Há falta de informação robusta sobre prevenção de delírio em pacientes hospitalizados

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Nós fomos capazes de identificar um único ensaio clínico com poder suficiente para demonstrar a efetividade das estratégias preventivas. Baseado neste único estudo, a consulta pró-ativa por um consultor geriatra antes, ou dentro de 24 horas de operação, pode reduzir a incidência e a gravidade de delírio em pacientes submetidos à cirurgia de fratura de quadril. Haloperidol profilático em baixa dose pode ser efetivo na redução da gravidade e duração de um episódio de delírio e pode encurtar o tempo de internação hospitalar. Dado o que já se sabe sobre como delírio é comum, e como seus desfechos são pobres, novos ensaios clínicos sobre prevenção de delírio são urgentemente necessários.

Conclusão dos autores: 

Evidências de pesquisa sobre a efetividade de intervenções para prevenir o delírio é escassa. Com base em um único estudo, um programa de consulta geriátrica pró-ativa pode reduzir a incidência de delírio e sua gravidade em pacientes submetidos à cirurgia de fratura de quadril. Baixas doses profiláticas de haloperidol podem reduzir a gravidade e a duração dos episódios de delírio e encurtar o tempo de internação hospitalar em cirurgia do quadril. São necessários mais estudos em prevenção de delírio.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Delírio é um transtorno mental comum com desfechos adversos graves em pacientes hospitalizados. Está associado com aumento na mortalidade, morbidade física, tempo de internação, institucionalização e custos para os prestadores de cuidados de saúde. Uma variedade de fatores de risco tem sido implicada em sua etiologia, incluindo aspectos do atendimento de rotina e ambiente hospitalar. A prevenção de delírio é claramente desejável da perspectiva de pacientes e cuidadores, e reduz custos hospitalares. No entanto, não está claro se as intervenções para a prevenção de delírio são efetivas, se elas podem ser realizadas com êxito em todos os ambientes, e se diferentes intervenções são necessárias para diferentes grupos de pacientes.

Objetivos: 

Nosso principal objetivo foi determinar a efetividade das intervenções destinadas a prevenir delírio em pacientes hospitalizados. Também tivemos como objetivo destacar a qualidade e a quantidade de evidências em pesquisas para evitar delírio nesses cenários.

Estratégia de busca: 

Nós pesquisamos the Specialized Register of the Cochrane Dementia and Cognitive Improvement Group em 30 de Setembro de 2006. Como as pesquisas no MEDLINE, EMBASE, CINAHL e PsycINFO para o Specialized Register não teriam necessariamente identiifcado todos os ensaios clínicos para prevenção de delírio, esses bancos de dados foram pesquisados novamente no dia 28 de outubro de 2005. Também examinamos listas de referências dos artigos recuperados, revisões e livros. Especialistas nesta área foram contatados e foi realizada pesquisa na internet procurando outras referências para localizar ensaios clínicos não publicados.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos controlados randomizados que avaliaram qualquer intervenção para prevenir delírio em pacientes hospitalizados.

Coleta dos dados e análises: 

A coleta de dados e avaliação de qualidade foram realizadas por três revisores de forma independente e acordo alcançado por consenso.

Resultados principais: 

Foram identificados seis estudos com um total de 833 participantes para a inclusão. Todos foram conduzidos em ambientes cirúrgicos, cinco em cirurgia ortopédica e um estudo em pacientes submetidos à ressecção de câncer gástrico ou de cólon.

Apenas um estudo de 126 pacientes com fratura de quadril comparando consulta geriátrica pró-ativa com os cuidados habituais apresentou poder estatístico suficiente para detectar diferenças no desfecho primário, delírio incidente. A incidência total de delírio acumulada durante admissão foi reduzida no grupo de intervenção (OR 0,48 [IC 95% 0,23, 0,98]; RR 0,64 [IC 95% 0,37, 0,98]), sugerindo um número necessário para tratar de 5,6 pacientes para prevenir um caso. A intervenção foi particularmente eficaz na prevenção de delírio grave. Em análises de regressão logística para ajustar demência pré-fratura e comprometimento da Atividade de Vida Diária, não houve redução no tamanho do efeito, ou 0,6, mas isso não permaneceu significativo [95% CI 0.3,1.3]. Não houve efeito na duração dos episódios de delírio, duração no tempo de internação, e estado cognitivo ou institucionalização na alta. Não houve também diferença significante na incidência cumulativa de delírio entre os grupos de tratamento e controle em um subgrupo de 50 pacientes com demência (RR 0,9 [IC 95% 0,59, 1,36]).

Em outro ensaio clínico sobre baixa dose profilática de haloperidol, não houve diferença na incidência de delírio, mas houve redução na severidade e na duração dos episódios de delírio e redução no tempo de permanência hospitalar.

Nós não identificamos nenhum estudo concluído nos seguintes cenários clínicos: assistência aos idosos, cirurgia geral, câncer ou pacientes em cuidados intensivos. Nos desfechos, nenhum estudo examinou morte, uso de medicação psicotrópica, atividades da vida diária, morbidade psicológica, qualidade de vida, morbidade psicológica dos cuidadores ou funcionários, custo da intervenção e os custos para os serviços de saúde. Os resultados só foram relatados até a alta, sem estudos relatando efeitos a médio ou longo prazo.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Raíssa Pierri Carvalho, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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