Uso de bisturi comparado com eletrocirurgia para realização de incisões cirúrgicas no abdomen.

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Durante operações abdominais, cirurgiões podem precisar fazer cortes (incisões) no corpo. Estes podem ser feitos utilizando tanto bisturi quanto eletrocirurgia. O bisturi é um instrumento com uma lâmina extremamente afiada utilizada para cortar a pele e o tecido sob ela. Eletrocirurgia é um método de separação de tecidos utilizando eletricidade. Uma corrente elétrica passa na ponta do instrumento e causa um rápido aquecimento do tecido. Conforme ele aquece, as células se roupem e vaporizam. O cirurgião então move o instrumento ao longo do tecido, causando a destruição de mais células e a criação de um corte ou incisão. Os potenciais benefícios do uso da eletrocirurgia incluem redução da perda sanguínea, separação rápida e seca dos tecidos e uma redução do risco do cirurgião se cortar acidentalmente. As desvantagens dessa técnica incluem a possibilidade de haver piora da cicatrização, há preocupações em relação a formação de cicatrizes grandes ou excessivas, e acredita-se que há o potencial de aumento do risco de formação de aderências. Aderências são pontes de tecido potencialmente dolorosas que desenvolvem entre o local da incisão e orgãos ou outras superfícies no abdomen.

Esta revisão encontrou que realizar a incisão abdominal utilizando eletrocirurgia aparentemente é tão seguro quanto utilizar um bisturi, embora mais pesquisas sejam necessárias para uma conclusão firme. Não houve evidência suficiente em relação a diminuição de perdas sanguíneas, dor ou tempo necessário para realização do corte.

Conclusão dos autores: 

As evidências atuais sugerem que realizar a incisão abdominal com eletrocirurgia pode ser tão seguro quanto utilizar o bisturi. Entretanto, tais conclusões são baseadas em relativamente poucos eventos e mais pesquisas são necessárias. Os efeitos relativos de bisturis e eletrocirurgia são incertos quantos aos desfechos de perda sanguínea, dor e tempo de incisão.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Bisturis ou eletrocirurgia podem ser usados para realização de incisões abdominais. Os potenciais beneficios da eletrocirurgia incluem redução das perdas sanguíneas, separação rápida e seca do tecido, e redução do risco de acidente cortante para o cirurgião, embora hajam preocupações em relação ao prejuízo na cicatrização, formação excessiva de cicatrizes e de aderências.

Objetivos: 

Comparar os efeitos nas complicações de feridas de bisturi ou eletrocirugia para realização de incisões abdominais.

Estratégia de busca: 

Buscamos no Cochrane Wounds Group Specialised Register (em 24 de Feevereiro de 2012); The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library 2012, Edição 2); Ovid MEDLINE (1950 a Fevereiro de 2021, Semana 3); Ovid MEDLINE (Em andamento e outras citações não indexadas 23 de Fevereiro 2012); Ovid EMBASE (1980 a 2012, Semana 07); e EBSCO CINAHL (1982 a 17 Fevereiro de 2012). Não aplicamos restrições de data ou língua

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos controlados randomizados (ECR) comparando os efeitos nas complicações de feridas feitas por eletrocirurgia com bisturi para realização de incisões abdominais. Os participantes dos estudos foram pacientes submetidos a grandes cirurgias abdominais abertas, independente da orientação da incisão (vertical, oblíqua ou transversa) e condições operatórias (eletiva ou emergencial). Incisões eletrocirurgicas incluíram aquelas nas quais as principais camadas da parede abdominal, incluindo tecido subcutâneo e músculo-aponeurose (uma resistente camada de tecido conjuntivo fibroso que serve como tendão para o ancoramento dos músculos), foram feitas utilizando eletrocirurgia, independente da técnica utilizada para incisar a pele abdominal e o peritônio. Incisões com bisturi incluíram aquelas nas quais todas as principais camadas da parede abdominal, incluindo pele, tecido subcutâneo e músculo-aponeurose, foram incisadas com um bisturi, independete da técnica utilizada no peritônio abdominal.

Coleta dos dados e análises: 

Avaliamos independentemente os estudos para inclusão e risco de viés. Um autor da revisão extraía os dados, que eram conferidos por um segundo autor da revisão. Calculamos a Razão de Risco (RR) e intervalo de confiança (IC) de 95% para dados dicótomos, e a diferença média e IC de 95% para dados contínuos. Examinamos a heterogeneidade entre os estudos.

Resultados principais: 

Incluímos nove ECRs (1901 participantes), grade parte sob risco incerto de viés devido a detalhamento de baixa qualidade. Não houve diferença estatisticamente significante nas taxas globais de complicação da ferida (RR 0.90, IC 95% 0,68 a 1,18), nem na taxas de deiscência (RR 1,04, IC 95% 0,36 a 2,98), embora ambas as comparações não possuíssem poder suficiente e o efeito do tratamento não possa ser excluído. Há evidência insuficientemente confiável sobre os efeitos da eletrocirurgia em comparação com incisões com bisturi sobre a perda de sangue, dor e tempo de incisão.

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD005987.pub2

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