Efeito dos agentes anestésicos no mapeamento cortical durante procedimentos neurocirurgicos envolvendo áreas eloquentes do cérebro.

Existem discretas áreas no cérebro que são responsáveis pelo sensibilidade (sensorial), controle dos movimentos (motor) e funções de linguagem. Em paciente submetidos à ressecção de lesões envolvendo, ou adjacentes a estas áreas, é importante conseguir o máximo de ressecção sem causar danos às áreas funcionais (tecido cerebral normal). Propriedades eléricas do cérebro são frequentemente monitorizadas durantes estes procedimentos cirúrgicos para idenficar precisamente estas áreas funcionais. Essas técnicas são chamadas de mapeamento eletrofisiológico. Agentes anestéticos são conhecidos por afetar as ténicas de mapeamento. Os autores desta revisao objetivaram identificar e avaliar ensaios clínicos controlados randomizados (ECCR) que avaliaram o efeito de agentes anestésicos no mapeamento eletrofisiológico das áreas funcionais cerebrais. Não encontramos nenhum ECCRs. Boa evidência de qualidade é necessária e assim a necessitamos de ECCRs bem desenhados para determinar os efeitos dos agentes anestésicos no mapeamento eletrofisiológico cerebral nesta população cirúrgica específica.

Conclusão dos autores: 

Esta revisão enfatiza a necessidade de ensaios clínicos controlados randomizados bem elaborados, para avaliar os efeitos dos agentes anestésicos durante o mapeamento cortical em procedimentos neurocirúrgicos em áreas cerebrais eloquentes.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Em pacientes submetidos à ressecções cirúrgicas de lesões envolvendo, ou adjacentes à, áreas corticais funcionalmente eloquentes, é vital a remoção completa, ou próximo de completa, da patologia, sem danos aos tecidos saudáveis adjacentes. As áreas eloquentes que os cirurgiões se preocupam são a área motora primária, córtex premotor, córtex motor suplementar e áreas da fala. Se as lesões encontram-se dentro destas regiões, o cirurgião pode fazer tanto uma biópsia como uma descompressão intracapsular, sem causar danos às áreas mencionadas, evitando déficit pós-operatório. Se as lesões encontram-se adjacentes às áreas mencionadas, a anatomia normal pode estar distorcida. Entretanto, a adequada identificação das áreas mencionadas acima possibilitaria ao cirurgião a remoção radical dos tumores. O mapeamento cortical intraoperatório através da estimulação e eletrodos de captação são denominados de mapeamento eletrofisiológico (EF). O mapeamento EF do córtex motor, sensorial e de linguagem é amplamente empregado na ressecção de lesões envolvendo ou adjacentes às áreas eloquentes. Tanto agentes intravenosos como inalatórios são conhecidos por afetar as técnicas de mapeamento EF.

Objetivos: 

O objetivo desta revisão foi avaliar o efeito dos agentes anestésicos no mapeamento EF intraoperatório em pacientes submetidos à procedimentos neurocirúrgicos envolvendo, ou adjacentes à áreas funcionais corticais, durante anestesia geral.

Estratégia de busca: 

Buscamos no Cochrane Epilepsy Group Specialized Register (7 de Março d 2011), The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL Edição 1 de 4, The Cochrane Library 2011), MEDLINE (Ovid, 1948 à Fevereiro, semana 4 de 2011), PsycINFO (EBSCOhost, 7 de Março de 2011), e no National Research Register Archive and UK Clinical Research Network (7 de Marco de 2011). Ainda contactamos outros pesquisadores na área do tema, na tentativa de encontrarmos trabalhos não publicados.

Critérios de seleção: 

Planejamos incluir ensaios clínicos controlados randomizados ou quasi-randomizados independente de serem cegos, com pacientes de quaisquer idade ou sexo, submetidos a neurocirurgia sob anestesia geral, onde mapeamento cortical em áreas eloquentes era realizado usando potenciais evocados somatosensoriais (PESS), ou estimulação cortical direta (ECD), desencadeando potenciais evocados motores (PEM), ou ambos. 

Excluímos pacientes de estudos onde efeitos dos anestésicos foram avaliados durante cirurgia espinal ou onde PEMs foi gravado de métodos que não a estimulação cortical direta, como estimulação elétrica transcraniana, PEMs derivados de estimulações epidurais (ondas D) e estimulação magnética, e ensaios clínicos envolvendo craniotomias com paciente acordado ou despertar intraoperatório durante o mapeamento cortical.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores aplicaram, independentemente, os critérios de inclusão e realização extraíram os dados.

Resultados principais: 

Nenhum ECCRs foi encontrado com a população deste estudo.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Roberto Bezerra Vital, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da UNESP, Brasil. Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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