Acupuntura para depressão

Por que essa revisão é importante?

A depressão é bastante prevalente nas nossas comunidades. As pessoas com depressão clínica relatam falta de interesse na vida e nas atividades que antes lhes davam prazer. Algumas pessoas deprimidas utilizam terapias complementares, e algumas preferem estas terapias em vez de medicamentos. A acupuntura envolve a inserção de agulhas finas em diferentes partes do corpo para corrigir o desequilíbrio da energia no corpo.

A quem essa revisão pode interessar?

Adolescentes e adultos; profissionais de saúde, incluindo clínicos gerais que trabalham com ou estão envolvidos no tratamento de pessoas com depressão; e gerentes de serviços de saúde podem ter interesse nesta revisão.

Quais perguntas esta revisão procurou responder?

Esta revisão, que é uma atualização de uma revisão Cochrane publicada em 2010, procurou responder às seguintes perguntas.

- A acupuntura é melhor do que nenhum tratamento ou cuidados habituais?

- A acupuntura é melhor que a acupuntura controle (um tratamento que parece acupuntura)?

- A acupuntura é melhor do que os tratamentos farmacológicos, como os medicamentos antidepressivos?

- A acupuntura combinada com medicamentos antidepressivos é melhor do que apenas os medicamentos antidepressivos?

- A acupuntura é melhor do que as terapias psicológicas?

- A acupuntura é mais segura do que outros tipos de tratamento para a depressão?

Quais estudos foram incluídos na revisão?

Incluímos 64 ensaios clínicos randomizados controlados (ECR) envolvendo 7104 participantes. Esses estudos avaliaram mudanças nos sintomas de depressão.

O que as evidências desta revisão nos mostram?

A qualidade da evidência da maioria dos estudos foi muito baixa ou baixa. Portanto, os efeitos descritos abaixo devem ser interpretados com cautela.

A acupuntura pode resultar numa redução moderada da gravidade da depressão quando comparada com o tratamento habitual/nenhum tratamento. O uso da acupuntura pode levar a uma pequena redução na gravidade da depressão quando comparado com a acupuntura controle. Os efeitos da acupuntura versus medicação e terapia psicológica são incertos devido à qualidade muito baixa das evidências. Os riscos de eventos adversos com acupuntura também não são claros, já que a maioria dos estudos não relatou eventos adversos.

O que deveria acontecer a seguir?

Os autores da revisão recomendam a realização de mais ECRs de alta qualidade. Estes ECRs devem utilizar cegamento adequado para que os participantes do estudo não saibam qual tratamento estão recebendo, quando isso for apropriado. Além disso, os novos estudos devem avaliar a qualidade de vida dos participantes e a aceitabilidade do tratamento, e fazer acompanhamentos de médio e longo prazo.

Conclusão dos autores: 

A redução da gravidade da depressão foi menor quando a acupuntura foi comparada com a acupuntura controle do que quando a acupuntura foi comparada com nenhum tratamento. Porém, nos dois casos, a qualidade da evidência foi baixa. Existe incerteza sobre a redução da gravidade da depressão com a acupuntura isolada ou associada a medicamentos versus apenas medicamentos. Isso se deve à qualidade da evidência ser muito baixa para essas comparações. O efeito da acupuntura em comparação com a terapia psicológica não é claro. O risco de eventos adversos com acupuntura também não é claro, já que a maioria dos estudos não relatou eventos adversos adequadamente. Poucos estudos incluíram períodos de acompanhamento dos participantes ou avaliaram desfechos importantes, como qualidade de vida. Ensaios clínicos randomizados controlados de alta qualidade são urgentemente necessários para avaliar a eficácia clínica e a aceitabilidade da acupuntura, bem como a sua efetividade, em comparação com acupuntura controle, medicação ou terapias psicológicas.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

A depressão é um grande problema de saúde pública que tem um impacto substancial sobre os indivíduos e sobre a sociedade. As pessoas com depressão podem pensar em usar terapias complementares como a acupuntura. Existe um número crescente de estudos sobre a efetividade da acupuntura no tratamento de indivíduos com depressão. Esta é a segunda atualização desta revisão.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e os efeitos adversos da acupuntura para o tratamento de indivíduos com depressão.

Avaliar:

- Se a acupuntura é mais efetiva do que o tratamento habitual/nenhum tratamento/lista de espera para tratar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com depressão.

- Se a acupuntura é mais efetiva do que a acupuntura controle para tratar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com depressão.

- Se a acupuntura é mais efetiva do que as terapias farmacológicas para tratar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com depressão.

- Se a acupuntura mais a terapia farmacológica é mais efetiva do que a terapia farmacológica por si só para tratar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com depressão.

- Se a acupuntura é mais efetiva do que as terapias psicológicas para tratar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com depressão.

- Efeitos adversos da acupuntura versus tratamento habitual/nenhum tratamento/lista de espera, acupuntura controle, terapias farmacológicas e psicoterapias para o tratamento dos indivíduos com depressão.

