Treinamento muscular do assoalho pélvico versus nenhum tratamento para incontinência urinária em mulheres

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A incontinência urinária de esforço é a perda involuntária de urina durante uma atividade física, tais como tossir ou espirrar. A urge-incontinência urinária caracteriza-se por uma forte necessidade de urinar sem que a pessoa tenha tempo de chegar ao banheiro. Uma combinação de incontinência de esforço e de urge-incontinência é chamada de incontinência mista.

Esta revisão evidenciou que o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (exercícios de contração da musculatura) ajuda a melhorar ou curar a incontinência urinária de esforço em particular, bem como todos os outros tipos de incontinência urinária.

Conclusão dos autores: 

Esta revisão suporta a evidencia de que o TMAP deva ser recomendado como intervenção de primeira linha nos programas que envolvem medidas conservadores para o tratamento da incontinência urinária de esforço e de outros tipos em mulheres. A efetividade da TMPA em longo prazo precisa ser melhor pesquisada.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Treinamento dos músculos do assoalho pélvico é o tratamento fisioterapêutico mais comumente utilizado para o tratamento de mulheres com incontinência urinária de esforço (IUE). Algumas vezes é também recomendado para incontinência urinária mista e, menos comumente, para urge-incontinência.

Objetivos: 

Determinar os efeitos do treinamento muscular do assoalho pélvico em mulheres com incontinência urinária, em comparação com nenhum tratamento, placebo ou tratamento sham ou, outros tratamentos inativos.

Estratégia de busca: 

Nós realizamos uma pesquisa Cochrane Incontinence Review Group (CGCRG) Specialized Register, que contém estudos identificados a partir da Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (a partir de 1999), MEDLINE (a partir de 1966) e MEDLINE In-Processs (a partir de 2001), busca manual em periódicos e anais de congressos (pesquisado em 15 de abril de 2013) e listas de referências dos artigos relevantes.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados em mulheres com incontinência urinaria de esforço, urgência ou incontinência urinaria mista (com base em sintomas, sinais ou exame urodinâmico). Um grupo do ensaio clínico incluiu treinamento muscular do assoalho pélvico (TMAP). O outro grupo incluiu nenhum tratamento, placebo, tratamento sham ou grupo controle com tratamento inativo.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram, independentemente, a elegibilidade e a qualidade metodológica dos estudos. Em seguida, os dados foram extraídos e checados. Os dados discordantes foram resolvidos mediante consenso. Realizou-se o processamento dos dados de acordo com as recomendações do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions.Os ensaios clínicos foram subdivididos de acordo com o diagnóstico da incontinência urinária. Metanálises foram realizadas quando apropriadas.

Resultados principais: 

Vinte e um ensaios clínicos envolvendo 1.281 mulheres (665 TMAP, 616 controles) preencheram os critérios de inclusão; 18 ensaios clínicos (1.051 mulheres) contribuíram com dados para os gráficos de floresta. Com base nos relatórios da avaliação, verificou-se que os estudos continham em geral, de pequeno a moderado tamanho amostral e muitos apresentavam risco moderado de viés. Houve uma considerável variação nas intervenções, nas populações de estudo e nos desfechos. Nenhum estudo incluiu mulheres com incontinência urinária mista ou de urgência, isoladas.

As mulheres com IUE do grupo TMAP apresentaram oito vezes mais chances de relatarem cura em relação aos controles (46/82 (56,1%) vs. 5/83 (6,0%), RR 8.38, 95% CI 3,68-19,07) e 17 vezes maior probabilidade de relatar cura ou melhora (32/58 (55%) vs. 2/63 (3,2%), RR 17,33, IC 95% 4,31-69,64). Nos ensaios clínicos que incluíram mulheres com qualquer tipo de incontinência urinária, as do grupo TMAP também foram mais propensas a relatar cura, ou mais cura e melhora quando comparado as mulheres nos grupos controle, embora o tamanho do efeito foi reduzido. Mulheres com IUE ou portadoras de qualquer tipo de incontinência urinária, também evidenciaram maior satisfação com o tratamento ativo, enquanto as mulheres do grupo controle foram mais propensas a procurar tratamento. As mulheres tratadas com TMAP tiveram menor frequência de perda urinária, perderam menor quantidade de urina nos pad tests, e a frequência urinaria durante o dia reduziu. Os resultados sexuais também foram melhores. Dois estudos (um pequeno e um com tamanho amostral moderado) relataram alguma evidência do benefício que persistiu por até um ano após o tratamento. Dos poucos efeitos adversos relatados, nenhum foi considerado grave.

Os resultados da revisão foram amplamente confirmados pelos achados evidenciados no sumario dos estudos, entretanto a força da evidencia foi reduzida a moderada por razões metodológicas. Houve exceção do desfecho "cura percebida pelo participante " em mulheres com IUE, que foi classificado como de alta qualidade.

Notas de tradução: 

Traduzido por:Lúcia Alves Silva Lara, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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