Regimes contendo antibióticos antitumorais para câncer de mama metastático.

Câncer de mama avançado (metastático) é o câncer que se espalhou além das mamas. Tratamento para doença metastática geralmente envolve algum tipo de quimioterapia (drogas anti-câncer) para tentar reduzir o câncer. Drogas quimioterápicas podem ser administradas como um agente único ou em combinação com outras drogas. Isto é feito de acordo com um plano ou um curso do fármaco, referido como um regime. Existem muitos tipos de medicamentos de quimioterapia que agem de várias maneiras. Antibióticos anti-tumorais agem danificando as células cancerosas de modo a impedir que essas células se multipliquem. Quimioterapia, em geral, produz uma série de efeitos colaterais ou eventos adversos relacionados ao tratamento. Os efeitos colaterais conhecidos de antibióticos antitumorais incluem náusea, vômitos, redução do número de células brancas do sangue (leucopenia), e, em alguns casos, uma reação tóxica que altera o funcionamento do coração (cardiotoxicidade).

Essa revisão buscou identificar e revisar as evidências randomizadas, comparando esquemas de quimioterapia contendo antibióticos antitumorais com esquemas não contendo antibióticos antitumorais. Essa revisão identificou 34 ensaios clínicos elegíveis envolvendo 5605 mulheres. Essa revisão encontrou que, para as mulheres com câncer de mama avançado, tomar antibióticos anti-tumorais não resultou em melhor sobrevida do que as mulheres que tomaram outros tipos de drogas quimioterápicas. Apesar da falta de evidência de benefícios de sobrevivência, essa revisão demonstrou que mulheres tomando esses medicamentos tinham uma vantagem no tempo de progressão (o período de tempo que leva para que o câncer progrida após a utilização do fármaco) e na resposta do tumor (encolhimento do tumor) comparado com mulheres que não tomaram os antibióticos antitumorais. No entanto, os riscos de efeitos colaterais, incluindo cardiotoxicidade, leucopenia e a náusea/ vómitos foram significativamente aumentadas em mulheres tomando antibióticos antitumorais. Considerando que essa revisão falhou em demonstrar benefícios na sobrevida para as mulheres que tomaram esse grupo de fármacos, mas uma taxa mais elevada de efeitos colaterais, o uso dessas drogas no tratamento de câncer de mama metastático deve ser cuidadosamente avaliado em relação ao risco de tais efeitos colaterais.

Conclusão dos autores: 

Comparado com regimes sem antibióticos anti-tumorais, os regimes que continham esses agentes mostraram uma vantagem estatisticamente significante para a resposta do tumor e tempo de progressão em mulheres com câncer de mama metastático, mas não foram associados com uma melhora na sobrevida global. O efeito favorável sobre a resposta do tumor e tempo para a progressão observado em esquemas contendo antraciclina também foi associado com maior toxicidade.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Antibióticos antitumorais são usados no tratamento do câncer de mama metastático. Alguns desses agentes demonstraram taxas mais altas de resposta tumoral do que regimes de antibióticos não-antitumorais, entretanto, benefícios de sobrevida não foram estabelecidos nesse cenário.

Objetivos: 

Para revisar as evidências randomizadas comparando regimes quimioterápicos contendo antibiótico antitumoral com regimes que não continham um antibiótico antitumoral no tratamento de mulheres com câncer de mama metastático.

Estratégia de busca: 

O Specialised Register mantido pelo Cochrane Breast Cancer Group foi revisado em 3 de outubro de 2006, utilizando os códigos para "câncer de mama avançado" e "quimioterapia". Detalhes da estratégia de pesquisa e codificação aplicadas pelo grupo para criar o registo são descritas no módulo do grupo no The Cochrane Library.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados comparando regimes contendo antibiótico antitumoral com regimes não contendo antibióticos antitumorais em mulheres com câncer de mama metastático.

Coleta dos dados e análises: 

Os dados foram coletados a partir de ensaios clínicos publicados. Os estudos foram avaliados para elegibilidade e qualidade, e os dados foram extraídos por dois revisores independentes. Hazard Ratios (HR) foram derivadas de desfechos de variação tempo-evento, sempre que possível, e um modelo de efeito fixo foi usado para a meta-análise. As taxas de resposta foram analisadas como variáveis dicotômicas. Dados sobre qualidade de vida e toxicidade foram extraídos quando presentes. Uma análise primária foi conduzida em todos os ensaios e por classe de antibiótico antitumoral.

Resultados principais: 

Foram identificados trinta e quatro ensaios relatando 46 comparações de tratamentos. Todos os ensaios clínicos publicados apresentaram resultados com resposta do tumor e 27 ensaios publicados com dados relacionando tempo-evento apontaram para a sobrevida global. As 4244 mortes observadas em 5605 mulheres randomizadas não demonstraram diferença estatisticamente significante na sobrevida entre esquemas que continham antibióticos anti-tumorais e aqueles que não continham (HR 0,96, IC 95% 0,90-1,02, P = 0,22) e nenhuma heterogeneidade significativa. Regimes com antibióticos antitumorais foram favoravelmente associados com a variação tempo-progressão (HR 0,84, IC 95% 0,77-0,91) e as variações de resposta do tumor (odds ratio (OR) 1,33; IC 95% 1,21-1,48), embora heterogeneidade estatisticamente significante tenha sido observada para estes resultados. Essas associações foram consistentes quando a análise foi restrita aos 30 ensaios com antraciclinas. Pacientes que receberam esquemas contendo antraciclina foram mais propensos a vivenciar eventos tóxicos em comparação com os pacientes que receberam esquemas sem antibióticos antitumorais. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi observada em qualquer resultado entre regimes de mitoxantrona contendo e ou não antibióticos antitumorais.

Notas de tradução: 

Notas de tradução CD003367.pub2

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