Analgesia epidural para cirurgia cardíaca

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O uso de analgesia epidural torácica (AET) em cirurgia cardíaca é controverso. A AET possui uma alta qualidade para alívio da dor e pode reduzir alguns efeitos adversos que estão associados a cirurgia cardíaca. Em associação com esses potencias benefícios existe o medo amplamente difundido de que a AET possa causar um sangramento para o espaço epidural (hematoma). Nos conduzimos uma revisão de estudos clínicos para comparar o efeito da anestesia geral (AG) sozinha com AG em combinação com epidural sobre as principais complicações em paciente submetidos à cirurgia cardíaca eletiva. Nós identificamos 5035 títulos, dos quais 31 publicações atenderam a todos os critérios de inclusão. Essas 31 publicações reportaram um total de 3047 patientes, sendo 1578 pacientes sob AG e 1469 pacientes com AG associada a AET. Não houve diferença estatística significante nos riscos de morte, ataque cardíaco e acidente vascular cerebral, entretanto a nossa análise mostrou uma redução com significância estatística do risco de arritmias e complicações pulmonares. Em virtude disso, nossos achados devem ser vistos com cuidado. A analgesia epidural em cirurgia cardíaca permanece controversa, com ausência de um efeito grande o suficiente ou com significância estatística sobre a mortalidade, acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio, enquanto que os riscos não são claros.

Conclusão dos autores: 

Esta meta-análise dos estudos identificada até 2010 mostrou que o uso de AET em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio pode reduzir o risco de arritmias supraventriculares e complicações respiratórias no pós-operatório. Não existe nenhum efeito da AET associado a AG sobre o risco de mortalidade, infarto do miocárdio ou complicações neurológicas comparados com AG apenas.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Uma combinação de anestesia geral (AG) com analgesia epidural torácica (AET) pode ter um efeito benéfico com resultados clínicos por reduzir o risco de complicações peri operatórias apos a cirurgia cardíaca.

Objetivos: 

O objetivo dessa revisão foi determinar o impacto peri-operatório da analgesia epidural em cirurgia cardíaca sobre a mortalidade e sobre a morbidade cardíaca, pulmonar ou neurológica. Nós realizamos uma meta-análise para comparar o risco de eventos adversos e mortalidade em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca sobre anestesia geral com e sem analgesia epidural.

Estratégia de busca: 

Nós buscamos a Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (2012, Volume 12) na Biblioteca Cohcrane, MEDLINE (Pubmed) (1966 até novembro de 2012); EMBASE (1989 até novembro de 2012); CINHAL(1982 até novembro de 2012) e a Science Citation Índex (1988 até novembro de 2012).

Critérios de seleção: 

Nós incluímos ensaios clínicos randomizados comparando resultados em pacientes adultos submetidos a cirurgia cardíaca apenas sob AG ou sob AG combinada com AET.

Coleta dos dados e análises: 

Todas as publicações encontradas durante as busca foram manualmente e independentemente revisadas pelos dois autores. Nós identificamos 5035 títulos, dos quais 4990 estudos não satisfizeram os critérios de seleção ou eram publicações duplicadas, que foram obtidos das cinco diferentes bases de dados. Nós realizamos uma revisão completa em 45 estudos, dos quais 31 publicações tinham todos os critérios de inclusão. Essas 31 publicações reportaram total de 3047 pacientes, 1578 com AG e 1469 pacientes com AG associado à AET

Resultados principais: 

Através de nossas buscas (até novembro de 2012) nós havíamos identificado 5035 títulos, dos quais 31 publicações apresentavam nossos critérios de inclusão de reportaram um total de 3047 pacientes. Comparado com AG, o risco relativo para pacientes recebendo AG com AET mostrou uma odds ratio de 0,84 (95%, com intervalo confiança 0,33 a 2,13, 31 estudos) para mortalidade; 0,76(95%, com intervalo de confiança de 0,49 até 1,19, 17 estudos) para infarto do miocárdio e 0,50 (95%, com intervalo e confiança 0,21 a 1,18, 10 estudos) para acidente vascular cerebral. O risco relativo (RR) para complicações respiratórias e arritmias supraventriculares foram 0,68 (95%, com intervalo de confiança de 0,54 a 0,86, 14 estudos) e 0,65 (95%, com intervalo de confiança de 0,50 a 0,86, 15 estudos), respectivamente.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Elio Ferreira de Oliveira Junior) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD006715

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