Intervenções para encorajar as mulheres a iniciar o aleitamento materno

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A Organização Mundial da Saúde recomenda que todos os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade. Existe ampla evidência indicando que o aleitamento materno traz benefícios para a saúde materna e infantil, a curto e a longo prazo. Os bebês que não são amamentados exclusivamente no peito nos primeiros três a quatro meses são mais sujeitos a terem problemas de saúde como gastroenterites, infecções respiratórias e de ouvido, infecções urinárias, alergias e diabetes mellitus. Os benefícios práticos do aleitamento materno incluem menor gastos na compra de fórmulas artificiais, especialmente nos locais onde não existem subsídios para a compra de leite em pó. No entanto, muitas mulheres optam por dar mamadeiras para seus bebês. As razões incluem preconceitos pessoais e sociais contra a amamentação, tais como as atitudes da família e amigos próximos, atitudes em relação à amamentação em lugares públicos e dificuldades para amamentar no emprego.

Esta revisão concluiu que as classes de educação em saúde e o apoio de outras mulheres que estejam amamentando podem levar a um aumento no número de mulheres que começam a amamentar. Os estudos incluídos nesta revisão eram todos de mulheres americanas de baixa renda que tipicamente tem baixas taxas de amamentação.

Onze ensaios clínicos randomizados foram incluídos. Oito estudos envolvendo 1.553 mulheres foram usados nas análises. Segundo 5 estudos com 582 mulheres americanas de baixa renda, a educação sobre amamentação, em comparação com cuidados de rotina, aumentou claramente as taxas de aleitamento materno. Um estudo com 165 mulheres mostrou que o apoio de outras mulheres também aumentou as taxas de amamentação entre mulheres que estavam pensando em amamentar. Segundo 3 estudos, as formas de intervenção mais efetivas foram as sessões de educação informais individuais ou em grupo, baseadas nas necessidades das mulheres, conduzidas antes ou antes e depois do parto, por um profissional treinado em amamentação ou por uma mulher amamentando . Esse efeito ocorreu independente da raça ou da intenção de amamentar das participantes. Apenas um estudo avaliou o uso de material educativo produzido por hospitais comparado a material produzido por empresas de leites artificiais; a conclusão foi que esta intervenção era ineficaz. Aproximadamente 40% das mulheres em ambos os grupos relataram ter recebido brindes de companhias produtoras de leite artificial, de outras fontes que não seus obstetras.

Conclusão dos autores: 

Esta revisão mostrou que as intervenções educacionais de saúde e as intervenções baseadas em apoio mútuo entre mulheres, podem aumentar o número de mulheres que iniciam a amamentação. Segundo os resultados dos estudos, os melhores efeitos são obtidos com intervenções informais, de reforço e baseadas nas necessidades individuais das mulheres, do que com sessões educacionais formais durante o pré-natal. Estas conclusões foram baseadas apenas em estudos realizados nos EUA, entre mulheres de baixa renda de várias raças e com diferentes intenções em relação a amamentação. Portanto, isso levanta algumas questões a respeito da validade externa dos achados, para outros contextos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Apesar das vantagens amplamente conhecidas e divulgadas do aleitamento materno em relação a outras formas de alimentação para os bebês, as taxas de iniciação do aleitamento continuam relativamente baixas em muitos países desenvolvidos, particularmente entre as mulheres de baixa renda.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade de intervenções que visam encorajar mulheres a amamentar sobre o número de mulheres que iniciam o aleitamento.

Estratégia de busca: 

Pesquisamos a base de dados eletrônica Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register (Julho 2007). Fizemos buscas manuais nas seguintes revistas: Journal of Human Lactation, Health Promotion International e Health Education Quarterly, desde suas primeiras edições até 15 de agosto de 2007. Complementamos a busca analisando as listas de referências de todos os artigos obtidos.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados, com ou sem cegamento, que avaliaram qualquer intervenção para promoção da amamentação em qualquer grupo populacional de mulheres, exceto mulheres e lactentes com problemas de saúde específicos.

Coleta dos dados e análises: 

Um revisor extraiu os dados e avaliou a qualidade dos estudos; um segundo revisor verificou esses dados. Os autores dos estudos foram contatados para complementar informações, conforme necessário.

Resultados principais: 

Onze estudos foram incluídos na revisão. Foi possível realizar análises estatísticas com os dados de 8 estudos (1553 mulheres). Segundo 5 estudos (582 mulheres) envolvendo mulheres de baixa renda nos EUA com baixas taxas de amamentação, as intervenções educativas, em comparação com cuidados habituais, aumentaram de forma significativa taxa de iniciação de aleitamento materno (risco relativo (RR) 1,57, intervalo de confiança (IC) 95%: 1,15-2,15, p=0,005). A análise de subgrupo mostrou que orientação individualizada, baseada nas necessidades da lactante, sessões educacionais informais de reforço, assim como sessões educacionais oficiais e gerais no pré-natal, aumentam de forma efetiva a taxa de amamentação entre mulheres de baixa renda, independentemente de sua raça ou de sua intenção de amamentar . Segundo um estudo com mulheres latinas residentes nos EUA que estavam pensando em amamentar, o apoio informal de outras mulheres durante o pré-natal ou no pós-parto também foi efetivo (RR 4,02, CI 95%: 2,63-6,14 P < 0,00001).

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