Dispositivos não removíveis para aliviar a pressão ajudam na cicatrização das feridas nos pés dos diabéticos

Uma das complicações do diabetes é a formação de feridas (úlceras) nos pés que podem levar à amputação. O aumento excessivo da pressão na sola dos pés é um dos motivos que leva à formação de feridas nos pés dos diabéticos. Os estudos incluídos nesta revisão compararam intervenções que utilizaram dispositivos não removíveis para o alívio da pressão, versus outras formas de aliviar a pressão sobre o local da ferida, para ajudar na cicatrização. Os estudos compararam o uso curativos utilizados de forma isolada, o uso temporário de calçados especiais para diabéticos, o uso de dispositivos removíveis para o alívio da pressão e intervenções cirúrgicas. A revisão concluiu que os dispositivos não removíveis são mais efetivos do que qualquer outro método de reduzir a pressão. O uso de um dispositivo não removível junto com o alongamento do tendão de Aquiles foi melhor do que o uso do dispositivo sozinho, em um estudo que avaliou pessoas com feridas na parte da frente (mais perto dos dedos) do pé.

Conclusão dos autores: 

Os dispositivos não removíveis para o alívio da pressão são mais efetivos do que os dispositivos removíveis ou curativos isolados para a cicatrização das úlceras plantares em pacientes diabéticos. Segundo um estudo, o uso de dispositivos não removíveis associado ao alongamento do tendão de Aquiles foi mais efetivo do que os dispositivos não removíveis isolados para pacientes com úlceras na parte distal do pé.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

As úlceras nos pés são uma importante causa de morbidade nos pacientes diabéticos. As úlceras são causadas, em parte, pelo aumento da pressão sobre os pés. O alívio da pressão tem sido largamente utilizado para promover a cicatrização das úlceras plantares do pé diabético. Entretanto, ainda não se sabe qual é o método mais efetivo para ajudar a cicatrização nesses casos.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos do uso de intervenções para o alívio da pressão na cicatrização de úlceras de pé, em pacientes diabéticos.

Estratégia de busca: 

Para esta atualização, fizemos buscas nas seguintes bases de dados: The Cochrane Wounds Group Specialised Register (busca realizada em 2 de novembro 2012); The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library 2012, Edição 10); Ovid MEDLINE (de 1950 até outubro de 2012); Ovid MEDLINE (In-Process & Other Non-Indexed Citations, em 31 de outubro 2012); Ovid EMBASE (de 1980 até a semana 43 de 2012) e EBSCO CINAHL (de1982 até 1 de novembro de 2012). Não houve restrições de idioma ou status de publicação.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs) que avaliaram os efeitos de intervenções que promovem o alívio da pressão na cicatrização de úlceras de pé em pacientes diabéticos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, extraíram e resumiram os dados dos estudos elegíveis usando um formulário próprio para isso.

Resultados principais: 

Um total de 14 ECRs (709 participantes) preencheram os critérios de inclusão desta revisão. Um estudo comparou dois tipos diferentes de dispositivos não removíveis e não encontrou diferenças entre os grupos. Sete estudos (366 participantes) compararam dispositivos não removíveis versus dispositivos removíveis para o alívio da pressão. Em cinco desses estudos, os dispositivos não removíveis aumentaram de forma significativa o número de úlceras cicatrizadas, em comparação com os dispositivos removíveis: RR 1,17, IC 95% 1,01-1,36, P valor = 0,04

Segundo dois estudos (98 participantes), o número de úlceras que cicatrizaram foi significativamente maior no grupo que usou dispositivos não removíveis do que no grupo que usou apenas um curativo. Segundo um estudo, o alongamento do tendão de Aquiles associado ao uso de um dispositivo não removível resultou em um número significantemente maior de úlceras cicatrizadas após sete meses do que o uso isolado de um dispositivo não removível: RR 2,23, IC 95% 1,32 a 3,76. Após dois anos de seguimento, um número maior de úlceras continuava cicatrizada no grupo que usou a intervenção combinada: RR 3,41, IC 95% 1,42 a 8,18.

Todas outras intervenções avaliadas, incluindo o debridamento cirúrgico das úlceras; feltro ajustado aos pés e curativos de espuma, não mostraram efeito estatisticamente significante a favor do grupo tratado.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Kátia Senna e Carlos Alberto da Silva Magliano)

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