Entrevista motivacional para jovens vivendo com HIV

Muitas pessoas jovens estão vivendo com o HIV. A entrevista motivacional é um modo específico de aconselhamento que vem se mostrando benéfico na população em geral. Ela ajuda as pessoas a adotarem comportamentos mais saudáveis. Não está claro se ela pode ajudar jovens vivendo com o HIV. Nós encontramos dois ensaios clínicos, com o total de 237 participantes, que foram incluídos nesta revisão.

Ambos os ensaios clínicos relataram que a entrevista motivacional pode ajudar pessoas jovens a utilizar preservativos mais frequentemente e, também, reduzir a quantidade de HIV na sua corrente sanguínea. Um ensaio clínico mostrou uma redução no uso de bebidas alcoólicas. A entrevista motivacional não afetou a adesão ao acompanhamento.

Alguns resultados de interesse, como a adesão à medicação, o número de mortes e a qualidade de vida, não foram relatados nestes ensaios clínicos e deveriam ser relatados em estudos posteriores. Além disso, todos esses estudos foram realizados em um país de renda elevada, portanto, estes resultados não podem ser aplicados a países de baixa renda.

Conclusão dos autores: 

Há evidências de qualidade moderada de dois ensaios clínicos que sugere que a EM é efetiva sobre a redução da carga viral em curto prazo e de relações sexuais desprotegidas. Há evidências de qualidade moderada, proveniente de um ensaio clínico, de que a EM é efetiva na redução do uso de bebidas alcoólicas. São necessários mais ensaios clínicos que relatem outros desfechos, como adesão à medicação, mortalidade e qualidade de vida em jovens.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Quase metade de todas as novas infecções pelo HIV ocorrem na juventude. A entrevista motivacional (EM) é uma técnica de aconselhamento que é efetiva para provocar mudanças positivas de comportamento na população em geral. Não está claro se ela pode ser utilizada para melhorar os resultados em jovens vivendo com o HIV.

Objetivos: 

Determinar se a EM é efetiva em melhorar resultados em jovens vivendo com HIV.

Estratégia de busca: 

Nós utilizamos uma estratégia compreensiva e exaustiva com o intuito de identificar todos os estudos relevantes, independentemente do idioma ou da situação da publicação, em bases de dados eletrônicas (PubMed, the Cochrane Central Register of Controlled Trials, EMBASE, LILACS, CINAHL, PsycINFO), anais de conferências e bases de dados especializadas de Janeiro de 1980 a Março de 2012.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados (ECRs) nos quais jovens (com idade entre 10 e 24 anos) vivendo com HIV receberam EM, isoladamente ou em combinação com outra intervenção, em comparação com qualquer outra intervenção, e que tenham relatado os desfechos de interesse (adesão à medicação, mortalidade, qualidade de vida, carga viral, contagem de linfócitos T CD4 positivos, progressão para AIDS, adesão ao acompanhamento, abuso de drogas e uso de preservativos). Todos os cenários foram considerados.

Coleta dos dados e análises: 

Foram identificadas 863 referências. Dois autores examinaram, independentemente, os títulos e resumos de todos os ensaios clínicos identificados, dos quais 28 artigos completos foram rigorosamente selecionados para elegibilidade, baseando-se em critérios estabelecidos a priori. Os estudos incluídos foram avaliados quanto à qualidade em duplicata. Os dados foram extraídos por meio de um formulário pré-testado e padronizado. Não foram realizadas meta-análises.

Resultados principais: 

Dois ensaios clínicos realizados nos Estados Unidos, relatados em quatro artigos, preencheram nossos critérios de inclusão. Eles incluíram um total de 237 participantes e compararam a entrevista motivacional, isoladamente, com o atendimento padrão. Nenhum destes ensaios clínicos relataram dados sobre adesão às medicações contra o HIV, mortalidade ou qualidade de vida. Ambos os ensaios clínicos relataram reduções de carga viral (a curto prazo) e de relações sexuais desprotegidas. Uma redução no uso de álcool foi identificada apenas em um dos dois estudos que relataram este desfecho. Um ensaio clínico relatou dados sobre a adesão ao acompanhamento, a qual não foi afetada pela intervenção.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Ricardo Augusto Monteiro de Barros Almeida, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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