Intervenções para reduzir erros de medicação em crianças internadas no hospital

A segurança medicamentosa é importante para crianças internadas, pois erros de medicação podem, sem querer, levar a prejuízos para sua saúde. Os hospitais implementam vários tipos de intervenções práticas para reduzir esses erros. Esta revisão avaliou a efetividade dessas intervenções. Nós incluímos sete estudos que avaliaram cinco intervenções diferentes. Três dessas intervenções foram no nível da organização como um todo: o envolvimento de um farmacêutico clínico, o uso de um sistema computadorizado para prescrição e o uso de um sistema de administração medicamentosa usando um código de barras. Duas intervenções foram no nível do profissional de saúde: o uso de um checklist de verificação e controle ou o uso de um formulário de prescrição padronizado.

A inclusão de um farmacêutico clínico na equipe dos profissionais da unidade de terapia intensiva (UTI) levou a uma redução significativa de erros graves de medicação. Porém, esses resultados não foram observados nas enfermarias onde as crianças recebiam cuidados clínicos ou cirúrgicos. A introdução de um sistema de prescrição computadorizada e de um checklist de verificação e controle não trouxe resultados conclusivos. A introdução do sistema de administração medicamentosa por código de barras e a utilização de formulários padronizados para prescrição resultaram em diminuição significativa de erros de medicação. Entretanto, não ficou claro se essas intervenções trouxeram menos danos aos pacientes pediátricos.

Apesar da nossa busca ter sido muito abrangente, encontramos apenas sete estudos que puderam ser incluídos nesta revisão. A qualidade e a força das evidências provenientes desses estudos são baixas. Esta revisão mostra que existem poucos estudos bem desenhados que avaliaram estratégias de segurança medicamentosa em crianças internadas. Novos estudos de alta qualidade metodológica deveriam fazer parte de todas as futuras agendas de pesquisa, especialmente quando lembramos da vulnerabilidade das crianças internadas em hospitais.

Conclusão dos autores: 

Na atualidade, existem evidências limitadas sobre intervenções efetivas para prevenir erros de medicação em pacientes pediátricos internados em hospitais. É necessário conduzir estudos comparativos com desenhos adequados para investigar intervenções e componentes focados em aspectos específicos de segurança para pacientes pediátricos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Muitos pacientes hospitalizados são afetados por erros de medicação que podem causar desconforto, danos e até levar à morte. As crianças têm risco maior de sofrerem danos devido a erros de medicação, pois tais erros são potencialmente mais perigosos para elas do que para os adultos. Até agora, as intervenções para reduzir os erros de medicação levaram apenas a melhorias limitadas.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade de intervenções para reduzir erros de medicação e danos relacionados a esses erros, em crianças hospitalizadas.

Estratégia de busca: 

A especialista em informações do grupo Effective Practice and Organisation of Care Group (EPOC) realizou buscas nas seguintes bases de dados: The Cochrane Library, incluindo o Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), Economic Evaluation Database (EED), Health Technology Assessments (HTA), MEDLINE, EMBASE, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), PsycINFO, Proquest Dissertations & Theses, Web of Science (citações indexadas e trabalhos de conferências) e EPOC Register of Studies. Também foram feitas buscas por revisões sistemáticas relacionadas ao tema no Cochrane Database of Systematic Reviews e no Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE). Os autores também fizeram buscas por literatura cinzenta e em plataformas de registros de ensaios clínicos e buscas manuais em periódicos selecionados, entraram em contato com pesquisadores da área e examinaram as listas de referências de revisões relevantes. As buscas foram feitas em novembro de 2013 e novembro de 2014. Não foram utilizados limites de idiomas ou de datas.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos controlados “antes e depois” e estudos de série temporal interrompida que investigaram intervenções para aumentar a segurança de medicamentos em crianças hospitalizadas com até 18 anos de idade. Os participantes foram profissionais da saúde autorizados a prescrever, dispensar ou administrar medicamentos. As medidas de desfecho incluíram erros de medicação, danos potenciais ao paciente, utilização de recursos e consequências não intencionais das intervenções.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos, extraíram os dados e avaliaram a qualidade dos estudos utilizando o checklist de coleta de dados do EPOC. Avaliamos o risco de viés dos estudos e usamos a metodologia GRADE (Grades of Recommendation, Assessment, Development and Evaluation) para verificar a qualidade do corpo das evidências. Apresentamos os resultados de forma narrativa e usando tabelas GRADE.

Resultados principais: 

Incluímos 7 estudos que avaliaram 5 tipos diferentes de intervenções: participação do farmacêutico clínico na equipe (n = 2), introdução de um sistema computadorizado de prescrição CPOE (Computerised physician order entry) (n = 2), implementação de sistema de administração medicamentosa por código de barras (n = 1), uso de um formulário estruturado de prescrição (n = 1) e implementação de um checklist de verificação e controle junto com feedback (n = 1).

A heterogeneidade clínica e metodológica dos estudos impossibilitou a realização da metanálises. Embora algumas intervenções descritas nessa revisão mostrem redução dos erros de medicação, os resultados não são consistentes, e nenhum estudo levou a uma diminuição significativa de danos para os pacientes. Com base na metodologia GRADE, a qualidade geral e a força das evidências foram classificadas como sendo baixas.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Marina Gabriela Birck). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br.

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