B2-agonistas de longa duração versus placebo em adição a corticoesteróides inalatórios em crianças e adultos com asma crônica.

O uso de ß2-agonists de longa duração como medicação aditiva a corticoesteróides inalatórios é recomendado para asma de difícil controle, onde exacerbações da asma podem requerer tratamento adicional com esteróides orais. O propósito desta revisão foi avaliar a eficácia e segurança deß2-agonistas de longa duração inalatório em crianças e adultos asmáticos. Baseado em ensaios clínicos randomizados, em indivíduos que permaneceram sintomáticos durante o uso de corticoesteróides inalatórios, a adição de ß-2-agonistas de longa duração melhorou a função pulmonar e reduziu o risco de exacerbação da asma comparado ao tratamento com dose similar de corticoesteróides de forma isolada em adultos. Nós poderíamos não encontrar evidências de aumento de eventos adversos graves ou taxas de abandono por eventos de saúde adversos devido a combinação de ß2-agonistas em doses usuais a coricoesteróides inalatórios em adultos. Isto fornece alguma evidência indireta, mas não garantia, em relação a segurança a curto e médio prazo desta estratégia de tratamento. Não havia quantidade suficiente de crianças estudadas para avaliar os riscos e benefícios de adicionar ß2-agonista de longa duração neste grupo.

Conclusão dos autores: 

Em adultos sintomáticos que estejam recebendo de baixa a altas doses de ICS, como monoterapia, a adição do LABA, em doses licenciadas, reduz a taxa de exacerbações que requeiram esteróides orais, melhoram a função pulmonar, a sintomatologia, além de uma diminuição discreta do uso de agentes ß2-agonistas de curta duração como resgate. Em crianças, os efeitos desta opção de tratamento são muito incertos. A ausência da diferença entre os grupos de eventos adversos a saúde e taxas de abandono em ambos os grupos fornece alguma evidência indireta de segurança dos LABAs em doses usuais como terapia de adição a ICS em adultos, embora, a variabilidade do intervalo de confiança se oponha a este pensamento.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Agonistas ß 2-adrenérgicos (LABAs) de longa duração são recomendados como medicação aditiva a corticoesteróides inalatórios (ICS) para a terapia de manutenção em adultos asmáticos e crianças com idade superior a dois anos.

Objetivos: 

Quantificar a segurança e eficácia da adição de LABAs a ICS em pacientes asmáticos insatisfatoriamente controlados.

Estratégia de busca: 

Identificamos ensaios clínicos controlados randomizados (ECCRs) por meio de pesquisas em banco de dados eletrônicos (the Cochrane Airways Group Specialised Register, MEDLINE, EMBASE e CINAHL), bibliografias de ECCRs e correspondência com fabricantes até Maio de 2008.

Critérios de seleção: 

Incluímos ECCRs que compararam a adição de LABAs inalatórios versus placebo a mesma dose de ICS, em crianças com idade superior a dois anos e adultos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores independentes avaliaram qualidade metodológica dos estudos e extraíram os dados. Nós obtivemos confirmação dos participantes quando possível. O desfecho primário foi o risco relativo (RR) de exacerbações da asma que requereram resgate oral com corticoesteróides. Desfechos secundários incluíram testes de função pulmonar (PFTs), uso de beta-2 agonista de resgate, sintomas, eventos de abstinência e efeitos adversos.

Resultados principais: 

Setenta e cinco estudos preencheram critérios de entrada e randomizaram 21.248 participantes (4625 crianças e 16.623 adultos). Os participantes geralmente estavam sintomáticos e com obstrução moderada de vias aéreas, apesar do uso de ICS. Formoterol e salmeterol foram frequentemente adicionados em baixas doses a ICS (200 a 400 µg/dia de beclometasona (BDP) ou equivalente) em 49% dos estudos. A adição diária de LABA a ICS reduziu o risco de exacerbações requerendo esteróides orais de 23% para 15 a 11% (RR 0.77, IC 95% 0,68 a 0,87, 28 estudos, 6808 participantes). O número necessário para tratar com a adição de LABA, para prevenir alguém do uso do resgate oral de corticoesteróides é 41 (29, 72), embora as taxas de evento no grupo ICS variou entre 0 e 38%. Estudos utilizando adultos dominaram a análise (6203 participantes adultos versus 605 crianças). O subgrupo estimado para estudos pediátricos não foi estatisticamente significante (RR 0.89, IC 95% 0,58 a 1,39) e sugere a possibilidade da superioridade do uso único de ICS em crianças.

Doses maiores do que a usual de LABA foi associado com benfício significativamente menor. A diferença no risco relativo de eventos adversos graves com LABA não foi estatisticamente significante do que o ICS sozinho (RR 1,06, IC 95% 0,87 a 1,30). A adição de LABA causou uma melhora significativa no FEV1 (0,11 litros, 95% 0,09 a 0,13) e em proporção de de dias livres de sintomas (11,88%, IC 95% 8,25 a 15,50) comparado a monoterapia com ICS. Ele também foi associado a redução no uso de ß2-agonistas de resgate (-0,58 puffs/day, IC 95% -0,80 a -0,35), menos exclusões devido a controle da asma não satisfatório (RR 0,50, IC 95% 0,41 a 0,61), e poucas exclusões devido qualquer outra razão (RR 0,80, IC 95% 0,75 a 0,87). Não existiu diferença estatística significante em relação ao risco de efeitos adversos gerais (RR 1,00, 95% 0,97 a 1,04), exclusões devido eventos adversos à saúde (RR 1,04, IC 95% 0,86 a 1,26) ou qualquer outro evento específico adverso à saúde.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Sócrates Pereira Silva) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD005535

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