde que oferecem consultas de pré-natal e cuidados obstétricos de emergência. Além de hospedar as mulheres, as casas de gestantes podem também educar as hóspedes sobre assuntos de saúde como gravidez, parto e cuidados com o bebê. As mulheres com gestação de alto risco ou que moram muito longe do hospital ou do centro de saúde são encorajadas a ficar nas casas de gestantes no final das suas gravidezes. Existem diferenças entre um país e outro quanto aos cuidados e a ajuda disponíveis para as mulheres que ficam em casas de gestantes. Uma outra dificuldade para as mulheres aceitarem ficar em casas de gestantes é que os partos domiciliares custam menos (do que os partos nos hospitais). Além disso, muitas gestantes podem não querer ficar longe das suas famílias, que dependem dos seus cuidados, ou das suas plantações que são seu meio de subsistência.

Os autores desta revisão não conseguiram encontrar nenhum ensaio clínico randomizado individual ou por aglomerados (tipos de pesquisas) que tivesse avaliado os resultados maternos e dos bebês de mulheres que haviam ficado hospedadas em casas de gestantes em países com poucos recursos. Está claro que as mulheres que desenvolvem complicações obstétricas graves precisam de cuidados apropriados para não morrerem. Seis estudos retrospectivos de coorte populacional descreveram em termos gerais a efetividade das casas de gestantes para diminuir os riscos de morte materna e dos bebês antes do nascimento (óbito fetal). Esses estudos compararam mulheres que foram encaminhadas para casas de gestantes devido a fatores de risco versus mulheres que vieram ao hospital por outras razões. Os grupos controle desses estudos podem ter sido auto selecionados devido a catástrofes locais ou pela capacidade de as mulheres chegarem a tempo nos hospitais. Esses estudos não avaliaram os resultados dos partos das mulheres que ficaram nas suas casas. Não há evidências suficientes para embasar recomendações sobre a eficácia das casas de gestantes. É necessário fazer ensaios clínicos bem controlados.

Conclusão dos autores: 

Não há evidência suficiente sobre a efetividade das casas de gestantes para melhorar desfechos maternos e neonatais.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Uma casa de gestantes (CG) é uma instalação que fica próxima a um hospital ou centro de saúde que oferecem cuidados obstétricos de emergência (COE). As gestantes podem ficar hospedadas em CGs no final das suas gravidezes, aguardando o parto. Uma vez que o trabalho de parto se inicia, as mulheres que estão nas CGs são encaminhadas para as instalações de saúde próximas para serem assistidas por profissionais de saúde qualificados. O objetivo das CGs é melhorar a acessibilidade a cuidados qualificados e assim reduzir a morbidade e mortalidade da mãe e do neonato em caso de complicações. Alguns estudos relataram que as mulheres que ficaram em CGs tiveram desfechos maternos e neonatais favoráveis. Outros estudos apontaram que a utilização das CGs é baixa e que existem barreiras. Entretanto, a confiabilidade destes dados é limitada.

Objetivos: 

Avaliar o efeito das casas de gestantes sobre a saúde materna e perinatal.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register (27 de janeiro de 2012), CENTRAL (The Cochrane Library 2011, Issue 4 de 4), MEDLINE (1966 a janeiro de 2012), EMBASE (1980 a janeiro de 2012), CINAHL (1982 a janeiro de 2012), African Journals On-line (AJOL) (janeiro de 2012), POPLINE (janeiro de 2012) e Dissertation Abstracts (janeiro de 2012). Também fizemos buscas nas listas de referências dos artigos recuperados.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECR) ou quasi randomizados ou tipo cluster, que comparavam desfechos perinatais e maternos em mulheres que ficaram em CGs versus mulheres que não ficaram em CGs.

Coleta dos dados e análises: 

A busca não identificou nenhum ECR, quasi randomizado ou tipo cluster.

Resultados principais: 

A busca não identificou nenhum ECR, quasi randomizado ou tipo cluster.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane South Africa e Cochrane Africa em parceria com o Cochrane Brazil (Geoffrey Dama Caetano Madeira e Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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