Treinamento de força ou treinamento aeróbico para doenças musculares

O treinamento de força, que é realizado para melhorar o fortalecimento e a resistência muscular, ou os programas de exercício aeróbico, que visam melhorar a resistência cardiorrespiratória, podem otimizar a aptidão física e prevenir a perda muscular adicional em pessoas com doenças musculares. Entretanto, pessoas com doença muscular e alguns médicos ainda têm medo da sobrecarga causada por esses treinamentos e podem ser mais cautelosos em relação a essas intervenções. Esta atualização de revisão (a data mais recente da busca foi 2 de julho de 2012) incluiu dois estudos de treinamento de força combinados com o treinamento aeróbico em pessoas com miopatia mitocondrial (18 participantes) e distrofia miotônica tipo 1 (35 participantes) e um estudo de exercício aeróbico em pessoas com polimiosite e dermatomiosite (14 participantes). Esses estudos mostraram que o treinamento de força de intensidade moderada em pessoas com distrofia miotônica ou com FSHD e o treinamento aeróbico em pessoas com dermatomiosite ou polimiosite parece não causar danos aos músculos. O treinamento de força combinado com o treinamento aeróbico parece ser seguro para distrofia miotônica tipo 1 e pode ser efetivo para aumentar a resistência cardiorrespiratória em pessoas com miopatia mitocondrial. As evidências sugerem que o treinamento de força não causa danos para pessoas com FSHD, distrofia miotônica, doenças mitocondriais, dermatomiosite e polimiosite, mas mais pesquisas são necessárias para determinar seus possíveis benefícios.

Conclusão dos autores: 

O treinamento de força com intensidade moderada para distrofia miotônica e FSHD e o treinamento aeróbico para dermatomiosite, polimiosite e distrofia miotônica tipo 1 parece não causar danos, mas não há evidência suficiente para concluir que o treinamento oferece benefício. Para miopatia mitocondrial, o exercício aeróbico combinado com o treinamento de força parece ser seguro e pode ser efetivo para aumentar a resistência cardiorrespiratória submáxima. As limitações nos desenhos dos estudos em outras doenças musculares impedem que se chegue a conclusões mais gerais para essas condições.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Programas de treinamento de força e de treinamento aeróbico podem otimizar a função muscular e cardiorrespiratória e prevenir a atrofia adicional por desuso e o descondicionamento em pessoas com doença muscular. Esta é uma atualização de uma revisão publicada inicialmente em 2004.

Objetivos: 

Avaliar a segurança e a eficácia do treinamento de força e do treinamento aeróbico em pessoas com doença muscular.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos as seguintes bases de dados: Cochrane Neuromuscular Disease Group Specialized Register (julho de 2012), CENTRAL (2012 Issue3 of 4), MEDLINE (janeiro de 1946 a julho de 2012), EMBASE (janeiro de 1974 a julho de 2012), EMBASE Classic (1947 a 1973) e CINAHL (janeiro de 1982 a julho de 2012).

Critérios de seleção: 

Selecionamos ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados que compararam programas de treinamento de força ou de treinamento aeróbico, ou os dois, com nenhum treinamento. O treinamento deveria durar no mínimo seis semanas e os participantes deveriam ser pessoas com diagnóstico bem descrito de uma doença muscular.

Nós não utilizamos desfechos específicos como critério de seleção dos estudos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram a qualidade dos estudos e extraíram os dados independentemente, a partir de estudos completos, e em contatos com os pesquisadores dos estudos originais. Extraímos também os dados de eventos adversos dos estudos incluídos.

Resultados principais: 

Nós incluímos cinco estudos (170 participantes). O primeiro estudo comparou o efeito do treinamento de força versus nenhum treinamento em 36 pessoas com distrofia miotônca. O segundo estudo comparou o exercício aeróbico versus nenhum treinamento com 14 pessoas portadoras de polimiosite e dermatomiosite. O terceiro estudo comparou o treinamento de força versus nenhum treinamento em um estudo fatorial que também comparou albuterol com placebo, com 65 pessoas com distrofia muscular fáscio-escápulo-umeral (FSHD). O quarto estudo comparou o treinamento de força combinado com o treinamento aeróbico versus nenhum treinamento em 18 pessoas com miopatia mitocondrial. O quinto estudo comparou a combinação de treinamento de força e treinamento aeróbico versus nenhum treinamento em 35 pessoas com distrofia miotônica tipo 1.

Nos dois estudos de distrofia miotônica e nos estudos de dermatomiosite e polimiosite, não houve diferença significante entre os grupos treinamento e não treinamento para as medidas de desfecho primárias e secundárias. Os riscos de viés do estudo de treinamento de força para distrofia miotônica e do estudo de exercício aeróbico para polimiosite e dermatomiosite foram julgados como incertos, e, para o estudo com o treinamento combinado, o risco de viés foi julgado como adequado. No estudo sobre FSHD, que foi classificado como tendo um risco de viés adequado, houve uma diferença estatisticamente significante na força dinâmica dos flexores do cotovelo no grupo de treinamento (+1,17 kg (intervalo de confiança 95%, 95% CI, 0,18 a 2,16). No estudo de miopatia mitocondrial, não houve diferenças significantes para as medidas de força dinâmica entre os grupos treinamento e não treinamento. A duração do exercício e a distância percorrida na bicicleta em um teste submáximo de resistência cardiorrespiratória aumentou significantemente no grupo treinamento em comparação com o grupo controle. As diferenças no tempo médio e na distância média percorrida na bicicleta até a exaustão entre os dois grupos foram de 23,70 min (95% CI 2,63 a 44,77) e 9,70 km (95% CI 1,51 a 17,89), respectivamente. O risco de viés foi julgado como incerto. Em todos os estudos, nenhum evento adverso foi relatado.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra T. Parra).

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