Lítio no tratamento da mania em fase aguda

Pergunta da revisão

O lítio (um medicamento estabilizador do humor) é tão eficaz no tratamento de um episódio de mania (humor elevado) como outras terapêuticas farmacológicas disponíveis ou como a electroconvulsivoterapia (ECT)?

Contextualização

A perturbação bipolar é uma doença comum na qual as pessoas experienciam episódios de humor deprimido (depressão) e de humor elevado (mania). Os sintomas da perturbação bipolar podem diminuir a qualidade de vida. Tradicionalmente, tem sido utilizado um conjunto de medicamentos para tratar a mania, incluindo fármacos que tentam diminuir as variações do humor (por exemplo, lítio, valproato, lamotrigina, carbamazepina, divalproato, topiramato), bem como fármacos que visam reduzir experiências angustiantes, como ouvir vozes ou ter pensamentos bizarros (p.ex. olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol, haloperidol, clorpromazina). A ECT (administrar de um choque eléctrico no cérebro a um paciente sob anestesia geral) é também um tratamento usado na mania. Já sabemos que o lítio é, entre todos, o tratamento mais eficaz na estabilização dos doentes com perturbação bipolar a longo prazo, mas não sabemos se é tão eficaz no tratamento da mania.

Métodos

Os autores da revisão procuraram estudos que comparassem o lítio com outros tratamentos para a mania publicados até maio de 2018. Identificámos 36 estudos aleatorizados, incluindo 4220 participantes com acompanhamento hospitalar em pelo menos 30 países diferentes. A aleatorização significa que cada participante tem a mesma hipótese de ser atribuído a cada um dos grupos do estudo, e reduz a probabilidade de fatores desconhecidos mas importantes poderem influenciar inadvertidamente o estudo. Três estudos incluíram crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade. Os estudos compararam o lítio com placebo (substância inativa), ECT e 12 outros fármacos durante um período de três a doze semanas.

Resultados

O lítio é um tratamento eficaz na mania em fase aguda. O lítio mostrou ser mais eficaz do que o placebo ou do que o fármaco antiepilético topiramato. Houve alguma evidência de que o lítio possa ser menos eficaz do que o antipsicótico olanzapina, mas isto requer mais investigação. Não houve evidência de que o lítio seja melhor ou pior no tratamento da mania do que qualquer outro fármaco, e não houve evidência suficiente que permita tirar uma conclusão acerca da comparação com a ECT.

Não houve evidência suficiente que permita concluir definitivamente qual o tratamento para a mania que tem menos efeitos adversos. É provável que mais pessoas desenvolvam um tremor ligeiro quando tratadas com lítio do que com outros tratamentos. Os participantes não mostraram maior probabilidade de sair do estudo quando tratados com lítio em comparação com outro tratamento.

Persistem questões sem resposta, e estas seriam melhor resolvidas através da realização de mais estudos de maiores dimensões, bem concebidos e que comparassem o lítio com outros tratamentos para a mania em fase aguda.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Nádia Almeida Barradas, Serviço de Pedopsiquiatria, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal.

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