Fisioterapia respiratória para adultos com pneumonia

A pneumonia é um dos problemas de saúde mais comuns que atingem pessoas de qualquer idade, em todo o mundo. Os antibióticos são o principal tratamento da pneumonia, enquanto outros tratamentos geralmente são considerados como auxiliares. A fisioterapia respiratória tem sido muito utilizada como tratamento auxiliar para adultos com pneumonia, porém sem qualquer evidência confiável.

Seis ensaios clínicos randomizados avaliando 434 participantes foram incluídos nesta revisão. Os estudos avaliaram quatro tipos de fisioterapia respiratória, denominadas fisioterapia respiratória convencional, manipulação osteopática (que inclui inibição paraespinhal, elevação das costelas e liberação miofascial ou diafragmática), técnicas de ciclo ativo da respiração (que incluem controle ativo da respiração, exercícios de expansão torácica e técnicas de expiração forçada) e pressão expiratória positiva. Nenhuma dessas técnicas (versus ausência de fisioterapia ou tratamento placebo) reduz a mortalidade. Não há evidência de que três das técnicas (fisioterapia respiratória convencional, manipulação osteopática e técnicas de ciclo ativo da respiração) melhorem a taxa de cura em comparação com ausência de fisioterapia ou tratamento placebo. Existem evidências limitadas de que a pressão expiratória positiva (versus ausência de fisioterapia) e a manipulação osteopática (versus tratamento placebo) podem reduzir significativamente a duração da internação hospitalar (em 2, 02 a 1,4 dias, respectivamente). Adicionalmente, pressão expiratória positiva (versus ausência de fisioterapia) pode reduzir um pouco a duração da febre em 0,7 dias, e a manipulação osteopática (versus tratamento placebo) pode reduzir a duração do uso do antibióticos em 1,93 dias. Não foram identificados eventos adversos graves.

Em resumo, a fisioterapia respiratória não deve ser recomendada como tratamento adjuvante de rotina para adultos com pneumonia. A limitação da nossa revisão é que existem seis estudos publicados que aparentemente preenchem os critérios de inclusão e que estão aguardando classificação (cinco desses estão em russo).

Conclusão dos autores: 

Com base nas evidências atuais, que são limitadas, a fisioterapia respiratória pode não ser recomendada de rotina como tratamento adicional em pacientes adultos com pneumonia.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Apesar das evidências conflitantes, a fisioterapia respiratória tem sido muito utilizada como tratamento adjuvante para adultos com pneumonia.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e segurança da fisioterapia respiratória para adultos com pneumonia.

Estratégia de busca: 

Nós realizamos as buscas nas seguintes bases de dados: CENTRAL 2012, Edição 11, MEDLINE (1966 à segunda semana de novembro de 2012), EMBASE (1974 a novembro de 2012), Physiotherapy Evidence Database (PEDro) (1929 a novembro de 2012), CINAHL (2009 a novembro de 2012) e CBM (1978 a novembro de 2012).

Critérios de seleção: 

Nós selecionamos ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram a eficácia da fisioterapia respiratória no tratamento de adultos com pneumonia.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram de forma independente a elegibilidade e a qualidade dos estudos e extraíram os dados. Os desfechos primários foram mortalidade e taxa de cura. Para a análise dos dados dos estudos individuais, usamos o risco relativo (RR) e diferença de média (MD). Realizamos metanálises e mensuramos todos os desfechos com intervalos de confiança de 95% (95% CI).

Resultados principais: 

Seis ECR (434 participantes) analisaram quatro tipos de fisioterapia respiratória: fisioterapia respiratória tradicional, manipulação osteopática (que inclui inibição paraespinhal, elevação das costelas e liberação miofascial), técnicas de ciclo ativo da respiração (que incluem controle ativo da respiração, exercícios de expansão torácica e técnicas de expiração forçada) e pressão expiratória positiva.

Nenhum dos tipos de fisioterapia (versus ausência de fisioterapia ou placebo) melhorou a mortalidade de adultos com pneumonia.

A fisioterapia respiratória convencional (versus ausência de fisioterapia), as técnicas de ciclo ativo da respiração (versus ausência de fisioterapia) e a manipulação osteopática (versus placebo) não melhoram a taxa de cura ou as taxas de melhora nas radiografias de tórax.

A manipulação osteopática (versus placebo) e a pressão expiratória positiva (versus ausência de fisioterapia) reduziram o tempo médio de internação hospitalar em 2,0 dias (MD -2,0 dias, 95% CI -3,5 a -0,6) e 1.4 dias (MD -1,4 dias, 95% CI -2,8 a -0,0), respectivamente. A fisioterapia respiratória convencional e técnicas de ciclo ativo da respiração não tiveram esse efeito.

A pressão expiratória positiva (versus ausência de fisioterapia) reduziu a duração de febre (MD -0,7 dias, 95% CI -1,4 a -0,0), mas a manipulação osteopática não teve esse efeito.

A manipulação osteopática (versus placebo) reduziu a duração da antibioticoterapia intravenosa (MD -2.1 dias, 95% CI -3,4 a -0,9) e a duração total do tratamento com antibióticos (MD -1,9 dias, 95% CI -3,1 a -0,7).

As limitações desta revisão incluem o pequeno tamanho amostral dos estudos que analisaram a manipulação osteopática e o fato de que existem seis estudos publicados, que aparentemente preenchem os critérios de inclusão, que ainda estão aguardando classificação.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Flávia Maria Ribeiro Vital)

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