Reabilitação física para idosos institucionalizados

Os tratamentos de reabilitação podem ser efetivos na melhora da saúde física do idoso que vive em asilo. Em 2010, 7,6% da população mundial tinham mais de 65 anos de idade e é previsto um aumento de 13% por volta de 2035. Com o envelhecimento populacional, é esperado um aumento da demanda por cuidados em instituições de longa permanência. Esse fato tem aumentado o interesse em medidas para prevenir a deterioração da saúde e da capacidade para realizar as atividades de vida diária (por exemplo, caminhar e se vestir) entre os idosos institucionalizados. A reabilitação física (intervenções baseadas em exercícios corporais) pode ter um papel importante nesse contexto. Esta revisão avalia as evidências disponíveis sobre isso, e incluiu 67 estudos, 36 dos quais foram realizados na América do Norte, 20 na Europa e 7 na Ásia. No total, foram envolvidos 6300 participantes, com média de idade de 83 anos. A maioria das intervenções, foi direcionada às dificuldades das atividades de vida diária. Esta revisão investigou os efeitos da reabilitação física nas atividades de vida diária, na força, na flexibilidade, no equilíbrio, no humor, na cognição (memória e pensamento), na tolerância aos exercícios, no medo de cair, na mortalidade, nas doenças e nos efeitos indesejáveis que estivessem associados à intervenção, como por exemplo, lesões. Devido às variações entre os estudos, não pudemos fazer recomendações específicas. Diversos estudos individuais mostraram que a reabilitação física trazia benefícios para a saúde física.

Conclusão dos autores: 

A reabilitação física para idosos institucionalizados pode ser efetiva, reduzindo incapacidades, com poucos efeitos adversos, mas o efeito parece ser bastante pequeno e pode não ser aplicável para todos os residentes. Não há evidência suficiente para chegar a conclusões quanto à sustentabilidade da melhora, custo-efetividade ou quais intervenções são mais apropriadas. São necessários mais estudos de grande porte.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A população mundial está envelhecendo progressivamente e consequentemente é esperado aumento na morbidade e na demanda por cuidados de saúde em asilos ou clínicas de repouso. A reabilitação física é benéfica para os idosos, mas os seus efeitos em idosos institucionalizados não são bem conhecidos. Este trabalho é uma atualização de uma primeira revisão da Cochrane realizada em 2009.

Objetivos: 

Avaliar os benefícios e malefícios das intervenções de reabilitação destinadas a manter ou melhorar a função física de idosos institucionalizados, através de revisão de ensaios clínicos controlados randomizados e randomizados por conglomerados (clusters).

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados eletrônicas da Cochrane: o Stroke Group (maio de 2012), o Effective Pratice and Organisation of Care Group (abril de 2012) e o Rehabilitation and Related Therapies Field (abril de 2012). Além disso, pesquisamos outras 20 bases de dados eletrônicas, incluíndo o Cochrane Central Register of Controlled Trials (The Cochrane Library, 2009, Issue 4), MEDLINE (1966 a dezembro de 2009), EMBASE (1980 a dezembro de 2009), CINAHL (1982 a dezembro de 2009), AMED (1985 a dezembro de 2009) e PsycINFO (1967 a dezembro de 2009). Também procuramos em plataformas de registros de ensaios clínicos e anais de congressos. Verificamos as listas de referências e entramos em contato com os autores, pesquisadores e outras entidades relevantes da Cochrane. Atualizamos nossas buscas nos bancos de dados eletrônicos em 2011 e listamos os estudos importantes aguardando avaliação.

Critérios de seleção: 

Selecionamos estudos randomizados que comparavam uma intervenção de reabilitação, que visava manter ou melhorar a função física, com nenhuma intervenção ou com intervenção alternativa em idosos (acima de 60 anos) residentes permanentes de asilos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores revisaram independentemente o risco de viés e extraíram os dados. Nós contatamos os autores dos estudos para informações adicionais. O desfecho primário foi a função nas atividades de vida diária. Os desfechos secundários incluíram tolerância ao exercício, força, flexibilidade, equilíbrio, percepção do estado de saúde, humor, estado cognitivo, medo de cair e análises econômicas. Investigamos efeitos adversos, incluindo morte, morbidade e outros eventos. Sintetizamos as estimativas do desfecho primário com a média da diferença; para os dados de mortalidade, usamos a razão de risco e, para os desfechos secundários, utilizamos a contagem de votos.

Resultados principais: 

Incluímos 67 estudos envolvendo 6300 participantes. Cinquenta e um estudos avaliaram o desfecho primário utilizando instrumentos de medida das atividades de vida diária. A reabilitação física melhorou seis pontos no escore do Índice de Barthel (0 a 100 pontos; intervalo de confiança de 95%, 95% CI, 2 a 11, P  =  0,008, sete estudos); cinco pontos no escore da Medida de Independência Funcional (0 a 126 pontos; 95% CI -2 a 12, P=0,1, quatro estudos); e 0,7 pontos no Índice Rivermead Mobility (0 a 15 pontos; 95% CI 0,04 a 1,3, P  =  0,04, três estudos); cinco segundos no teste Timed Up and Go (TUG; 95% CI -9 a 0, P  =  0,05, sete estudos) e 0,03 m/s na velocidade da marcha (95% CI -0,01 a 0,07, P  =  0,1, nove estudos). A análise dos desfechos secundários sugeriu que a reabilitação física melhora a força, a flexibilidade, o equilíbrio e possivelmente o humor, embora o tamanho desses efeitos seja desconhecido. Não há evidência suficiente para avaliar os efeitos da intervenção sobre os outros desfechos secundários. Com base em 25 estudos (3721 participantes), a reabilitação física não aumentou o risco de mortalidade nessa população (risk ratio 0,95, 95% CI 0,80 a 1,13). Entretanto, é possível que algum viés tenha levado à superestimação dos efeitos positivos da reabilitação física.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Barbara Gazolla de Macedo)

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