Opioides para o tratamentos de dor lombar crônica

Questões de revisão

Foi revisada as evidência sobre os efeitos de opioides na dor e função entre pessoas com dor lombar crônica (DLC).

Introdução

Os opióides são analgésicos que atuam sobre o sistema nervoso central. Pessoas com dor lombar crônica (DLC) usam esses medicamentos para alívio da dor. Foi avaliado se o uso de opioides por pelo menos quatro semanas era melhor ou pior do que outros tratamentos para DLC.

Características do estudo

Foi pesquisado ensaios clínicos, publicados ou não, até Outubro de 2012. Foram incluídos 15 ensaios clínicos com 5540 participantes que comparavam opioides versus placebo (substância inerte) ou outros fármacos que tem sido utilizados para DLC. A maioria das pessoas incluídas nos ensaios clínicos tinham entre 40 a 50 anos e todos relataram pelo menos uma dor moderada ao redor da área lombar. Os ensaios incluíram uma pequena proporção de mulheres. A maioria dos ensaios acompanharam os pacientes durante três meses e eram apoiados por indústrias farmacêuticas.

Principais resultados

Em geral, pessoas que utilizaram opioides relataram mais alívio da dor e tiveram menos dificuldades na realização de atividades diárias em curto prazo do que aqueles que receberam um placebo. No entanto, há poucos dados sobre os benefícios dos opióides baseado nos objetivos medidos da função física. Não há informação de ensaios clínicos controlados e randomizados que apoiam a eficácia e segurança do uso de opioides por mais de quatro meses. Além disso, a literatura atual não suporta que opioides são mais efetivos do que outros grupos de analgésicos para DLC, tais como anti-inflamatórios ou antidepressivos.

Esta revisão parcialmente corrobora com a efetividade de vários opioides para alívio da DLC e função em curto prazo. No entanto, a eficácia da prescrição destes medicamentos para uso a longo prazo é desconhecido e deve levar em consideração o potencial para efeitos adversos graves, complicações e aumento do risco de mau uso, abuso, dependência, overdose, e mortes.

Como esperado, os efeitos colaterais são mais comuns com opióides, mas não ameaçam a vida com o uso a curto prazo. Dados insuficientes impediram tirar conclusões sobre o perfil de efeitos colaterais dos opióides versus outro tipo de analgésicos (por exemplo, antidepressivos ou anti-inflamatórios).

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência nesta revisão variou entre "muito baixo" e "moderado". Os resultados da revisão devem ser interpretados com cautela e podem não ser apropriados em todos os casos clínicos. Ensaios clínicos randomizados de alta qualidade são necessários para abordar riscos e benefícios a longo prazo (meses ou anos) do uso de opióides na DLC, a sua eficácia relativa em comparação com outros tratamentos, e para compreender melhor quais pessoas podem se beneficiar mais com este tipo de intervenção.

Conclusão dos autores: 

Houve algumas evidências (baixíssima a moderada qualidade) para eficácia a curta-prazo (para dor e função) de opioides para tratar DLC comparado ao placebo. Os poucos estudos que compararam opioides e fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINE) ou antidepressivos não mostraram nenhuma diferença em relação a dor e função. O início de um estudo sobre opioide a longo prazo deveria ser realizado com cuidado extremo, especialmente depois de uma ampla avaliação dos riscos potenciais. Não houve ensaio clínico utilizando placebo para apoiar a efetividade e segurança de uma terapia de opioide a longo prazo para o tratamento de DLC.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O uso de opioides no tratamento a longo termo da dor lombar crônica (DLC) tem aumentado drasticamente. Apesar desta tendência, os benefícios e riscos destes medicamentos permanecem obscuros. Esta revisão é uma atualização de uma revisão Cochrane que foi publicada pela primeira vez em 2007.

Objetivos: 

Determinar a eficácia de opioides em adultos com DLC.

Estratégia de busca: 

Foi pesquisado eletronicamente em Cochrane Back Review Group's Specialized Register, CENTRAL, CINAHL e PsycINFO, MEDLINE e EMBASE de Janeiro de 2006 a Outubro de 2012. Foi checado as listas de referência destes ensaios clínicos e outras revisões sistemáticas relevantes para potenciais ensaios para inclusão.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos controlados e randomizados (ECCR) que avaliaram o uso de opioides (como monoterapia ou em combinação com outras terapias) em adultos com DLC com pelo menos 4 semanas de duração. Incluiu-se ensaios que compararam opioides não injetáveis com placebo ou outros tratamentos. Excluiu-se ensaios que compararam somente diferentes opioides.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram, de forma independente, o risco de viés e extraíram os dados em um formulário pré-definido. Os resultados foram agrupados usando Review Manager (RevMan) 5.2. Foi relatado os desfechos de dor e função usando diferença média padrão (DM) ou risk ratios com 95% de intervalo de confiança (IC 95%). Foi usado diferença de risco absoluto (RD) com IC 95% para relatar efeitos adversos.

Resultados principais: 

Foram incluídos 15 estudos (5540 participantes). Tramadol foi avaliado em cinco estudos (1378 participantes); e verificou-se ser melhor do que placebo para dor (DM -0,55; IC 95%: -0,66 a -0,44; evidência de baixa qualidade) e função (DM -0,18; IC 95%: -0,29 a -0,07; evidência de moderada qualidade). Buprenorfina transdermal (dois estudos, 653 participantes) pode ter uma pequena diferença na dor (DM -2,47; IC 95%: -2,69 a -2,25; evidência de baixíssima qualidade), mas nenhuma diferença na função comparada ao placebo (DM -0,14; IC 95%: -0,53 a -0,25; evidência de baixíssima qualidade). Opioides fortes (morfina, hidromorfona, oxicodone, oximorfona, e tapentadol), avaliados em seis estudos (1887 participantes) foram melhores do que placebo para dor (DM -0,43; IC 95%: -0,52 a 0,33: evidência de moderada qualidade) e função (DM -0,26; IC 95%: -0,37 a -0,15; evidência de moderada qualidade). Um estudo (1583 participantes) demonstrou que tramadol pode ter uma pequena diferença comparado com o colecoxibe (RR 0,82; IC 95%: 0,76 a 0,90; evidência de baixíssima qualidade) para alívio da dor. Dois estudos (272 participantes) não encontraram diferença entre opioides e antidepressivo tanto para dor (DM 0,21; IC 95%: -0,03 a 0,45; evidência de baixíssima qualidade) quanto para função (DM -0,11; IC 95%: -0,63 a 0,42; evidência de baixíssima qualidade). Os ensaios incluídos nesta revisão tiveram altas taxas de desistência dos participantes, foram de curta duração, e tiveram uma interpretação limitada da melhoria funcional. Eles não relataram nenhum efeito adverso grave, risco (vício ou overdose), ou complicações (apeia do sono, hiperalgesia induzida por ópio, hipogonadismo). Em geral, a significância dos efeitos foi média para dor e pequena para função.

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD004959.pub4

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