Métodos de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados em junho de 2016: Cochrane Common Mental Disorders Group Controlled Trials Register (CCMD-CTR), Korean Studies Information Service System (KISS), DBPIA (site do banco de dados de artigos coreano), Korea Institute of Science and Technology Information, Research Information Service System (RISS), Korea Med, Korean Medical Database (base KM), e Oriental Medicine Advanced Searching Integrated System (OASIS), assim como várias revistas médicas coreanas.

Critério de seleção: 

Incluímos todos os ensaios clínicos randomizados controlados (ECR), publicados e não publicados, que compararam acupuntura versus acupuntura controle, nenhum tratamento, medicação, outras psicoterapias estruturadas (terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia ou aconselhamento), ou cuidados habituais. As intervenções incluíram acupuntura, eletro-acupuntura e acupuntura a laser. Os participantes incluíram homens e mulheres adultos com depressão diagnosticada pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders Fourth Edition (DSM-IV), Research Diagnostic Criteria (RDC), International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (ICD), ou Classificação Chinesa de Distúrbios Mentais Third Edition Revised (CCMD-3-R). Se necessário, usamos as definições de depressão dos autores dos estudos primários.

Coleta dos dados e análises: 

Fizemos metanálises usando a razão de risco (RRs) para os desfechos dicotômicos e diferença de média padronizada (SMDs) para os desfechos contínuos, com seus respectivos intervalos de confiança (IC) de 95%. Os desfechos primários foram a redução da gravidade da depressão, medida por escalas de auto-avaliação ou por escalas de classificação clínica, e a melhoria da depressão, definida como remissão versus não remissão. Avaliamos a qualidade da evidência usando o método GRADE.

Principais resultados: 

Esta revisão, uma atualização das versões anteriores, incluiu 64 estudos (7104 participantes). A maioria dos estudos tinha alto risco de viés de desempenho, risco de viés de detecção alto ou incerto, e risco de viés baixo ou incerto para viés de seleção, viés de atrito, viés de relato e outros vieses.

Acupuntura versus nenhum tratamento/lista de espera/tratamento habitual

Existe evidência de baixa qualidade sugerindo que a acupuntura (manual e eletro-acupuntura) pode reduzir moderadamente a gravidade da depressão ao final do tratamento (SMD -0,66, IC 95% -1,06 a -0,25, cinco ECRs, 488 participantes). Não está claro se existe diferença entre os grupos quanto ao risco de eventos adversos (RR 0,89, IC 95% 0,35 a 2,24, um ECR, 302 participantes; evidência de baixa qualidade).

Acupuntura versus acupuntura controle (invasivo e não-invasivo)

A acupuntura pode estar associada a uma pequena redução na gravidade da depressão de 1,69 pontos na Escala de Depressão de Hamilton (HAMD) ao final do tratamento (IC 95% -3,33 a -0,05, 14 ECRs, 841 participantes; evidência de baixa qualidade). Não está claro se existe uma diferença entre os grupos no risco de eventos adversos (RR 1,63, IC 95% 0,93 a 2,86, cinco ECRs, 300 participantes; evidência de qualidade moderada).

Acupuntura versus medicação

Existe evidência de qualidade muito baixa sugerindo que a acupuntura pode conferir um pequeno benefício na redução da gravidade da depressão ao final do tratamento (SMD -0,23, IC 95% -0,40 a -0,05, 31 ECRs, 3127 participantes). Houve uma variação substancial entre os estudos devido ao uso de diferentes classes de medicamentos e diferentes modalidades de acupuntura. Existe evidência de qualidade muito baixa que os participantes do grupo acupuntura deram avaliações mais baixas aos eventos adversos do que os participantes do grupo medicação, avaliada pela Escala de Depressão de Montgomery-Asberg (MADRS) (diferença média (MD) -4,32, IC 95% -7,41 a -1,23, três ECRs, 481 participantes).

Acupuntura mais medicação versus apenas medicação

Existe evidência de qualidade muito baixa sugerindo que a acupuntura é altamente benéfica na redução da gravidade da depressão ao final do tratamento (SMD -1,15, IC 95% -1,63 a -0,66, 11 ECRs, 775 participantes). Houve uma variação substancial entre os estudos devido às diferentes modalidades de acupuntura. Não está claro se as diferenças nos eventos adversos estão associadas a diferentes modos de acupuntura (SMD -1,32, IC 95% -2,86 a 0,23, três ECRs, 200 participantes; evidência de qualidade muito baixa).

Acupuntura versus terapia psicológica

Não está claro se existe diferença entre acupuntura e terapia psicológica na gravidade da depressão ao final do tratamento (SMD -0,5, IC 95% -1,33 a 0,33, dois ECRs, 497 participantes; evidência de baixa qualidade). Existe evidência de baixa qualidade sugerindo não haver diferença entre os grupos nas taxas de eventos adversos (RR 0,62, IC 95% 0,29 a 1,33, um ECR, 452 participantes).

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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