Administração de uterotônicos antes ou depois da saída da placenta no manejo do terceiro período de mulheres que tiveram um parto vaginal

O manejo ativo do terceiro período do trabalho de parto reduz o risco de hemorragia pós-parto (HPP). Esse manejo geralmente envolve a ligação (clampeamento) e o corte do cordão umbilical, a administração de remédios que promovem a contração do útero (`uterotônicos´) e a tração controlada do cordão. A tração controlada do cordão envolve pressionar o útero e, ao mesmo tempo, puxar o cordão especialmente quando aparece o sinal de separação da placenta. Embora exista evidência que o manejo ativo do 3o período reduz o risco de HPP, ele pode ter um impacto no bem-estar da mãe e do bebé em termos da quantidade de sangue que foi transfundido para o bebé antes da separação da placenta. O momento ideal para administrar o uterotônico (antes ou depois da expulsão da placenta) pode ter um papel importante neste processo e não foi previamente investigado de forma sistemática. Esta revisão encontrou três estudos (1671 participantes) e descobriu que o momento da administração da ocitocina profilática (quando o ombro do bebê está saindo versus depois da saída da placenta) não teve qualquer influência na quantidade de sangramento pós-parto ou no risco da placenta ficar retida. Dois dos três estudos administraram ocitocina usando uma infusão intravenosa. Em todos os estudos, o cordão foi ligado em dois lugares e cortado imediatamente após o nascimento do bebé. Houve algumas diferenças entre os estudos na forma de fazer a tração controlada do cordão. Em dois dos estudos, a placenta foi expulsa com tração controlada do cordão quando os sinais de separação da placenta ficaram evidentes. Um estudo usou pressão sobre o útero desde o começo para propiciar uma contração uterina contínua. A ocitocina foi o único uterotônico avaliado nos três estudos. Os estudos não avaliaram os efeitos da intervenção sobre a saúde neonatal. São necessários estudos mais bem desenhados e com abordagens consistentes sobre o momento de administrar uterotônicos no terceiro período do trabalho de parto.

Conclusão dos autores: 

A administração de ocitocina antes versus depois da expulsão placentária não teve qualquer influência significativa em vários desfechos clínicos relevantes como incidência de HPP, risco de retenção placentária e duração do terceiro período do trabalho de parto. Porém, o número de estudos disponíveis é limitado. A ocitocina, administrada principalmente por infusão intravenosa, foi o único uterotônico avaliado nos estudos. A extrapolação dos achados para outras vias de administração deve ser interpretada com cautela. É necessário fazer mais estudos que avaliem outros desfechos maternos e neonatais usando abordagens consistentes.

Leia o resumo na íntegra
Introdução: 

A administração dos uterotônicos é um dos principais componentes do manejo ativo do terceiro período do trabalho de parto. O momento da administração do uterotônico varia consideravelmente em todo o mundo e pode ter implicações significativas para o bem-estar das mães e dos seus bebés.

Objetivos: 

Avaliar o efeito do momento da administração do uterotônico profilático (antes versus depois da expulsão placentária) nos desfechos relacionados com o terceiro período do trabalho de parto.

Métodos de busca: 

Fizemos buscas no Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register (setembro de 2009).

Critério de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados controlados (ECR) que testaram diferentes momentos para a administração profilática de uterotônicos no terceiro período do trabalho de parto.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos para inclusão, avaliaram o risco de viés e fizeram a extração dos dados. A tabulação dos dados foi conferida.

Principais resultados: 

Incluímos três ECRs envolvendo 1671 participantes; a ocitocina foi o único uterotônico avaliado. A dose e via de administração da ocitocina variou entre os estudos incluídos. A administração de ocitocina antes versus depois da expulsão da placenta não teve um efeito significativo no risco de HPP (perda de sangue superior a 500 ml): razão de risco (RR) 0,81, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,62 a 1.04; n = 1667, três ECR. Também não houve diferença entre os grupos no risco de retenção placentária (RR 1,54, IC 95% 0,76 a 3,11; n = 1667, três ECRs); duração do terceiro período (diferença média (MD) -0,30 minutos, IC 95% -0,95 a 0,36; n = 1667, três ECRs); perda de sangue pós-parto (MD 22,32 ml, IC 95% -58.21 a 102,86; n = 181, dois ECRs); modificação nos níveis de hemoglobina (MD 0,06 g/dL, IC 95% -0,60 a 0,72; n = 51, um ECR); transfusão de sangue (RR 0,79, IC 95% 0,23 a 2,73; n = 1667, três ECRs); uso de uterotônicos adicionais (RR 1,10, IC 95% 0,80 a 1.52; n = 1667, três ECRs); incidência de hipotensão materna (RR 2,48, IC 95% 0,23 a 26,70; n = 130, um ECR) e incidência de HPP grave (perda de sangue de 1000 ml ou mais) (RR 0,98, IC 95% 0,48 a 1,98; n = 130, um ECR). Os estudos não avaliaram outros desfechos maternos ou neonatais.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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