Intervenções no local de trabalho para asma ocupacional

Em muitos países, a asma ocupacional é a doença respiratória relacionada ao trabalho mais frequente. Esta doença é definida como asma que é causada por uma exposição específica a certas substâncias e não a fatores fora do local de trabalho. Em uma revisão recente, o risco populacional atribuível para asma de início na idade adulta causada por exposição ocupacional era de 17.6%. A asma ocupacional pode piorar a qualidade de vida, aumentar faltas no trabalho e ter um alto custo para o paciente, para o empregador e para a sociedade. O afastamento precoce e completo do paciente à exposição tem sido apontado como sendo importante para o prognóstico da asma ocupacional, segundo vários artigos e revisões. Porém esta conduta não é aceita universalmente como uma parte importante do manejo desses pacientes.

Vinte e um artigos foram incluídos nesta revisão, apresentando os resultados de 29 estudos que usaram três tipos diferentes de intervenções, envolvendo um total de 1447 participantes. Quinze estudos compararam trabalhadores que foram afastados por completo da exposição com trabalhadores que continuaram a ser expostos de forma persistente. Em outros seis estudos, a diminuição da exposição foi comparada com a exposição persistente e os outros oito estudos compararam trabalhadores que foram afastados completamente da exposição versus trabalhadores em que a exposição foi diminuida. Os desfechos foram sintomas de asma e função pulmonar no acompanhamento dos participantes. A qualidade geral dos estudos foi muito baixa. Tanto o afastamento completo como a diminuição da exposição reduziram os sintomas de asma significantemente, mas o afastamento completo foi melhor. A função pulmonar melhorou significantemente após o afastamento completo mas não após a redução da exposição. Entretanto, os participantes que foram afastados completamente da exposição tiveram um risco muito mais alto de desemprego e de redução salarial. Portanto, ainda não está claro se realmente o afastamento completo do paciente é melhor do que a redução da exposição. Os benefícios em termos de melhora dos sintomas devem ser pesados contra o aumento no risco da perda do emprego e de diminuição salarial.

São necessários mais estudos para poder definir quais seriam as intervenções que reduzem com mais eficácia o impacto da asma ocupacional.

Conclusão dos autores: 

Evidências de muito baixa qualidade indicam que o afastamento completo da exposição melhora os sintomas da asma e a função pulmonar em comparação com exposição persistente.

A diminuição da exposição também melhora os sintomas, mas não parece ser tão eficaz quanto o afastamento completo.

No entanto, o afastamento completo da exposição está associado a um aumento do risco de desemprego, enquanto a diminuição da exposição não está. Os benefícios clínicos do afastamento completo ou da diminuição da exposição devem ser pesados contra o aumento do risco de desemprego. São necessários estudos melhores para identificar quais intervenções destinadas a reduzir a exposição são mais benéficas.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O impacto das intervenções no local de trabalho sobre a asma ocupacional não é bem conhecido.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade de intervenções no local de trabalho sobre a asma ocupacional.

Estratégia de busca: 

Foi realizada uma busca nas seguintes bases de dados eletrônicas: Central Register of Controlled Trials (CENTRAL; MEDLINE,EMBASE; NIOSHTIC-2; CISDOC e HSELINE até Fevereiro de 2011.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados, estudos controlados antes e depois e estudos de série temporal interrompida de intervenções no local de trabalho para asma ocupacional.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram independentemente a elegibilidade e a qualidade dos ensaios, e extraíram os dados.

Resultados principais: 

Incluímos 21 estudos controlados pré e pós-intervenção com 1.447 participantes que relatavam um total de 29 comparações.

Em 15 estudos, a comparação foi entre o afastamento completo da exposição versus exposição persistente. O afastamento aumentou a probabilidade de ausência de sintomas (Risco Relativo (RR) 21,42, intervalo de confiança de 95% (IC) 7,20 - 63,77), melhora do volume expiratório forçado (VEF1%) (diferença média (MD) 5,52 pontos percentuais, 95% IC 2,99 - 8,06) e diminuição da hiper-reatividade brônquica não-específica (diferença média padronizada (SMD) 0,67, IC 95% 0,13 -1,21).

Em seis estudos, a comparação foi entre redução da exposição versus exposição persistente. A redução da exposição aumentou a probabilidade de ausência de sintomas (RR 5,35, IC 95% 1,40 - 20,48), mas não afetou FEV1% (DM 1,18 pontos percentuais, 95% CI - 2,96 - 5,32).

Em oito estudos, a comparação foi entre afastamento completo versus redução da exposição. O afastamento completo aumentou a probabilidade de ausência de sintomas (RR 39,16; 95% CI 7,21-212,83), mas não afetou FEV1% (DM 1,16 pontos percentuais, 95% IC -7,51 - 9,84).

Dois estudos relataram que após o afastamento completo da exposição, o risco de desemprego aumentou em comparação com a redução da exposição (RR 14,3, IC 95% 2,06 - 99,16). Três estudos relataram uma perda de renda de aproximadamente 25% após o afastamento completo da exposição.

A qualidade geral das evidências foi muito baixa.

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